Acrossemia - Processo de Formação de Palavras

A acrossemia é um processo que consiste na combinação de sílabas ou fonemas extraídos dos elementos de um nome composto ou de uma expressão substantiva. Esse caso é muito comum na língua portuguesa, usado para referir-se a partidos políticos, nomes de universidades dentre tantos outros usos.

Ex:
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina.
PT – Partido dos trabalhadores.

As combinações resultantes desse processo passam a ter valor e autonomia de palavra, podendo receber sufixos adicionais. Por exemplo: PT – petista; Arena – arenista.

Muitos acrônimos assumem outros valores conotativos, tornando-se homônimos, como em CEU – Clube dos Estudantes Universitários, lido com a vogal “e” aberta, associando assim ao paraíso.

Em alguns casos, o vocábulo acrossêmico substitui definitivamente a expressão que designa. É de uso e compreensão comum o significado da palavra “radar”, mas o que bem poucos sabem é que ela vem de Radio detected and ranging. Já as iniciais de very important person – VIP - já são mais conhecidas.

As siglas em geral são vocábulos acrossêmicos. Entretanto, quando não se organiza em padrões silábicos próprios da articulação das palavras na nossa língua, não se tem um vocábulo autônomo. Assim, sua pronúncia é feita a partir da soletração dos fonemas: INSS – i-ene-ésse-ésse; URFJ: u-éfe-erre-jota (Lemos, 1994: 176).

A acrografia, ou seja, a grafia em abreviatura não constitui acrossemia, se tiver o caráter de ideograma, porque na acrografia temos o símbolo da palavra que evoca. Por exemplo, M.A. lemos Machado de Assis.

A acrossemia também acontece mediante a combinação de sílabas, como na braquissemia. Exemplo disso são os antropônimos (exemplo: Tassiane= Tasso + Liliane) que formam nomes próprios personativos; os hipocorísticos (exemplo: Mazé = Maria José), usados na linguagem familiar com a finalidade de expressar carinho, e por fim os oniônimos (exemplo: Claralate= Santa Clara + chocolate), que são nomes próprios referentes a marcas industriais.

Fontes
MONTEIRO, José Lemos. Morfologia portuguesa. Campinas, Pontes, 1991, p. 175-6.

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