Jibóia

Mestre em Ecologia (UERJ, 2016)
Graduada em Ciências Biológicas (UFF, 2013)

As Jiboias (espécie Boa constrictor, Linnaeus 1758) são répteis da Ordem Squamata e estão incluídas na família Boidae, conhecida por ser a família das serpentes constritoras, e existem cerca de onze subespécies descritas na literatura. No Brasil são encontradas apenas duas subespécies de jiboia: a Boa constrictor constrictor e a Boa constrictor amaralis e são encontradas nos biomas: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. O nome popular Jiboia originou-se do Tupi-guarani, yi´mboya, e estas serpentes podem chegar a quatro metros de comprimento, porém é comum crescerem em média até dois metros. Elas possuem o corpo cilíndrico e ligeiramente comprimido nas laterais, evidenciando uma forte musculatura constritora.

Jiboia da espécie Boa constrictor amaralis. Foto: fivespots / Shutterstock.com

 

Jibóia da espécie Boa constrictor imperator. Foto: Natalia Kuzmina / Shutterstock.com

 

Jibóia (Boa constrictor). Foto: PiggingFoto / Shutterstock.com

Ao contrário do imaginário popular, as jiboias não são cobras peçonhentas, ou seja, não possuem presa inoculadora de veneno. Elas não são naturalmente agressivas ao homem, pelo contrário, estas cobras geralmente evitam a presença humana. Quando se sentem ameaçadas ou acuadas é que as jiboias se colocam em posição de defesa e pode expirar o ar dos pulmões com força produzindo um ruído característico, conhecido como “o bafo da jiboia”, que não é tóxico e nem causa manchas na pele do homem. Algumas vezes esta tática de defesa também inclui uma mordida por parte da serpente, porém é importante destacar que as jiboias estão apenas se defendendo e não procuram o homem para atacá-lo.

As jiboias desenvolvem suas atividades no período da noite, mas podem ser encontradas ativas durante o dia quando estão procurando abrigo ou alimento. Geralmente estas cobras possuem hábitos arborícolas e terrestres e se deslocam de forma lenta pelo substrato. Algumas jiboias também podem ter hábitos subaquáticos.

Sua dieta é carnívora e constituída por pequenos mamíferos (como roedores e morcegos), aves, anfíbios e lagartos. O bote é a estratégia adotada pelas jiboias para capturar suas presas em potencial. Ela enrosca a presa sobre o seu corpo, comprimindo-a com a sua musculatura corporal até que a presa morra por asfixia. Em seguida, a presa é engolida inteira pela jiboia que, dependendo do tamanho da presa, pode demorar até seis dias para realizar completamente a digestão.

São cobras vivíparas, ou seja, os embriões se desenvolvem todo dentro das fêmeas, e podem gerar até 64 filhotes numa mesma gestação que dura de 5 a 8 meses. As jiboias são serpentes que vivem solitárias e apenas durante o período reprodutivo que tendem a se agrupar para gerar a prole. Esta espécie é poligâmica, ou seja, um mesmo macho cruza com diversas fêmeas (Isaza et al. 1993; Bertona & Chiaraviglio 2003).

O interesse comercial por estes animais como pets tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Apenas nos Estados Unidos da América (EUA) mais de 18 milhões de pessoas criam serpentes e dentre as espécies compradas para este fim é a jiboia (Das & Banerjee 2004). Quando criadas desde o nascimento em cativeiro, a jiboia geralmente apresenta um comportamento pacífico, podendo chegar a pesar 40 kg e podem viver aproximadamente por 30 anos. É importante lembrar que ao adquirir um animal silvestre é preciso que o local de compra seja licenciado pelo órgão regulamentador responsável, pois a compra de animais sem procedência legal contribui com o tráfico ilegal de animais e afeta de forma negativa a biodiversidade.

Arquivado em: Répteis