Felinos

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Felinos é como chamamos a família de mamíferos Felidae, que é dividida em duas subfamílias: Pantherinae (abrange os leões, tigres, onças pintadas, leopardos) e Felinae (abrange as onças pardas, jaguatiricas, linces, guepardos e gatos domésticos). São nativos de todos os continentes, exceto Antártida e Austrália.

As primeiras evidências fósseis de felinos verdadeiros são de 25 milhões de anos atrás, no período Oligoceno. Os primeiros felinos eram os dentes-de-sabre, que faziam parte da subfamília extinta Machairodontinae.

Leões são um dos maiores e ferozes felinos do mundo. Na foto, um leão macho (com grande juba) e uma fêmea. Foto: ArtMediaFactory / Shutterstock.com

Características

Esta família é morfologicamente bem especializada para a caça, sendo ágeis, flexíveis e habilidosos. Muitos deles são ótimos nadadores e/ou escaladores. Possuem caninos longos e cônicos para introduzir mais fácil em suas presas, tendo molares especializados para rasgar, cortar e triturar. São digitígrados e suas unhas são retráteis, com exceção dos guepardos, que possuem garras semi-retráteis, uma adaptação que contribui para que sejam excelentes corredores. Possuem a língua com papilas salientes que ajudam raspar a carne e retirar dos ossos, durante a alimentação. Os bigodes são vibrissas, que auxiliam nas informações sensoriais do ar.

Sua pelagem é mais densa em regiões frias, a coloração é variável e encontramos espécies com manchas, rosetas e listas, beneficiando a camuflagem durante a caçada. É comum o melanismo em muitas espécies. A maioria dos felídeos possui hábito solitário e noturno e algumas espécies são encontradas com maior atividade crepuscular e no amanhecer.

Felídeos, em geral, têm excelentes visão e audição, com olfato aguçado. Possuem uma dieta basicamente carnívora, mas chegam a ingerir grama para estimular o vômito de bolas de pelo e algumas espécies podem comer frutas para auxiliar na ingestão de água. Alguns animais apresentam a característica de carregarem a carcaça e esconderem para comer em outro momento.

Gatos domésticos. Foto: Oleksandr Lytvynenko / Shutterstock.com

Reprodução

Geralmente os machos são solitários e têm uma área de vida que cruza com mais de uma fêmea. Usam vocalização e marcação com cheiro para se comunicarem, tanto as fêmeas para mostrar que estão no cio, como os machos para delimitarem espaço e cruzar com as fêmeas de sua área. Há disputas entre machos, para o acasalamento, podendo ser fatal. São poligâmicos e o estro dura de 1 a 3 dias. A estação reprodutiva acontece na época mais favorável, em que há maior disponibilidade de recursos, dependendo da área. A gestação dura de 2 a 3 meses, dependendo da espécie e apesar de ser comum o nascimento de 2 a 4 filhotes, uma fêmea pode ter até 8 filhotes.

Os filhotes são escondidos pelas suas mães, dentro de tocas, buracos ou frestas. Aprendem a caçar com elas e permanecem juntos até que saibam caçar sozinhos. Os leões são felinos mais sociais, as fêmeas podem revezar a amamentação de filhotes, enquanto outras caçam para o bando.

Os felinos possuem comportamentos distintos de marcação e comunicação, movimento de orelhas, de calda, urinam, esfregam em árvores e arranham para marcar território, mostrando domínio dele, muitos miam, rosnam, ronronam, “cospem” e os grandes felinos rugem. Têm um órgão vomeronasal na base da cavidade olfativa, que lhes permitem detectar ferormônios, assim eles abrem a boca e realizam o que chamamos de flehmen.

Conservação

Comumente os felídeos são espécies chaves dos ecossistemas, sendo na maior parte das vezes o topo da cadeia alimentar. Sua alimentação mantém o controle populacional de suas presas. Uma grande preocupação para sobrevivência de grandes predadores é o desaparecimento de presas em seu habitat natural, fazendo com que eles ataquem criações dos humanos.

O principal impacto causado a esta família vem da fragmentação e destruição de habitat, interação com humanos e animais domésticos e a caça ilegal. As populações pequenas ficam mais suscetíveis a eventos, como a endogamia. Muitas espécies se encontram ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção.

Onça-pintada. Foto: Adalbert Dragon / Shutterstock.com

Felinos brasileiros

No Brasil, temos nove espécies de felinos: Onça pintada (Panthera onca), Onça parda (Puma concolor), Jaguatirica (Leopardus pardalis), Gato do mato grande (Leopardus geoffroyi), Gato do mato pequeno (Leopardus tigrinus e Leopardus guttulus) Gato maracajá (Leopardus wiedii), Gato mourisco (Herpailurus yagouaroundi) e Gato palheiro (Leopardus colocolo).

Referências:

https://animaldiversity.org/accounts/Felidae/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Felidae

Wozencraft, W.C. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press.

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