Ouriço-do-mar

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Os ouriços-do-mar são animais globulares espinhosos (equinodermos) da classe Echinoidea encontrados em todos os oceanos do mundo. São animais que se movem lentamente através de seus pés ambulacrários tubulares e, por este motivo, são comumente predados por estrelas-do-mar, alguns peixes, lontras e a indústria pesqueira humana. Em diversas culinárias, como a japonesa e no Mediterrâneo, são considerados iguarias com alto valor de mercado. Ambientalmente, algumas espécies de ouriço-do-mar são consideradas invasoras (carreadas principalmente por ação humana) e ameaçam o equilíbrio ambiental de diversas regiões costeiras. Também podem oferecer riscos para humanos e outros animais, já que algumas espécies possuem espinhos venenosos.

Ouriço-do-mar. Foto: NatureDiver / Shutterstock.com

Existem catalogadas cerca de 1000 espécies de ouriços-do-mar, muito estudadas desde o século XIX como organismo modelo para a biologia do desenvolvimento. Apesar de pertencerem ao reino animal e ao grupo dos bilaterais, devido a simetria de seu estágio larval, os ouriços-do-mar adultos possuem uma simetria secundária penta-radial, uma característica que também contribui para seu estudo. São filogeneticamente muito próximos dos pepinos-do-mar, formando com eles o subfilo dos Echinozoa.

O registro fóssil dos ouriços-do-mar é rico, datando do Ordoviciano, a cerca de 450 milhões de anos atrás. Isto porque eles possuem placas calcárias em seus corpos que sobrevivem ao rigoroso processo de fossilização. Alguns registros também incluem suas espículas, permitindo assim que paleontólogos estudem a diversificação e história evolutiva das diferentes ordens de ouriço-do-mar.

Locomoção

Assim como outros animais do filo Echinodermata, os ouriços-do-mar possuem um sistema ambulacrário hidrovascular que os auxilia em sua movimentação. A maior parte das espécies de ouriço tem um tamanho corporal médio de 8 cm, com raras exceções que podem chegar a 30 cm. Seus órgãos internos ficam dentro de uma estrutura de carbonato de cálcio rígida coberta por sua epiderme. Estas placas duras são divididas em cinco áreas interambulacrárias que possuem projeções onde os espinhos se fixam. Os ouriços-do-mar produzem essas placas através de um processo catalítico de conversão do dióxido de carbono dissolvido na água em carbonato.

Alimentação e respiração

Os ouriços-do-mar se alimentam através da boca, que fica na porção inferior de seus corpos. Possuem estruturas labiais cercadas por brânquias e pés tubulares modificados. Um traço característico dos ouriços-do-mar é a presença da lanterna-de-Aristóteles, um órgão de mastigação e manipulação alimentar composto por cinco placas de carbonato em torno de uma projeção que funciona como uma língua. O esôfago conecta a área bucal ao estômago, ligado ao intestino que circula e preenche parte da cavidade corporal. Por fim, o ânus dos ouriços-do-mar expele os resíduos da alimentação na parte superior do corpo, localizado próximo a placa madrepórica, estrutura que serve de válvula de filtração do sistema ambulacrário.

Ouriço-do-mar. Foto: Riccardo Maccarini / Pixabay

Os ouriços-do-mar possuem um complexo sistema de vascularização conectado a placa madrepórica através do canal pétreo. Pequenos tubos e tentáculos conectam todo o celoma do animal, permitindo trocas gasosas e equilíbrio osmótico. Células fagocíticas especializadas neste sistema realizam o transporte interno de nutrientes que nutre todos os tecidos do corpo. Quando a concentração de oxigênio nos tecidos sofre uma queda, músculos associados a lanterna-de-Aristóteles bombeiam fluidos para as brânquias que ficam próximas a boca fornecendo um fluxo inconstante de oxigênio.

Sistema nervoso

Assim com as estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar não possuem um órgão cerebral central e definido. Ao redor da lanterna-de-Aristóteles pode ser encontrado um anel neural, do qual são projetados de modo radial cinco nervos para cada extremidade do corpo, subdividindo-se em nervos menores ligados aos pés tubulares e as pedicelárias, apêndices finos e valvulares que removem detritos do corpo, expulsando-os para o ambiente. Estes apêndices, assim como algumas células sensórias espalhadas pela derme e os espinhos compõem o sistema sensorial dos ouriços-do-mar. Eles normalmente se afastam de fontes luminosas, buscando abrigo em locais sombreados.

Reprodução

Em relação a reprodução, os ouriços-do-mar são dioicos (apesar de não possuírem características externas que permitem distinguir machos e fêmeas), com grandes gônadas ocupando uma parte expressiva de sua cavidade corporal. Esses órgãos possuem um tamanho expressivo porque também tem a função de estocagem de nutrientes. Os gametas são liberados no ambiente através de gonoporos próximos ao ânus. A fertilização ocorre externamente e o desenvolvimento é indireto, com diversos estágios larvais até a formação do corpo adulto.

Referências:

Hickman, C.P., Roberts, L.S. and Keen, S.L., 2016. Princípios integrados de zoologia . Grupo Gen-Guanabara Koogan.

Guidetti, P., Terlizzi, A. and Boero, F., 2004. Effects of the edible sea urchin, Paracentrotus lividus, fishery along the Apulian rocky coast (SE Italy, Mediterranean Sea). Fisheries Research66(2-3), pp.287-297.

Thompson, J.R., Petsios, E., Davidson, E.H., Erkenbrack, E.M., Gao, F. and Bottjer, D.J., 2015. Reorganization of sea urchin gene regulatory networks at least 268 million years ago as revealed by oldest fossil cidaroid echinoid. Scientific reports5(1), pp.1-9.

Arquivado em: Equinodermos