Governo de Nilo Peçanha

Por Emerson Santiago
Nilo Procópio Peçanha foi responsável por concluir o quinto período de governo republicano, de 14/06/1909 a 15/11/1910. Advogado, nasceu na cidade de Campos, estado do Rio de Janeiro, em 1867. Era presidente do estado do Rio de Janeiro quando, em 1906 foi um dos signatários do Convênio de Taubaté-SP, assim como os presidentes de São Paulo e Minas Gerais.

É eleito vice-presidente, e acaba por assumir o cargo a 14 de junho de 1909, com a morte do titular, Afonso Pena. O novo presidente tinha como missão administrar um país de cerca de 23.151.669 habitantes, dos quais aproximadamente 67Nilo-Peçanha% viviam no campo.

Embora seu mandato tenha se dado em um espaço de tempo tão breve, Nilo Peçanha foi responsável, entre outras coisas, pela reorganização do Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI - sob a direção do tenente-coronel Cândido Rondon), além de dar impulso ao ensino técnico-profissional.

Apesar dos empreendimentos, o período de foi de crescimento dos conflitos entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, fruto da campanha civilista. Eram realizadas inclusive intervenções em alguns estados para garantir a posse dos presidentes aliados ao governo federal.

Tais conflitos ressoaram na campanha eleitoral para a presidência da República. Esta tornou-se uma acirrada disputa entre os candidatos Hermes da Fonseca, sobrinho do ex-presidente marechal Deodoro da Fonseca e o ministro da Guerra do governo de Afonso Pena, e Rui Barbosa. A "política do café com leite", que durante tantos anos havia unido paulistas e mineiros em torno de um mesmo candidato, desta vez estavam em lados opostos. Hermes da Fonseca é apoiado por Minas Gerais, pelo Rio Grande do Sul e pelos militares, enquanto Rui Barbosa recebe o apoio de São Paulo e da Bahia. É esta a campanha de Rui Barbosa que fica conhecida como "campanha civilista", ou seja, uma oposição civil à candidatura militar de Hermes da Fonseca. O estado de São Paulo se dedicou a financiar a campanha de Rui Barbosa, que percorreu o país procurando o apoio popular, um fato inédito na trajetória democrática brasileira.

Depois de completar o período de Afonso Pena na presidência, Nilo Peçanha foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 1912, estado do qual tornou-se mais uma vez presidente entre 1914 e 1917. Em 1917, exerce o cargo de ministro da Relações Exteriores no governo de Delfim Moreira. Em 1921 concorreu à presidência da República na legenda da Reação Republicana, sendo vencido por Artur Bernardes. É eleito mais uma vez senador pelo Rio de Janeiro, falecendo em 1924. Hoje, é reconhecido como o primeiro presidente mulato do Brasil.

 

Bibliografia:
Nilo Procópio Peçanha. Disponível em: < http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/ex-presidentes/nilo-pecanha >.