Cro-Magnon

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

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Cro-Magnon foi o nome dado aos vestígios fósseis de humanos (Homo sapiens) encontrados em um abrigo de pedra no sítio arqueológico em Les Eyzes (imagem abaixo), sudoeste francês, no ano de 1868. Seu nome vem do sítio arqueológico, chamado Abri de Cro-Magnon. Como a descoberta foi por acaso, durante as obras para a construção de uma estrada, a pesquisa ficou a cargo do notável geólogo francês Édouard Lartet (1801-1871), resultando na descoberta de cinco exemplares diferentes, quatro adultos e uma criança.

Abri de Cro-Magnon, França. Foto: Rilba / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Na época de sua descoberta os cientistas consideraram a hipótese de se tratar de uma espécie diferente dos Homo sapiens e dos Homo Neanderthalensis. A medida em que novos fósseis semelhantes foram encontrados em cavernas na Europa e na Ásia, pesquisadores atribuíram o nome de Cro-Magnon.

Porém, a partir de novas evidências os pesquisadores chegaram ao consenso de que se tratava de exemplares de antigos Homo sapiens e posteriormente o termo Cro-Magnon caiu em desuso para classificar uma espécie. Desta forma, passou a ser utilizado na linguagem comum como um nome para os humanos modernos ancestrais dos europeus (European Early Modern Humans), os primeiros Homo sapiens a chegarem ao continente, aproximadamente 45 mil anos atrás.

Características

Os ossos de Cro-Magnon eram robustos e provavelmente carregavam fortes músculos, guardando certa semelhança com o Homo neanderthalensis, com quem conviveram durante milhares de anos. Sua altura variava entre 1,65 m e 1,70 m. O crânio, porém, é de Homo sapiens, apesar de ser maior. Em média 1600 cm³ (imagem abaixo).

Crânio de Cro-Magnon (Georgian National Museum). Foto: Mostafameraji / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Estes primeiros humanos eram seminômades e exímios caçadores. Construíram abrigos temporários com pedras, presas e pele de animais. Abatiam suas caças mais como os neandertais que os sapiens mais modernos, aproximando-se e atacando com uma arma perfurante. Depois carregavam as carcaças e precisavam abrir e cortar a carne e ossos, um trabalho que demandava grande força física. Além da caça, mantinham uma dieta variada com indícios da inclusão de plantas na alimentação.

Cultura

O início da ocorrência dos Cro-Magnon na Europa aconteceu alguns milhares de anos após o florescimento criativo no Paleolítico Superior, 50 mil anos atrás. Isto foi reforçado pelos materiais encontrados com os primeiros Homo sapiens da Europa, dentre eles materiais feitos de marfim, ossos e pedras bem trabalhadas, conhecidos como cultura Aurignaciana.

São notáveis suas pinturas e esculturas, como o “feiticeiro” de Les Trois-Frères, nos Pirenéus franceses; as esculturas femininas conhecidas antigamente como “Vênus” e o “Homem-leão” (foto abaixo), datado de 40 mil anos atrás. Esta figura humana com cabeça de leão foi encontrada em 1939 nos alpes suábios, sul da Alemanha, e pode estar ligada ao xamanismo. Isto é, as práticas religiosas destes humanos envolviam a possibilidade de humanos assumirem a perspectiva de um animal e vice-versa.

Homem-leão. Museu de Ulm, Alemanha. Foto: Dagmar Hollmann / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Além da cultura material, paleoantropólogos descobriram que os primeiros Homo sapiens na Europa cuidavam dos seus feridos e enterravam os mortos. Os vestígios encontrados foram de pessoas enterradas em um funeral, acompanhadas de objetos e ervas queimadas. Estes humanos também tinham marcas cicatrizadas, indicando que foram tratados e se recuperaram de lesões.

A cor e o destino dos Cro-Magnon

Embora muito se especule, em especial pelo fato de sua ocorrência ter sido na Eurásia, o mais aceito é que os Cro-Magnon tinham a pele escura. A ocorrência da pele branca entre os Homo Sapiens data apenas de 14 ou 12 mil anos atrás, época em que estes primeiros humanos, denominados Cro-Magnon, estavam praticamente absorvidos e substituídos pelos humanos culturalmente modernos.

Em 2003 cientistas analisaram amostras do genéticas de dois exemplares de Cro-Magnon, de aproximadamente 24 mil anos atrás, e identificaram a presença do Haplogrupo de DNA mitocondrial (mtDNA) N. Esta variação característica é encontrada em humanos na Europa, na península arábica, na Ásia, na Melanésia e entre os nativos americanos.

Leia mais:

Referências:

CRO-Magnon 1. Smithsonian National Museum of Natural History. Disponível em: https://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/fossils/cro-magnon-1. Acesso em 17/09/2021.

FAGAN, Brian. Cro-Magnon: How the Ice Age gave birth to the first modern humans. Bloomsbury Publishing USA, 2011.

NEVES, Walter. A SAGA da Humanidade -- Aula 3 (Evolução em mosaico). Publicado pelo Canal da USP [S. l.; s. n]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nYb4kbYwANE. Acesso em: 13/09/2021.

_____________. A SAGA da Humanidade -- Aula 11 (Homo Sapiens). Publicado pelo Canal da USP [S. l.; s. n]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AwAq2xCqXDo. Acesso em: 13/09/2021.

THE editors of Encyplopaedia Brittanica. Cro-Magnon. Encyplopaedia Brittanica. 29 de maio de 2020. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/Cro-Magnon. Acesso em: 17/09/2021.