Ecologia aplicada

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

Publicado em 10/07/2019

No dicionário a definição de ecologia é “Ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si ou com o meio orgânico ou inorgânico no qual vivem”. Para Begon et al. 2007 a ecologia busca a compreensão de como um organismo afeta o ambiente e vice e versa.

Os humanos vêm desenvolvendo ao longo da sua história diversas atividades que causam impacto no ambiente, contaminando o solo, a água, poluindo o ar, degradando habitats. Essas atividades alteram os ciclos naturais e aumentam muito a chance de extinção de espécies.

A ecologia é uma ciência multidisciplinar que pode englobar ciências humanas, como as sociais, economia, ciência exatas, como física e química, uma vez que elas interagem na compreensão da estrutura e função da natureza e do homem como parte disso tudo.

Tipos de ecologia: Ecologia de populações, Ecologia descritiva, Ecologia vegetal, ecologia animal, Ecologia urbana, Ecologia ecossistêmica, Sinecologia e Autoecologia.

A ecologia aplicada busca transformar conceitos estudados na ecologia em ciência aplicada. Para conservação, por exemplo, aplica-se o conhecimento sobre os ecossistemas florestais, para diminuir o impacto ambiental causado pelas ações humanas. Os ecossistemas possuem por si só um equilíbrio. Para compreender isso, estudamos a função das espécies, a interação entre elas e o que o desequilíbrio que causamos, pode acarretar. Existem as relações ecológicas entre os seres vivos de um ecossistema, para manutenção do equilíbrio. Por exemplo, muitas espécies de plantas necessitam de animais polinizadores para concluir seu ciclo reprodutivo, a maioria delas precisam de animais dispersores, como aves e mamíferos, para dispersarem suas sementes; os decompositores ajudam na ciclagem de nutrientes; Os pássaros insetívoros ajudam no controle de pragas; Essas interações podem ser positivas ou negativas para as espécies envolvidas. A predação, por exemplo, é negativa para o animal que morre, servindo de alimento, mas além de ser positiva para o animal que se alimenta, naturalmente é uma forma de equilíbrio populacional dentro daquela comunidade.

Para contribuir para o meio em que vivemos, é necessário compreender sua complexidade, conhecendo a riqueza e a diversidade de espécies de uma área. E mais importante que isso, é estudar a biologia das espécies que ali existem. Entender o que uma espécie come, por onde se desloca, onde dorme, se reproduz, nos dá respostas do que ela precisa para sobreviver. Por exemplo, uma espécie generalista possui diversidade no hábito alimentar, conseguindo sobreviver em vários tipos de ambientes, inclusive, têm uma boa chance de viver em ambientes mais perturbados. Já uma espécie especialista, tem uma alimentação muito específica, vivendo em um nicho mais específico.

Nos fragmentos florestais temos o efeito de borda, o que significa que as condições de temperatura, luminosidade, entrada de vento são diferentes do interior da floresta. Então, encontraremos uma flora diferente na composição desse fragmento e consequentemente, a fauna também. Os especialistas estão mais ao centro do fragmento, onde as condições não variam tanto e os generalistas frequentam as bordas, podendo sobreviver até na matriz, em alguns casos.

Descobrir se uma espécie é especialista, nos direciona para o conhecimento do grau de sensibilidade às perturbações, que ela é capaz de suportar.

Esses conceitos nos ajudam a compreender que a riqueza (número de espécies) de um determinado local, não nos diz sobre o grau de conservação dele. Espécies de porte maior, como antas, grandes felinos (onças), jacutinga, entre outras, precisam de uma área maior para sobreviverem, falamos que elas necessitam de área de uso maior para se alimentar, deslocar-se, abrigar-se e se reproduzirem. Como temos um cenário atual de fragmentação de habitat intenso, essas espécies são mais raras. Estudos mostram que há um cálculo de relação direta entre o peso do animal e da área de uso dele. Este é um conhecimento ecológico que pode ser aplicado em iniciativas de conservação.

Com esses estudos, o homem pode buscar soluções que promovam o desenvolvimento sustentável e a manutenção do equilíbrio nos ecossistemas.

Referências:

Piratelli, A. J. e Francisco, M. R. Conservação da Biodiversidade dos Conceitos às Ações; Technical Books editora, 1° edição, 2013;

Begon,M.; Harper, J. L: Towsend, C. R. Ecologia: de indivíduos à ecossistema. Artmed, Porto Alegre, 2007.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia_aplicada

http://www.naturezaonline.com.br/natureza/conteudo/pdf/05_ValeVSetal_6775.pdf

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