Homo sapiens

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

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Homo sapiens, também conhecidos como humanos modernos (imagem abaixo), é a única espécie de hominina do gênero homo remanescente. Em 2021, estima-se sua população global em torno de aproximadamente 7,8 bilhões de indivíduos, espalhados por todas as massas continentais.

Cientistas discutem se o presente pode ser caracterizado como a “era do Antropoceno”, iniciada com os testes nucleares, em 1945, e desde então marcada pela maior capacidade humana em esgotar recursos, destruir biomas e levar o planeta ao limite, colocando em risco a própria existência.

Fotos: Pixabay

Parte significativa dos Homo sapiens do século XXI vive em grandes agrupamentos de pessoas, chamadas de cidades; outra parte considerável vive sedentarizada em regiões de plantio, agricultura e pastoreio. Há também grupos de Homo sapiens que vivem de maneira nômade ou semi-sedentária em florestas, desertos, estepes, savanas, tundras, montanhas, na órbita da terra e em espaços virtuais.

Origem e dispersão

Os primeiros Homo sapiens surgiram há aproximadamente 160 mil anos, no leste africano. Este, de fato, considerado o humano moderno, hipótese foi reforçada por estudos genéticos sobre DNA mitocondrial. Existem fósseis mais antigos anteriormente atribuídos ao Homo Sapiens, de 300 mil anos atrás, todavia, estes ainda possuem características híbridas com o Homo heidelbergensis/rhodesiensis.

O Homo sapiens conviveu com outras espécies de hominina do gênero homo durante aproximadamente 120 mil anos. Embora tenha visto a extinção dos outros, e talvez tenha responsabilidade indireta nestes processos, o Homo sapiens também se misturou a diferentes espécies, embora ainda não se saiba o quanto. Tal cruzamento foi comprovado a partir de fósseis e pesquisas genéticas que descobriram variantes de genes ancestrais em pessoas nas diversas partes do mundo, o que também derrubou a hipótese da evolução como processo linear.

Apesar de certas pessoas no mundo terem variações genéticas derivadas de outras espécies humanas, há apenas uma espécie dominante, caracterizada pela estrutura genética onde todos carregam uma combinação média de 30 mil genes. Estas variações relacionadas a outras espécies também não definem a cor ou características físicas dos humanos.

Cientistas concordam que as diferenças físicas entre Homo sapiens decorrem de múltiplos fatores possíveis e mesmo acidentais. Dentre eles podemos citar as constantes variações climáticas ao longo de milhares de anos; o processo migratório de caráter episódico, resultando em períodos de isolamento, que por sua vez foram seguidos de novos encontros e cruzamentos entre humanos.

Características

Fisicamente o Homo sapiens difere das espécies ancestrais em muitos aspectos. A começar pelo tamanho do crânio, em média 1350 centímetros cúbicos, bem maior que do Homo erectus (700 a 1200cc), mas menor do que do Homo neanderthalensis (aproximadamente 1600cc). Plenamente adequado ao bipedismo, seus ossos são mais leves que dos outros Homo. Além da mandíbula e a arcada menores, os sapiens têm como característica única o queixo.

Os sapiens, porém, têm pouca variabilidade genética graças ao que pesquisadores chamam de “gargalo de garrafa”, ou seja, um momento em que poucos no mundo sobreviveram. Isso aconteceu provavelmente 75 mil anos atrás, após a erupção do super vulcão Toba, na atual Indonésia.

Tão importantes quanto as mudanças biológicas foram as mudanças culturais. A possibilidade de simbolizar e, consequentemente, imaginar sistemas complexos foi uma vantagem que o Homo sapiens teve como grande trunfo a partir de 50 mil anos atrás.

Graças a isso desenvolveu também grande capacidade comunicativa, que permitiu também domesticar animais, e tecnológica (imagem abaixo). Pesquisadores chamam esse marco como “Revolução criativa do paleolítico superior” e a compreendem como uma segunda fase do Homo sapiens, desta vez uma versão culturalmente moderna.

Graças a uma gestação relativamente rápida e pré-matura em relação a outros animais, os humanos nascem totalmente dependentes e precisam ser cuidados e ensinados durante anos. O que parece uma desvantagem, no entanto, pode ser o oposto, já que isto permite que o Homo sapiens seja formidavelmente adaptado as mais diversas condições climáticas e culturais.

Leia também:

Referências:

ARTAXO, P. Uma nova era geológica em nosso planeta: o Antropoceno?. Revista USP, [S. l.], n. 103, p. 13-24, 2014.

EVOLUÇÃO e dispersão dos hominídeos (Parte 2: demasiado humanos) (#Pirula 338.2). Publicado pelo Canal do Pirula. [S. l.: s. n.]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IK10Iqqzv1c. Acesso em: 11/09/2021.

NEVES, Walter. A SAGA da Humanidade -- Aula 3 (Evolução em mosaico). Publicado pelo Canal da USP [S. l.; s. n]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nYb4kbYwANE. Acesso em: 13/09/2021.

_____________. A SAGA da Humanidade -- Aula 11 (Homo Sapiens). Publicado pelo Canal da USP [S. l.; s. n]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AwAq2xCqXDo. Acesso em: 13/09/2021.

TATTERSALL, Ian. Homo sapiens. 12 de novembro de 2020. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/Homo-sapiens. Acesso em: 12/09/2021.