Comensalismo

O comensalismo é uma relação ecológica interespecífica, ou seja, ocorre entre indivíduos de espécies diferentes, onde uma das espécies obtém para si benefícios, enquanto a outra não possui ganhos nem prejuízos. A espécie que obtém ganhos é denominada como comensal, e seus ganhos, como o nome da relação sugere, estão relacionados à aquisição de alimento.

Um dos exemplos mais clássicos desta relação é o que ocorre com o peixe rêmora e o tubarão. A rêmora possui uma nadadeira dorsal transformada em uma estrutura que funciona como uma ventosa, que se fixa no corpo do tubarão. Ao ser transportada pelo tubarão, ela aproveita para se alimentar dos restos de alimento deixados por ele. Para o tubarão, a presença da rêmora se alimentado é indiferente.

Relação de comensalismo entre rêmoras e tubarão. Foto: Michael Bogner / Shutterstock.com

São outros exemplos deste tipo de relação:

  • Leões e hienas: nesta relação, a espécie comensal é a hiena. Assim que os leões (Panthera leo) se alimentam, as hienas, que ficam à espreita, se aproveitam para comer os restos deixados por eles.
  • Anêmonas-do-mar e peixe-palhaço: o peixe-palhaço é a espécie comensal. Para se proteger, costuma se esconder nos tentáculos das anêmonas e, eventualmente, aproveita-se de restos de alimentos deixados por elas. Os tentáculos urticantes das anêmonas que lhes protegem contra predadores, por sua vez, não afetam o peixe-palhaço, pois este possui um muco que reveste e protege seu corpo.
  • Guepardos e abutres-de-costas-brancas: os abutres-de-costas-brancas (Gyps africanus) são aves comensais de diversos felinos, e um deles é o guepardo (Acinonyx jubatus). Os abutres ficam, à distância, acompanhando os guepardos se alimentarem de suas presas. Quando estes concluem e deixam restos de carne, os abutres se aproveitam e servem-se da carne desprezada.
  • Formigas-correição e papa-taoca-do-sul: formiga-correição é o nome popular dado à cerca de 200 espécies de formigas carnívoras, conhecidas por realizarem marchas periódicas pelas florestas em busca de alimento e de novos locais para a construção de seus ninhos. Durante esta marcha, que reúne milhares de formigas, pequenos animais como insetos saem de suas tocas para tentarem fugir. Nisto, algumas aves como o papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera) aproveitam-se dos animais que saem das tocas para captura-los e alimentarem-se.
  • Seres humanos e urubus: nos lixões, os restos de alimento (carne em decomposição) jogados fora pelo homem, atraem urubus-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), que os reaproveitam para alimentarem-se.

Referência:

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia das Células 1. 4ª edição. São Paulo: Editora Moderna, 2015.