Hemograma

Por Fabiana Santos Gonçalves
O hemograma é um exame laboratorial de rotina para avaliar qualitativa e quantitativamente os elementos figurados do sangue.

Antes de se fazer um hemograma é indispensável uma consulta médica para avaliação dos sinais clínicos, que podem alterar significativamente os valores do hemograma.

Recepção do paciente

Durante a recepção, onde é feito o cadastro, é muito importante registrar dados como sexo, idade, local onde mora, observar se o paciente está pálido, ofegante, cansado, ansioso ou nervoso, pois tudo isso afeta os valores do hemograma. Pessoas que coletam sangue após exercícios físicos e gestantes com pelo menos cinco meses de gravidez podem ter alteração na quantidade de leucócitos.

Essas observações devem ser anotadas, pois auxiliam o trabalho de quem estará fazendo a leitura da lâmina.

O jejum deve ser preferencialmente superior a 4 horas, exceto para bebês que devem se alimentar com muita freqüência. Para este jejum deve ser de uma a duas horas no mínimo.

O paciente deve informar se está usando algum tipo de medicação, o que tem sentido para ir procurar ajuda médica, gravidez ou menstruação abundante, sangramentos, dores ósseas, e articulares, cansaço, taquicardias, indisposição, contato com agrotóxicos ou outras substâncias tóxicas, etc.

Coleta de sangue

Usualmente a coleta é feita de sangue venoso, extraída de uma veia da fossa antecubital. As veias do dorso do punho e da mão têm menor fluxo de sangue e pode causar hematomas com maior freqüência.

Existem diversas agulhas e técnicas para a coleta do sangue, cada uma com uma função.

O local de coleta também pode interferir, como por exemplo, a coleta de sangue capilar pode apresentar contagens de plaquetas mais baixas que a do sangue venoso. Mas esse tipo de coleta é feito apenas em casos excepcionais, quando é muito difícil obter sangue venoso.

O sangue coletado é colocado em um tubo com anticoagulante, na proporção especifica para a quantidade de sangue coletado, para que não haja interferência nos valores. Normalmente usam-se os anticoagulantes EDTA.

Esfregaço sanguíneo

As lâminas utilizadas devem estar bem limpas e desengorduradas. Uma gota de sangue é colocada em uma extremidade da lâmina de vidro. O distensor deve ser um pouco mais estreito que a lâmina. Com o distensor inclinado (25° à 30°), arrastasse a gota de sangue até a outra extremidade da lâmina, de forma homogênea e bem fina. Lâmina com o esfregaço muito grosso dificulta muito a análise.

O local onde é feita a leitura é muito importante, pois certas células como os neutrófilos, eosinófilos e monócitos tendem a se acumular nas regiões periféricas do esfregaço, enquanto que os linfócitos ficam na região central.

A quantidade de sangue utilizado para fazer o esfregaço depende da patologia do paciente. Para a identificação de parasitas móveis, a análise deve ser feita à fresco sob a lamínula.

Coloração

É uma etapa que requere muito cuidado para que a lâmina fique muito corada, e não contenha artefatos que podem prejudicar a leitura.

Existe uma grande quantidade de marcas no mercado, que normalmente são compostos por duas misturas: azul de metileno e eosina, que servem para fixar componentes protéicos básicos como o núcleo e as proteínas ácidas, respectivamente.

Contagem

Atualmente os laboratórios estão equipados com contadores automáticos, que são muito mais precisos que as contagens manuais, realizados com câmara de Neubauer que são extremamente cansativas.

Existem vários tipos de contadores automatizados, cada para uma função. Mas devem ser frequentemente calibrados para que não haja erros. Ainda assim uma analise da lâmina ao microscópio óptico é muito importante. Observações importantes sobre morfologias e coloração das células devem ser descritas para auxiliar o médico na interpretação e diagnóstico da doença.

Emissão de resultados e comentários

Os valores dos resultados devem ser claros, legíveis e acompanhados dos valores de referência de acordo com o sexo e a idade do paciente.

Alguns médicos podem se sentir incomodados se o laboratório emitir um diagnóstico da doença, portanto cabe a cada laboratório decidir se coloca ou não o seu parecer sobre os resultados, ficando a interpretação destinada ao médico.

O exame é colocado em um envelope, identificado e lacrado.

Fontes
Naoum, Paulo César. Hematologia Laboratorial. AC & T.

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