Coronelismo

Por Miriam Ilza Santana
Coronelismo

O surgimento do coronelismo remonta aos tempos de colonização do território brasileiro. Com a segmentação do Brasil em capitanias hereditárias e o surgimento do donatário, a Coroa punha em voga as bases do coronelismo, inconscientemente. O donatário e logo após os donos das sesmarias – possuidores de grandes fazendas agrárias – passaram a exercer poder absoluto sobre seus bens, transformando-as em propriedades agroeconômicas inabaláveis. Analisando a situação, percebe-se que a Independência em nada alterou a condição destes coronéis, que se sentiam donos de fato destas grandes propriedades rurais.

O título de coronel sancionava definitivamente o poder dos oligarcas – eles deixavam de ser apenas uma autoridade de fato para serem, também, de direito, com aprovação total do governo central. Com tantos poderes nas mãos os oligarcas resolveram financiar campanhas políticas de seus afilhados, conquistando a faculdade de acaudilhar a Guarda Nacional e obtendo autoridade para obrigar o povo e os escravos a manter a ordem e a obediência. Com o advento da República, a Guarda Nacional é extinta, contudo os coronéis sustentam o domínio sobre suas terras e os limites de sua influência. O regime representativo é implantado e o direito de voto ampliado, os partidos políticos e as eleições se fortalecem.

O domínio dos coronéis consistia em controlar os seus eleitores, todos eles tinham o seu “curral” eleitoral, ou seja, os eleitores eram obrigados a votar sempre nos candidatos impostos por eles – este voto era conhecido como “voto de cabresto”. Cabia a seus jagunços controlarem os votos através da coerção física, caso os eleitores fossem contra a aspiração dos coronéis, eram punidos. O prestígio de um coronel era proporcional ao número de votos que ele conseguia arrebanhar junto aos seus, esta era a única maneira de alcançar o que ele desejava junto aos governantes estaduais ou federais e de resguardar seus domínios.

DECLÍNIO DO CORONELISMO

O declínio do coronelismo deu-se através de simultâneas transformações no quadro geral da sociedade. A população rural cresce, as pequenas cidades incham, estradas são abertas e os meios de comunicação em massa, principalmente a televisão, chegam mais rápido às partes mais longínquas do território nacional – o eleitor se torna menos submisso e passa a exigir mais das autoridades na hora de dar o seu voto. O êxodo rural é fator determinante para o declínio do coronelismo, e nas cidades surgem novos líderes; o contato com o povo é facilitado e a televisão, com seu poder de convencimento e repasse de informações em rede nacional, torna-se uma grande aliada.

A história evolui ganhando cara nova, a troca de favores só muda seu jeito de ser, ou seja, a vaga na escola passa a ser conseguida por intermédio de algum vereador conhecido, a rede de água e esgoto ou a instalação de energia elétrica agora é alçada do deputado federal. As privatizações destacam-se no novo cenário político, os parlamentares contratam cabos eleitorais para ocuparem cargos importantes em organismos públicos e atuarem nas comunidades rurais – os “currais comunitários”, cultivados pelos “coronéis modernos”, que se escondem atrás de novas funções - de deputados a senadores, de vereadores a prefeitos. No nordeste, o coronelismo ainda impera, a troca de favores predomina e a distribuição de cargos aos protegidos é uma constante, sem falar nas fraudes freqüentes, nas quais os mortos votam, assinaturas são falsificadas, entre outras falcatruas.

Leia mais:

http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-historia-coronelismo-738698.shtml

Bibliografia

http://vestibular.uol.com.br/atualidades/ult1685u302.jhtm
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/coronelismo.htm
http://www.culturabrasil.org/republicavelha.htm
http://votolivre.multiply.com/photos/album/3