Quinhentismo

Por Felipe Araújo
Antes do descobrimento do Brasil, a expansão marítima dos povos espanhóis e portugueses exploravam os mares em busca de novos territórios. Com a chegada das embarcações de Portugal ao Brasil, é iniciada uma fase de produção escrita no país. Naquela época, encontrava-se o seguinte panorama: os nativos que habitavam o território eram analfabetos, os portugueses que viviam nas terras brasileiras eram deportados ou aventureiros e os jesuítas tinha como ocupação a catequese dos fiéis.

A produção das obras escritas naquele período apresenta um caráter informativo, documentos que descreviam as características do Brasil e eram enviados para a Europa, onde não se sabia absolutamente nada sobre os costumes dos nativos e os recursos naturais das terras brasileiras. Entre as publicações daquela época, encontram-se cânticos religiosos, poemas dos jesuítas, textos descritivos, cartas, relatos de viagem e mapas. Consta que o primeiro texto escrito no território do Brasil foi a Carta de Pero Vaz de Caminha, em que registra suas impressões sobre a terra recém-descoberta.

Entretanto, apesar da grande variedade de documentos de época que comprovam a existência de produção escrita naquele período, segundo alguns estudiosos da língua portuguesa, este material é considerado paraliterário, termo que designa formas não convencionais de literatura como autoajuda, literatura de cordel, entre outros.

Entre os principais documentos do Quinhentismo estão: “História do Brasil”, escrita pelo frei Vicente de Salvador, “Diálogo sobre a Conversão dos Gentios”, do padre Manoel da Nóbrega, “Tratados da Terra e da Gente do Brasil”, de Fernão Cardin, “Tratado Descritivo do Brasil”, de Gabriel Soares de Sousa, “Diário de Navegação”, de Pero Lopes de Sousa e a famosa “Carta de Pero Vaz de Caminha”.

No trecho abaixo, texto retirado da Carta de Pero Vaz, é possível entender um pouco sobre os primeiros contatos entre os portugueses e os índios:

“Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.”

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Fontes:
BERNARDI, Francisco. As Bases da Literatura Brasileira. Porto Alegre: AGE, 1999.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_a_El-Rei_D._Manuel
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=350&Itemid=2
http://arturricardo-historiador.blogspot.com.br/2010/02/trecho-da-carta-de-pero-vaz-de-caminha.html