Animais silvestres

Mestre em Ciências Biológicas (UFRJ, 2016)
Graduada em Biologia (UFRJ, 2013)

Animal silvestre é todo animal que não é domesticado, vivendo em ambientes naturais tais como florestas, savanas, lagos, oceanos, dentre outros. Os animais silvestres podem ser nativos ou exóticos.

Diz-se que uma espécie é nativa quando ela é natural de determinado ecossistema ou região, com seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites de sua distribuição natural. Esse conceito acaba sendo relativo, pois podemos ter uma espécie nativa de um bioma específico ou mesmo de um país.

Já os animais silvestres exóticos são aqueles cujo ciclo de vida ocorre em território distinto daquele tomado por referência. Por exemplo, a zebra é considerada um animal exótico ao Brasil, pois não ocorre no nosso território nacional, sendo um animal nativo da África central e do sul. Novamente a referência é importante, pois podemos ter uma espécie exótica a um estado, mas nativa de outro estado do mesmo país.

Uma espécie que consiga se adaptar, vivendo livremente e reproduzindo em um território diferente da sua área de distribuição natural é considerada como um animal exótico invasor. Sua proliferação pode trazer danos ao equilíbrio do ecossistema invadido, pois ela passa a competir com os animais nativos por recursos, como território e comida. Quando essa espécie invasora apresenta forte dominância sobre as nativas e se prolifera de forma desenfreada, ocorre a perda da biodiversidade e, em alguns casos, extinção de espécies daquele ecossistema ou região. Um exemplo de bioinvasão bem conhecido é o caso do coral-sol (Tubastraea spp.), espécie de coral nativa do oceano Pacífico que invadiu a costa do Brasil no oceano Atlântico. Essa espécie possui a capacidade de modificar o ambiente ao seu redor, promovendo sua permanência, e produz substâncias químicas prejudiciais à fauna e flora nativa.

Ainda que a espécie exótica invasora possa alcançar esse novo território de forma natural, a partir da sua capacidade de dispersão, muitas vezes ela é introduzida de forma não natural, acidental ou intencionalmente. As atividades humanas têm um grande papel na introdução de espécies exóticas. A água de lastro, por exemplo, utilizada por navios de carga para equilibrar seu peso é responsável por levar involuntariamente uma série de organismos como cnidários, moluscos e crustáceos. Com a liberação dessa água no porto de destino se dá a introdução de espécies no local. O tráfico de animais silvestres também pode ser uma porta de entrada para animais introduzidos.

Além disso, a caça e o comércio de animais silvestres, juntamente com a perda de hábitat pelo desmatamento, urbanização e poluição, representam fortes ameaças à biodiversidade, colocando muitas espécies em risco de extinção. Diferente dos animais domésticos, os silvestres não estão acostumados à presença dos seres humanos e a vida em espaços restritos. Grande parte dos animais traficados morre ainda durante o trajeto, como resultado de maus tratos e péssimas condições de transporte, muitas vezes confinados em espaços superlotados, sem água e comida. Mesmo os que chegam ao destino têm grandes chances de morrer prematuramente por se encontrarem em um ambiente que não possui os recursos necessários à sobrevivência daquela determinada espécie.

Referências:

Giovanini, D. 2001. 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre. RENCTAS - Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, Brasília, 108p.

Santos, J. G. S. & Lamonica, M. N. 2008. Água de lastro e bioinvasão: introdução de espécies exóticas associada ao processo de mundialização. Vértices, 10 (1/3): 141-152.

http://www.ambiente.sp.gov.br/fauna/informacoes/animais-silvestres-exoticos-domesticos-sinantropicos/

http://www.brbio.org.br/nossos-projetos/projeto-coral-sol/

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/animais_silvestres/

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