Pepino-do-mar

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Os pepinos-do-mar são animais marinhos equinodermos da classe Holothuroidea que ocorrem nos assoalhos oceânicos do mundo todo. Seus corpos são alongados, alcançando em média 25cm (embora existem espécies de poucos milímetros e outras que passam de 1 metro) e podem apresentar diferentes cores, com texturas coriáceas. Foram descritas mais de 1500 espécies ao redor do globo, com destaque para uma grande diversidade nos mares asiáticos, onde pepinos-do-mar são cultivados em aquicultura para consumo alimentar.

Embora tenham uma aparência diferente dos demais Echinodermata, sem apresentar estruturas rígidas visíveis ou uma simetria radial como estrelas-do-mar e ouriços, os pepinos-do-mar compartilham com estes grupos de animais diversas outras características, como a presença do sistema ambulacrário hidrovascular. Um traço marcante dos pepinos-do-mar são seus tentáculos orais, que variam grandemente em quantidade, tamanho e até mesmo presença entre as espécies, sendo um aspecto chave utilizado para identificação e taxonomia.

Synapta maculata, maior espécie de pepino-do-mar, chegando a 3 metros de comprimento. Foto: Philippe Bourjon / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Por ocuparem habitats nas profundezas do oceano, seus corpos gelatinosos os auxiliam na locomoção, sendo capazes de se arrastar e até mesmo saltar. Eles se alimentam de detritos orgânicos suspensos na água e plâncton. Seus tentáculos orais capturam o alimento e o direcionam para a boca, na porção anterior do corpo. Dependendo da espécie, a faringe pode se conectar em um estomago ou diretamente ao intestino. É nesta porção do corpo que ocorre a única estrutura esquelética dos pepinos-do-mar, com placas calcáreas nas quais se ancoram tanto os músculos que retraem os tentáculos e quanto aqueles envolvidos na contração das paredes corporais. Com intestinos longos e retorcidos, seu sistema digestivo termina em uma câmara cloacal ou ânus (dependendo da espécie).

Um hábito curioso dos pepinos-do-mar se relaciona com a fuga da predação. Para distrair potenciais predadores e sobreviver aos ataques, estes animais realizam a estratégia da evisceração, na qual expelem parte de suas vísceras no ambiente. Já em segurança, os pepinos-do-mar são capazes de regenerar os tecidos perdidos, um custo energético melhor do que a morte.

Assim como os outros membros do filo, os pepinos-do-mar não apresentam um cérebro definido. Seus sistemas nervosos são compostos por um anel de tecido neural localizado na cavidade oral e cinco nervos principais que percorrem o corpo. Terminações nervosas ocorrem em diversos pontos da derme, relacionadas a sensibilidade luminosa e espacial.

Aderidas a câmara cloacal se encontram um par de árvores respiratórias, estruturas especializadas em extrair oxigênio da água. Sendo assim pode-se considerar que os pepinos-do-mar “respiram” através do fluxo de água que entra e sai pelo ânus. A troca gasosa ocorre devido a composição celular fina dos tubos que compõem estas árvores, carreando oxigênio para os tecidos adjacentes. Esta mesma estrutura com função respiratória expele a amônia, principal excreta nitrogenada destes animais.

Papino-do-mar da espécie Stichopus herrmanni. Foto: Frédéric Ducarme / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Reprodução

A reprodução dos pepinos-do-mar varia consideravelmente entre os gêneros já descritos. O modo mais comum envolve os adultos dioicos expelindo seus gametas no ambiente, onde ocorre a fecundação externa e o desenvolvimento indireto com estágios larvais, como é observado em muitos outros equinodermas. Contudo, dezenas de espécies de pepino-do-mar fertilizam seus ovos internamente, inserindo o zigoto em cavidades corporais a fim de que se desenvolva protegido. Quando o indivíduo juvenil está suficientemente desenvolvido, ele rompe a parede corporal (na área próxima ao ânus) de seu progenitor e passa a viver livremente.

Ecologia

Uma série de espécies de camarões, caranguejos, vermes e até peixes desenvolveram evolutivamente relações simbióticas comensais com os pepinos-do-mar que geralmente envolvem o uso do tegumento ou da cavidade cloacal como local de vida para proteção e alimentação.

Os pepinos-do-mar são mais consumidos na culinária asiática, especialmente a chinesa, com estudos recentes mostrando que seu consumo pode estar relacionado a benéficos de saúde, como alivio de dores nas juntas e de artrite.

Referências:

Kiew, P.L. and Don, M.M., 2012. Jewel of the seabed: sea cucumbers as nutritional and drug candidates. International journal of food sciences and nutrition63(5), pp.616-636.

Hickman, C.P., Roberts, L.S. and Keen, S.L., 2016. Princípios integrados de zoologia . Grupo Gen-Guanabara Koogan.

Byrne, M.A.R.I.A., 2001. The morphology of autotomy structures in the sea cucumber Eupentacta quinquesemita before and during evisceration. Journal of Experimental Biology204(5), pp.849-863.

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