Fixismo

Graduação em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2016)

Publicado em 01/04/2019

Atualmente grande parte dos estudos na área das ciências biológicas é influenciada por questões evolutivas com base em adaptações presentes nas diferentes populações de seres vivos passadas ao longo das gerações. A teoria da evolução foi proposta por Charles Darwin no século XIX, e desafiava as ideias correntes na época de que as espécies seriam imutáveis, ou fixas. O fixismo foi proposto inicialmente na Grécia Antiga por filósofos como Aristóteles e Platão, e defendia a ideia de que as espécies eram imutáveis ao longo do tempo, permanecendo as mesmas desde o momento da criação até os dias atuais. Esse pensamento perdurou por milhares de anos, e passou a ser contestado a partir do século XIX com a proposta e avanço da teoria da evolução a partir dos trabalhos de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace.

O fixismo pode ser definido então como uma corrente de pensamento que propõe que as espécies são imutáveis, sendo defendida inclusive por criacionistas e religiosos da época. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho incorporaram as ideias de Aristóteles em seus pensamentos dentro do cristianismo, atribuindo a essa corrente argumentos bíblicos. Assim, através de interpretações bíblicas acreditava-se que Deus havia criado toda a variedade de espécies existentes, desde as mais simples até as mais complexas, sem que ocorresse nenhuma transformação ou mudança ao longo das gerações. Os eventos de extinção de espécies eram explicados por eventos catastróficos apesar de não serem bem aceitos pelos criacionistas, uma vez que não eram bem explicados pela teoria de uma única criação divina.

Além das teorias bíblicas, o fixismo também foi defendido através da teoria da geração espontânea proposta inicialmente por Aristóteles, que sugeria o aparecimento de espécies a partir de matéria inanimada. Também foi proposta por Georges Cuvier a teoria do Catastrofismo, uma teoria fixista que defendia que eventos geológicos catastróficos seriam responsáveis pela extinção de diferentes espécies. Após esses eventos, novas espécies seriam criadas, chegando a diversidade de espécies atual. O naturalista Carl Linnaeus também foi um importante fixista, propondo o sistema de classificação biológica utilizado até hoje, o Systema Naturae.

A principal diferença entre correntes de pensamento fixista e evolucionista está na capacidade de espécies evoluírem de acordo com pressões ambientais e até mutações aleatórias nos genes. Muitas vezes a teoria da evolução é interpretada de forma errada como a melhora gradual dos indivíduos. Assim, é importante enfatizar que a evolução não age sobre o indivíduo, mas sim sobre as populações através da seleção natural, selecionando dentro de grupos heterogêneos as características mais vantajosas dentro de um determinado ambiente, e em um determinado momento. A evolução, diferente do fixismo, propõe mudanças nas frequências gênicas ao longo das gerações, dando às espécies a capacidade de mudarem ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas

[1] Fixismo. Disponível em: https://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Fixismo

[2] Fixismo. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fixismo

[3] Fixismo. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/mod/book/view.php?id=2434803&chapterid=20340

[4] O estudo da evolução dos seres vivos. Disponível em: http://www.ib.usp.br/evolucao/inic/text2.htm

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