Célula progenitora

Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A célula progenitora é uma célula presente no adulto, no embrião ou no feto, derivada das células-tronco pluripotentes do tecido específico ao qual ela participa do desenvolvimento. Ela possui a capacidade de se proliferar e manter o tecido quando ele necessita de renovação celular. No entanto, ela só pode produzir células do tecido ao qual ela se encontra, ou seja, elas possuem especialização celular maior que as células-tronco que a derivaram.

Muitas vezes as células progenitoras são chamadas de células-tronco, pois ambos os conceitos estão ainda em desenvolvimento. Todavia, é preciso considerar a diferença entre os níveis de especialização e a capacidade de gerar um número maior de linhagens celulares dos dois tipos.

Nem todos os tecidos possuem células progenitoras após o seu desenvolvimento embrionário, como o caso do tecido muscular estriado. Porém, outros tecidos possuem essas células em seu acervo de renovação, como o tecido hemocitopoiético. Diante disso, veja alguns exemplos de células progenitoras.

Células progenitoras sanguíneas

Na medula óssea vermelha estão presentes células-tronco. Essas células, ao se dividirem, dão origem a duas células-filhas, uma delas continuará se desenvolvendo e a outra permanece na medula como uma célula-tronco de reserva, o que torna seu estoque praticamente inesgotável.

A célula-filha que vai continuar o seu desenvolvimento recebe o nome de célula progenitora sanguínea e terá pluripotência limitada, pois pode originar apenas células sanguíneas. Em seu curso de divisão, elas vão originar outras duas linhagens: linhagens das células linfoides, que vão formar os linfócitos, e das células mieloides, que vão originar os eritrócitos, os granulócitos, os monócitos e as plaquetas.

Por sua vez, essas células também são progenitoras, ou seja, célula progenitora linfoide e célula progenitora mieloide. Mas, possuem o que pode ser chamado de uni ou bi potência, diferente das suas originárias.

É importante citar que, ao contrário do que se acreditava inicialmente, as células-tronco da medula óssea têm uma capacidade de diferenciação celular que não se restringe às células sanguíneas. Inicialmente, as pesquisas nesta área restringiam-se à utilização de células-tronco embrionárias, mas lentamente caminha-se para a utilização daquelas obtidas de um indivíduo adulto. Assim, verifica-se a diferença nesse tecido entre as células-tronco, produtoras de várias linhagens celulares, e as progenitoras, produtoras de um número reduzido de linhagens.

Células progenitoras endoteliais

As células progenitoras endoteliais são capazes de formar células do endotélio, por isso, são importantes no reparo dos vasos sanguíneos e formação de novos vasos. Elas apresentam capacidade tanto de proliferar-se quanto de migrar e se diferenciar em células endoteliais em diversas regiões do corpo.

Ademais, elas possuem origem em diversas células, como os hemangioblastos, precursores não hematopoiéticos, monócitos ou células-tronco residentes em tecidos. Essas células precursoras endoteliais, encontram-se circulantes no sangue e vão se fixar nos vasos necessitados de reparo ou endotélio preexistente, além e apresentarem fenótipos de células hematopoiéticas e endoteliais maduras.

Células progenitoras neurais

As células progenitoras neurais, também chamadas de neuroprogenitores, são derivadas das células-tronco neurais. Ambas são responsáveis pelo desenvolvimento dos neurônios, astrócitos e oligodendrócitos. Elas participam da formação e amadurecimento do sistema neural na fase fatal e após o nascimento.

Além disso, tem-se observado células neuroprogenitoras na fase adulta, em algumas áreas do sistema nervoso central, como no cerebelo, na zona subventricular, situada entre o ventrículo lateral e o parênquima do estriado, e na camada subgranular da região do giro denteado no hipocampo.

No adulto, acredita-se que elas sejam responsáveis pela manutenção da integridade fisiológica e homeostase do sistema neural, já que esse sistema não apresenta alta capacidade de renovação.

Referências

AMABIS, J. M; MARTHO, G. R. Biologia das células. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2010.

MEDRADO, L. Citologia e Histologia Humana: Fundamentos de Morfofisiologia Celular e Tecidual: 1. ed. São Paulo: Érica, 2014.

SILVA, Jemima Fuentes Ribeiro da; ROCHA, Natália Galito; NOBREGA, Antônio Claudio Lucas da. Mobilização de células progenitoras endoteliais com o exercício em sadios: uma revisão sistemática. Arq. Bras. Cardiol., v. 98, n. 2, p. 182-191,  2012.

SUZUKI, Daniela Emi et al. Células-tronco e progenitores no sistema nervoso central: aspectos básicos e relevância clínica. Einstein, v. 6, n. 1, p. 93-96, 2008.

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