Morcego

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Os morcegos pertencem à ordem Chiroptera da classe dos Mamíferos. São animais que as mãos sofreram modificações e se especializaram para o voo, como asas. Representam um quarto das espécies de mamíferos do mundo, chegando a mais de 1100 espécies descritas. Existem fósseis datados de 30 milhões de anos atrás e são os únicos mamíferos que voam. Existem duas subordens:

  • Megachiroptera: São os maiores morcegos, que conhecemos como Raposas voadoras. Encontradas na África, Oceania e Ásia. Podem pesar mais de 1,5 kg e possuir uma envergadura de até 2 metros. A maior espécie conhecida é a Pteropus vampyrus, da Indonésia. As raposas voadoras se alimentam de frutas.
  • Microchiroptera: São os morcegos que pesam de 2 a 200 gramas, podendo ter uma envergadura de 1 metro, sendo a maior espécie a Vampyrum spectrum e a menor a Craseonycteris thonglongyai.

Esta subordem tem uma dieta diversa: folhas, frutos, sementes, insetos, néctar, pequenos vertebrados e sangue. São animais muito importantes para o equilíbrio dos ecossistemas terrestres. Os insetívoros encontrados em quase todo o mundo representam a maior parte das espécies e fazem o controle populacional de pragas, sendo que um indivíduo pode comer 600 insetos por hora. Já os frugívoros espalham sementes dos frutos que comem através de suas fezes ou regurgito. Nectarívoros fazem a polinização de mais de 500 espécies de plantas, sendo essenciais na reprodução de muitas espécies. Dentre mais de 1200 espécies, apenas três são hematófagas e se restringem à América do Sul, sendo que uma delas ataca apenas aves.

Morcego da espécie Corynorhinus townsendii. Foto: US-Government / via Wikimedia Commons

Características

Possuem os cinco dedos e entre eles e o metacarpo alongado existe uma membrana, formando a asa que chamamos de patágio. Em algumas espécies existe outra membrana entre os membros posteriores e a cauda, que chamamos de uropatágio. A grande parte de morcegos é crepuscular e ou noturna (muitas espécies de raposas voadoras são diurnas) e vivem em locais escondidos e escuros, como cavernas.

Morcegos em uma caverna. Foto: Hendra Xu / Shutterstock.com

Possuem olfato, paladar e audição aguçados e os microchiropteras possuem um “sexto sentido” chamado de ecolocalização (biossonar que inspirou a produção dos ultrassons e sonares de navios). O morcego emite ondas ultrassônicas pela boca ou narinas, elas batem nos obstáculos e voltam na forma de eco. Ele capta esses sons e assim se orienta. Os hematófagos utilizam mais um sistema que é a termopercepção. Alguns morcegos hibernam, no período de escassez de comida, baixando seu metabolismo e usando gordura corporal como energia.

Morcego com asas abertas e voando. Foto: Lovely Bird / Shutterstock.com

Reprodução

Possuem uma ou duas gestações por ano na maioria das espécies. A gestação dura de 2 a 7 meses, variando conforme a espécie. Normalmente nasce um filhote por vez, já que a mãe o carrega grudado nela. Os filhotes se tornam independentes entre 6 e 8 semanas e atingem a maturidade sexual por volta dos dois anos de idade. Na maioria das espécies há um macho dominante que reproduz com várias fêmeas da colônia. O comportamento sexual entre as espécies varia muito.

Ameaças

São predados por animais, como aves maiores, cobras e felinos. São mortos pelo homem pela falta de informação quanto a sua importância. A família Desmodontinae é a mais acometida pela raiva e a contaminação é principalmente a animais de fazenda. Um morcego contaminado pela raiva apresenta mudanças em seu comportamento, como atividade diurna, desorientação e quedas no chão. Onde a doença raiva não é endêmica eles são inofensivos. O acúmulo de suas fezes pode ter fungos que causam a histoplasmose.

 

Referências:
Reis, N.R.; Peracchi, A.L.; Pedro, W.A.; Lima, I.P. Mamíferos do Brasil. 1.ed. Londrina: Nélio R. dos Reis, 2006. 153-156p.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Morcego

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