Orações subordinadas adjetivas e adverbiais

Orações subordinadas adjetivas

As sentenças ou orações subordinadas adjetivas se relacionam a um nome (substantivo ou pronome) presente na sentença principal, por intermédio do pronome relativo. Vale destacar que as referidas orações desempenham a função de “adjunto adnominal”, dividindo-se em:

  1. Orações restritivas: restringem a significação do nome a que se referem (especificando-o) e, por isso, são indispensáveis à compreensão dos enunciados:

    O ser humano que não pratica atividade física vive menos

    Especifica-se: Não são todos os seres humanos que viverão menos, mas somente aqueles que não praticam atividade física.

  2. Orações explicativas: agregam uma característica acessória ao nome a que se referem e, por isso, são dispensáveis à compreensão do significado essencial do enunciado:

    O ser humano, que se diz racional, é capaz de cometar atrocidades.

Note que a inserção da oração adjetiva, sinalizada pela vírgula, tem por propósito explicar o termo anterior “seres humanos”, conferindo-lhes uma característica que é indistintivamente inerente a eles. Nesse sentido, a oração adjetiva explicativa tem valor acessório, já que se poderia dizer “O ser humano é capaz de cometer atrocidades”. Porém, ao ser empregada, nesse caso, cumpre com o objetivo de questionar de forma irônica algo que é fato: a racionalidade humana.

Orações subordinadas adverbiais

As sentenças ou orações subordinadas adverbiais, ao exercerem a função de adjunto adverbial, indicam as circunstâncias, em que ocorreram o fato verbal presente na oração principal. As orações supracitadas se classificam consoante à ideia expressa [sugerida, em sua maioria, pelo próprio nome da conjunção] pela conjunção que as conecta:

  1. Temporal:

    Eles só fizeram as pazes, depois que o mal entendido foi esclarecido.

    Mais exemplos: quando, enquanto, assim que, desde que, até que...

  2. Conformativa – definição de como foi feito algo:

    Ela fez as correções, conforme as orientações de sua professora.

    Outras conjunções: consoante à, segundo, como.

  3. Causal:

    Não foram ao show sertanejo porque choveu muito.

    Mais conjunções: uma vez que, já que, como, visto que...

  4. Condicional:

    Irei ao supermercado hoje se for preciso.

    Outros exemplos: a menos que, desde que, sem que, contanto que...

  5. Consecutiva – indicação de consequência:

    O sistema implantado pela empresa mostrou-se ineficiente, de modo que teremos de revê-lo.

    Mais conjunções: de maneira que, tão/tanto/tal/tamanho que...

  6. Comparativa:

    Ele nada como um peixe.

    Outros exemplos: como, mais/menos/maior/menor que...

  7. Final:

    Confio a Vós a minha dor, a fim de que me conforte.

    Outras conjunções: para que, que...

  8. Proporcional:

    À medida que as férias vão chegando, as pessoas vão se animando.

    Mais exemplos: à proporção que, quanto mais... mais, ao passo que.

  9. Concessiva:

    As vendas, relativas ao setor de cosméticos, permanecem em alta, embora o país esteja em crise.

    Note que a oração acima contém dois fatos:

    • Fato 1: As vendas do setor de cosméticos permanecem em alta.
    • Fato 2: O país está em crise.

    O fato 2, que consiste em um argumento real, poderia impedir que o fato 1 acontecesse: a crise, teoricamente, impede o crescimento do setor comercial. Porém, não o fez.

    Outros exemplos: ainda que, mesmo que, conquanto.

Para concluir: As sentenças subordinadas, como a própria nomenclatura sugere, são as orações que se subordinam a outras (às chamadas “principais”), complementando-as. Vale reiterar que as orações principais e as subordinadas se unem, por serem dependentes entre si, por meio de uma conjunção.

Leia também:

Referências:
BRASIL. Casa Civil da Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República. – Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm>.

CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Subordinação – A oração subordinada como termo de outra oração. In: ___ Nova gramática do português contemporâneo. 5.ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008, p. 612-631.