Consumo de insetos

Graduada em Ciências Biológicas (UNESP, 2001)
Mestre em Agronomia (UNESP, 2005)
Especialização em Gestão Ambiental (Anhanguera, 2010)

O consumo de insetos por seres humanos, também chamado de entomofagia (do grego entomon = inseto; fagia = fago = comer, surgiu com os primeiros hominídeos e atualmente está presente em mais de 100 países (Costa-Neto, 2003). Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) no ano de 2015 , predomina na Ásia, África e América Latina.

Para a cultura brasileira, comer insetos pode soar um pouco estranho, mas vale a pena conhecer um pouco melhor o assunto. Um dos produtos dos insetos, o mel, é amplamente consumido no Brasil e os próprios insetos em diferentes fases ou estádios de seu desenvolvimento podem ser consumidos como os ovos, larvas, pupas ou o inseto adulto, dependendo da espécie.

Insetos fritos. Foto: Charoenkrung.Studio99 / Shutterstock.com

Segundo Costa-Neto, a maioria das pessoas por questões estéticas e/ou psicológicas consideram os insetos como nocivos, sujos e os associam a picadas e transmissão de doenças. O que, segundo o autor, é reforçado pela mídia televisiva por meio de comerciais de venda de inseticidas.

O autor defende o consumo de insetos e critica essa aversão: “Faz com que uma quantidade considerável de proteína animal torne-se indisponível àquela parcela da população mundial que sofre com a fome e a desnutrição” (COSTA-NETO, 2003, p. 136).

Mesmo que indiretamente, os insetos acabam sendo consumidos, pois fragmentos de asas, pernas e antenas são encontrados nos alimentos e o FDA (Food and Drug Administration, agência governamental que controla venda de alimentos nos EUA) inclusive tem um limite de fragmentos para cada 100 g de determinados alimentos!

Vantagens

O consumo de insetos tem vantagens relacionadas ao meio ambiente e a sociedade e ao valor nutricional que possuem. A seguir, algumas dessas vantagens:

  • Constituem um recurso alimentar natural e renovável;
  • Possui em sua composição substâncias parecidas com as da carne animal que mais consumimos (como boi, galinha, peixe e porco);
  • Possuem grandes quantidades de proteínas, lipídios e também vitaminas;
  • Podem ser criados em sistemas de mini fazendas;
  • Proporcionalmente, possuem maiores quantidades de proteínas que a carne dos vertebrados;
  • Não utilizam extensas áreas de pasto e não requerem grande consumo de água como a produção de carne dos vertebrados;
  • Podem solucionar em grande parte o problema da fome e desnutrição nas regiões mais pobres do mundo.

São muitas as vantagens do consumo de insetos e, talvez seja uma questão de repensar a visão que temos deles na nossa vida. Para conhecer um pouco melhor o assunto, você pode visitar o site da FAO que traz informações a respeito dos benefícios ambientais e também da criação de insetos para consumo humano.

Fontes consultadas:

FAO: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. A contribuição dos insetos para a segurança alimentar, subsistência e meio ambiente. Disponível em: http://www.fao.org/3/d-i3264o.pdf. Acesso em: 03/01/2017.

COSTA-NETO, E. M. Insetos como fontes de alimentos para o homem: valoração dos recursos considerados repugnantes. Interciência. v. 28, n. 3, 2003. Disponível em: http://www.interciencia.org/v28_03/medeiros.pdf. Acesso em: 03/01/2017.

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