Hipótese heterotrófica

A hipótese heterotrófica é a linha de pensamento mais aceita para explicar a origem da vida. Conta que os organismos se desenvolveram a partir de substâncias inorgânicas. Essas substâncias estavam presentes quando a Terra ainda era bastante jovem e muito diferente de hoje, com muitos vulcões ativos, uma atmosfera ainda em construção e sendo atingida diariamente por meteoros.

O Universo surgiu a cerca de 18 bilhões de anos atrás após o big bang, que resultou numa expansão do espaço-tempo. Após graduais evoluções, o nosso Sol foi formado e ao redor dele vários planetesimais foram surgindo. Mais tempo foi necessário para que os planetas atuais se formassem e para que cada planeta seguisse o seu próprio ritmo de evolução e desenvolvimento.

Os primeiros organismos surgiram na Terra após uma transformação bastante lenta envolvendo substâncias encontradas na Terra. Estas substâncias estavam envolvidas em sopas primordiais nos oceanos primitivos. Isso aconteceu graças a descargas elétricas e choques com meteoros.

A Terra primitiva, que data de 3,5 bilhões de anos atrás, era bastante diferente. A atmosfera era rica em metano, hidrogênio, amônia e vapor de água. Havia muitas tempestades violentas por conta da alta presença de vapor de água. As atividades vulcânicas também eram intensas liberando lava que moldou bastante o solo.

A existência de vida em nosso planeta é hoje vista como processos bioquímicos complexos que resultam nas mais diversas estruturas como tecidos, órgãos, células etc. Estes tipos de organismos não existiam no tempo da Terra primitiva. Os cientistas, ao longo de vários séculos, discutiram acerca de como a vida tomou os moldes atuais. Os defensores da hipótese heterotrófica encontram êxito em seus trabalhos e desenharam vários cenários que existiam em nosso planeta e como esses cenários ajudaram no desenvolvimento da vida.

O início da hipótese heterotrófica

Friedrich Wöhler (1800-1882) já havia conseguido produzir ureia, um componente orgânico presente na urina, de forma artificial em laboratórios, a partir de substâncias inorgânicas.

Harold Urey (1893-1981) e Stanley Miller (1930-2007) realizaram um famoso experimento que imitava em laboratório as condições que existiam na Terra primitiva. No experimento, eles misturaram vários gases presentes na Terra jovem como metano, amônia e hidrogênio além de vapor de água e descargas elétricas. Após uma semana, Miller notou um líquido avermelhado cheio de moléculas orgânicas, incluindo aminoácidos.

Louis Pasteur (1822-1895) foi outro cientista que questionou a hipótese autotrófica (ou geração espontânea de vida). Ele demonstrou através de experimentos envolvendo líquidos nutritivos como sopas que a geração de vida nesses líquidos era causado por contaminação, pois haviam organismos no ar.

Oparin (1894-1980) realizou experimentos logo após a descoberta da composição química da atmosfera de vários planetas do nosso sistema. As composições variavam entre a presença de hidrogênio, metano e amônia que também estão presentes nos seres vivos.

Outros modelos para explicar a geração de vida

Alexander Graham Cairns-Smith (1931-2016) desenvolveu a hipótese das argilas, que dizia que os minerais argilosos teriam construído o suporte e alguns sistemas genéricos de vida primitiva que foram substituídos por ácidos nucléicos.

Os modelos hidrotermais falam sobre a geração de vida ao redor das fontes hidrotermais, que são grandes fontes de água muito quente no assoalho dos grandes oceanos. Günter Wächterchäuser postulou que a vida primitiva na Terra teve as suas primeiras fases de metabolismo e processos químicos sobre superfícies de pirita, mineral bastante abundante ao redor das fontes hidrotermais.

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