Morfema

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Por Denyse Lage Fonseca

Segundo Cunha e Cintra (2008, p.90), os morfemas são as unidades significativas mínimas que, ao se unirem, compõem cada palavra, formando um todo semântico. Há diferentes processos relativos à construção de um novo vocábulo. Para o início de nossos estudos, sugere-se a leitura do poema Lição de Gramática, de David Chericián.

Lição de Gramática

Eu estou, você está,
e ela está, e ele também;
e todos que estavam estiveram
e estão muito bem.
Estamos, estaremos
nós, ela e ele
estarão lado a lado, eu, que estive,
estarei.
E, se acaso estivesse
alguém que não tenha estado naquela vez,
bem-vindo!, porque estar é o que importa
_ e que todos estejam.

Note que o poema desenvolve a sua ideia em torno do verbo “estar”. A alusão à conjugação verbal, como algo inerente às aulas de Língua Portuguesa, foi utilizada a fim de representar a rede de relacionamentos entre as pessoas. Busca-se ressaltar a relevância do ato de o indivíduo “estar”, isto é, de se fazer presente, uma vez que é isso que importa na vida. Constrói-se uma espécie de ciranda, da qual todos os seres fazem parte. Observe que o verbo “estar”, ao fazer referência às pessoas, originou diversificadas formas verbais, num processo chamado de “flexão”: a princípio no tempo presente, Eu estou, Ela está, Todos estão, Nós estamos e, posteriormente, no tempo futuro, Estaremos nós, Ela e Eles estarão, Eu estarei. Sob esse aspecto, é evidenciado o caráter perene do ato de “estar”. Vale destacar que um verbo na forma infinitiva (cantar, beber, dirigir, propor) gera diferentes formais verbais, a partir de suas respectivas bases, (morfemas nos quais reside a ideia central da palavra), com o intuito de se fazer a adequada referência às pessoas.

Os morfemas são compostos por:

  1. Radical (também chamado de “base”): constituinte que designa a ideia básica da palavra e, a partir do qual, novos vocábulos são formados.Exemplos: dúvida – duvidosa – indubitável

    Vale elucidar que as palavras oriundas de uma mesma base são denominadas “cognatas”.

    Uma curiosidade: há vocábulos constituídos de apenas um radical: céu, luz.

  2. Afixos - morfemas que se unem à base, por meio da qual novas palavras são formadas. Segmentam-se em:
    1. Prefixo - morfema que se posiciona a frente do radical:repisar (re + pisar): prefixo que indica a repetição de algo. O verbo, em questão, significa, no sentido literal, pisar novamente e, no conotativo, repetir um dizer variadas vezes. Essa mesma ideia se faz presente em: repensar, reavaliar, rememorar.
    2. Sufixo - morfema que se coloca após o radical:operário (operar + ário): sufixo que designa um profissional ou uma função exercida, nesse caso, aquele que tem a função de operar algo. Outros exemplos: voluntário, estagiário, veterinário.

Para concluir: Os morfemas são as menores unidades significativas que integram um vocábulo, formando um todo semântico. O morfema “base” gera novas palavras, quando acrescido de prefixo e/ou sufixo, cujos sentidos auxiliam na compreensão do vocábulo em sua totalidade. Nessa instância, é imprescindível o conhecimento da essência constitutiva da palavra, objetivando ao enriquecimento vocabular.

Referências:
BASÍLIO, Margarida. Formação e classe de palavras no português do Brasil. São Paulo: Contexto, 2004.

CHERICIÁN, David. Lição de Gramática. In:___Poemas com sol e sons. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Palavra e Morfema. In: ___ Nova gramática do português contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, p.89- 96.

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