Leucograma

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Um leucograma é a porção do hemograma, ou exame de sangue, que avalia somente as células da série branca do sangue. Os leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, são contados e sua quantidade é comparada com valores de referência. Esses valores dizem respeito ao que se espera observar em uma pessoa saudável de mesmo sexo e idade que o paciente analisado.

Espera-se encontrar, em adultos, mais de 3500 e menos de 11000 glóbulos brancos por mm3 de sangue. Os leucócitos são células precursoras de cinco outras que compõem a série branca do sangue. Deste modo, além de sua contagem absoluta, um leucograma também informa a sua contagem diferencial, ou seja, a porcentagem de cada tipo celular encontrada na contagem de 100 células aleatórias. Os exames mais recentes também informam a quantidade de cada tipo por mm3.

Ilustração mostra os cinco tipos de leucócitos detectados em um leucograma. Fonte: Double Brain / Shutterstock.com [adaptado]

As células mais comuns encontradas na contagem diferencial são os neutrófilos (de 45 a 70%) seguidas pelos linfócitos típicos (de 20 a 50%), monócitos (de 2 a 10%), os eosinófilos (de 2 a 5%) e finalmente os basófilos (de 0 a 1%). Os neutrófilos são células granulares cuja função é combater infecções de origem viral ou bacteriana. Elas possuem seis estágios diferentes de maturação, sendo que 4 deles (mieloblasto, pró-mielócito, mielócito e metamielócito) não devem ser encontrados na corrente sanguínea, pois são referentes a células imaturas da medula óssea e sua presença no sangue pode indicar alguma alteração nesta. Assim, encontram-se normalmente neutrófilos bastonetes (forma jovem) e segmentados (forma madura com núcleo formado por vários lóbulos).

Os linfócitos são células sem grânulos no citoplasma que são analisados entre típicos e atípicos. O linfócito típico é circular, possui um grande núcleo arredondado e relativamente pouco citoplasma. Os linfócitos atípicos podem ser uma célula intermediária entre dois estágios de um leucócito e podem ocorrer em pequena quantidade no sangue. Eles são disformes e não possuem o núcleo arredondado dos linfócitos típicos. Ambas as formas são responsáveis por respostas imunológicas e no combate a infecções virais. Seu aumento em adultos pode significar leucemia.

Os monócitos são as maiores células da porção branca do sangue, possuindo um citoplasma agranular, membrana com forma irregular e grande quantidade de citoplasma com vacúolos dispersos. Seu núcleo pode apresentar diversas formas, desde arredondado até alongado ou disforme. Depois de circular pela corrente sanguínea por alguns dias, os monócitos espalham-se pelos tecidos do corpo, onde passam a ser chamados de macrófagos e desempenham um papel vital nas respostas imunológicas contra corpos estranhos e infecções. Pacientes com leucemia ou que estejam passando por tratamento de quimioterapia apresentam valores aumentados de monócitos.

Os eosinófilos são células granuladas, pois apresentam um citoplasma repleto de grânulos avermelhados e núcleo lobulado. Possuem função específica antiparasitária e nos processos inflamatórios de doenças alérgicas. Quando sua quantidade no sangue aumenta significativamente (valores muito acima de 500 eosinófilos por mm3) observa-se um quadro descrito como eosinofilia.

Por fim, as células da série branca mais raras, os basófilos. Eles apresentam grânulos escuros por todo o citoplasma e núcleo arredondado. Um adulto saudável apresenta menos de 1% destas células em uma amostra de sangue, sendo que seu aumento está diretamente relacionado com processos inflamatórios causados por alergias.

Referências:

Chauffaille, M. D. L. L. F. (2010). Eosinofilia reacional, leucemia eosinofílica crônica e síndrome hipereosinofílica idiopática. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo32(5).

Cordero Puyol, E. X. (2016). Análisis de la sensibilidad y especificidad del leucograma en el hemograma automatizado(Bachelor's thesis, Quito: Universidad de las Américas, 2016.).

Mendes, D. M., de Camargo, M. F., Aun, V. V., Fernandes, M. D. F., Aun, W. T., & de Mello, J. F. (2000). Eosinophilia. Rev Bras Alerg Inmunopatol23(2).

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