Doença de Lyme

Por Débora Carvalho Meldau
A doença de Lyme é uma enfermidade infecciosa causada por espiroquetas, mais especificamente pertencente à espécie Borrelia burgdorferi, que são transmitidos para os animais e/ou homens, através da picada do carrapato, sendo a principal zoonose deste gênero. Os primeiros casos de Eritema cronicum migrans (ECM), foram descritos, na Suécia e na Áustria. Posteriormente, o ECM foi diagnosticado em vários países europeus, principalmente, na Europa Central. Casos similares aos europeus foram, também, observados em outros continentes. Em 1977, foi verificado a associação de ECM e artrite. Os casos foram estudados na cidade de Lyme (Connecticut - EUA). A partir desta publicação, surgiram as denominações de Artrite de Lyme e Doença de Lyme.

No geral, as borrelioses possuem características patológicas, clínicas e epidemiológicas, variando de acordo com a região, devido à existência de diferentes espécies, genoespécies e cepas. Estes aspectos variam em função dos artrópodes vetores, da interação vetor-patógeno e dos diferentes ecossistemas.

Esta doença tem sido descrita em humanos, bovinos, eqüinos e cães e também, foi relatada infecções em ovinos. Os espiroquetas são adquiridos quando os carrapatos (agente), ainda em seu estágio larval, se alimentam de pequenos animais reservatórios do patógeno, como por exemplo, roedores silvestres, porco-espinho e aves. Na fase adulta, quando vão se alimentar de grandes mamíferos, transmitem a enfermidade. A transmissão vertical (transovariana) nos carrapatos, não é muito frequente, portanto não tem importância epidemiológica.

Algumas atividades favorecem a disseminação de agentes infecciosos, como: a intensa atividade agropecuária, o convívio dos homens com os animais domésticos e a valorização de atividades ao ar livre.

Os prováveis carrapatos responsáveis pela transmissão do patógeno pertencem aos gêneros Ixodides (ciclo silvestre) e Amblyomma (animais domésticos aos humanos).

Quando penetram a pele, no momento da mordedura, estas bactérias invadem as células, embora sejam bactérias predominantemente extracelulares, invadem as células endoteliais penetrando nos tecidos em seguida. Mesmo havendo resposta imunológica do hospedeiro aos diversos antígenos, e também, da imediata realização da terapêutica antibiótica, a B. burgdorferi pode estabelecer uma infecção persistente.

Nos seres humanos, a doença de Lyme, inicialmente, caracteriza-se por uma mancha vermelha (eritema) em torno da picada, cerca de 8 a 9 dias após a transmissão do agente. Conforme ela se agrava, essa mancha espalha-se por todo o corpo, recebendo assim, o nome de eritema migratório. Os sintomas apresentados podem ser mal-estar, febre, dor de cabeça, dor muscular e nas articulações, podendo durar várias semanas ou mais. Algumas pessoas podem apresentar disfunções cardíacas, podendo aparecer no início da doença ou numa fase mais avançada. Quando não há tratamento, a doença pode evoluir para outras fases, ocorrendo comprometimento do sistema nervoso, alterações de equilíbrio e vista.

Nos animais domésticos, este agente pode causar doença clínica assim como nos humanos. Nos cães, a infecção se dá pela picada do Ixodides infectado, sendo que nas cadelas prenhes, pode ocorrer transmissão transplacentária. Os sinais clínicos apresentados nos animais são semelhantes aos apresentados pelo homem. No canino envolve síndrome músculo esquelética, comprometimento de várias articulações, febre, letargia, inapetência, claudicação e eritema no sítio da picada. Há relatos de vômitos, dor abdominal e aborto, embora isso não seja comum. Pode ocorrer também cardiopatias com bloqueio atrioventricular e arritmias, anemia e  nefrites.

Em felinos existem poucos estudos sobre esta doença. Acredita-se que estes sejam mais resistentes à esta doença, sendo que os poucos sinais clínicos relatados são brandos.

A espiroqueta dos ruminantes tem distribuição cosmopolita, ocorrendo em todos os locais onde há seus transmissores. Os carrapatos que transmitem a borrélia são do gêneroBoophilus e as espécies Rhipicephalus evertsi e R. appendiculatus. Os sinais clínicos apresentados pelos ruminantes são o aumento do volume articular, mialgia, febre, laminite, queda da produção e aborto. Outro sinal que foi detectado recentemente é a ocorrência de dermatite digital ocasionada pelo espiroqueta.

Nos eqüinos, a borreliose de Lyme causa sinais clínicos de perda de peso, caludicação esporádica, laminite, febre, aumento articular, enrijecimento muscular, uveíte anterior e sinais neurológicos (depressão, mudança de comportamente, disfagia, balanço de cabeça e encefalite).

As bactérias da espécie B. burgdorferi são extremamente difíceis de cultivar em laboratório e nenhuma prova pode diagnosticar com segurança a doença de Lyme. No homem, o diagnóstico costuma basear-se em sinais clínicos característicos da doença juntamente com os resultados de vários testes laboratoriais, como por exemplo, o teste de E.L.I.S.A. e o PCR (Reação em Cadeia de Polimerase).

Nos animais devem ser observados também os sinais clínicos, mas a confirmação deve ser estabelecido com o auxilio de ensaios imunológicos. As técnicas que podem ser utilizadas são imunofluorescência, que não é tão utilizada, pois não confere bons resultados; o ensaio imunoenzimático E.L.I.S.A. indireto e o western blotting são mais utilizados, pois são mais sensíveis e específicos. Existem outras técnicas mais modernas como a captura de antígeno e o PCR, porém não fazem parte da rotina devido ao elevado custo e pouca praticidade. Pode ser realizado também esfregaço sanguíneo utilizando o sangue periférico para diagnóstico da borreliose animal, mas só há a identificação do agente em casos de alta espiroquetemia. O correto é a associação do exame clínico, histórico, sorologia e dados epidemiológicos para se definir o diagnóstico.

No homem, o tratamento precoce ajuda a evitar complicações. Pode ser feito com a administração de antibióticos, como a doxiciclina, amoxicilina, penicilina ou eritromicina via oral durante as primeiras fases da doença. Nos casos de doença tardia, persistente ou grave, a antibioticoterapia é feita via endovenosa.

Nos animais, a terapêutica é realizada, também, com o uso de antibióticos. As tetraciclinas são eficientes, entretanto são restritas a animais adultos; penicilina, ampicilina e amoxicilina são eficientespor possuírem melhor absorção, mas a doxiciclina é a mais indicada devido à sua característica lipoprotéica, conferindo maior proteção no tecido.

A profilaxia nos humanos deve ser feita com o uso de roupas calaras cobrindo grande parte da pele e também, usando botas de cano alto quando for andar em campos ou matas. Quando for encontrado carrapato no corpo, deve ser retirado adequadamente. O controle dos roedores também é uma medida que deve ser tomada, pois eles são reservatórios da doença. Outro ponto importante é realizar uma modificação no ambiente onde vive o carrapato, passando vassoura de fogo, corte da grama e introdução de predadores destes ácaros.

Fontes:
DA FONSECA, A. H.; “Borreliose de Lyme simile: uma doenca emergente e relevante para a dermatologia no Brasil”
http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=745&sid=8
http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/001319.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doença_de_Lyme

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