Líquido Cefalorraquidiano

Por Débora Carvalho Meldau
O líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor ou fluído cérebro espinhal, é definido como um fluído corporal estéril, incolor, encontrado no espaço subaracnóideo no cérebro e medula espinhal (entre as meninges aracnóide e pia-máter). Caracteriza-se por ser uma solução salina pura, com baixo teor de proteínas e células, atuando como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal.

Outra função deste líquido é fornecer nutrientes para o tecido nervoso e remover resíduos metabólicos do mesmo. É sintetizado pelos plexos coroidais, epitélio ventricular e espaço subaracnóide em uma taxa de aproximadamente 20 mL/hora. Em recém-nascidos, este líquido é encontrado em um volume que varia entre 10 a 60 mL, enquanto que no adulto fica entre 100 a 150 mL.

O LCR flui dos ventrículos através dos forames laterais e mediais, adentrando no espaço subaracnóide, recobrindo tanto o córtex quanto a medula espinhal. A reabsorção deste líquido ocorre nos vilos aracnóides, encontrando-se em maior número no seio sagital superior. Este líquido não se resume a um ultrafiltrado do soro: ele é gerado por filtrações através dos capilares coróides e posterior secreção e transporte ativo bidirecional de substâncias pelas células epiteliais coróides.

A barreira hemato-encefálica é uma barreira virtual que realiza trocas em ambas as direções entre o sangue, o LCR e o SNC. Esta barreira, que é totalmente desenvolvida nos adultos, impede a penetração de algumas substâncias que podem ser tóxicas para o SNC.

Para que seja feita uma análise detalhada do conteúdo do LCR, deve-se realizar uma punção suboccipital (logo abaixo do crânio) ou lombar (entre a terceira, a quarta e a quinta vértebras lombares). Este procedimento deve ser realizado sob condições totalmente estéreis e deve ser executada por um médico experiente. Subsequentemente ao procedimento, o paciente deve ficar sob repouso por um determinado período e hidratação forçada. Habitualmente a coleta é feita por gotejamento em três tubos estéreis, sendo que um é destinado às análises bioquímicas e sorológicas, outro é destinado à microbiologia e o terceiro, à citologia.

A análise clínica do Líquido Cefalorraquidiano inicia-se durante a coleta, na qual o profissional deve verificar a coloração deste líquido, sendo que este deve ser incolor, bem como o fluxo (se corre sob pressão ou somente em gotejamento lento, sendo este último o normal). A aparência anormal do LCR pode ser descrito como: cristalino ou turvo, leitoso, xantocrômico ou sanguinolento (ou hemorrágico). Este último deve ser diferenciado do acidente ocorrido durante a punção da hemorragia intracraniana. A xantocromia, uma coloração rosada, laranja ou amarela tem etiologia na degradação dos eritrócitos, presença de bilirrubina, caroteno, grande quantidade de proteínas ou pigmento de melanoma.

Fontes:
http://www.dem.feis.unesp.br/posgraduacao/tesespdf/josericardocamilopinto/capitulo_1.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADquido_cefalorraquidiano
http://saude.hsw.uol.com.br/cerebro-sistema-nervoso1.htm
Ilustração: http://www.control.tfe.umu.se/Ian/CSF/