Dimetil-mercúrio

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

O elemento químico mercúrio é o único metal que se apresenta no estado líquido em condições normais de temperatura e pressão (CNTP), ou seja, sob temperatura e pressão ambientes. Esse elemento é utilizado desde muito tempo em garimpos na preparação do ouro, pois este se une facilmente ao objeto de consumo dos garimpeiros, e separa o precioso ouro de diversos contaminantes indesejados. Logo após a formação da amálgama (nome dado a uma liga metálica na qual o mercúrio é um dos componentes) os garimpeiros aquecem esse produto sob elevadas temperaturas, de modo que o mercúrio é volatilizado e resta apenas o ouro, de maior ponto de ebulição.

Ambientalmente, no entanto, esse processo, realizado há décadas e de modo rudimentar, em recipientes diversos e abertos, é bastante danoso. O mercúrio é dessa forma liberado indistintamente ao meio ambiente, “em três momentos: na amalgamação, na queima da amálgama e posteriormente do concentrado de ouro (denominado ‘esponja’) que os garimpeiros vendem. Ao ser aquecido, o mercúrio se volatiliza e, por ser facilmente oxidável na atmosfera, é trazido de volta à superfície da Terra pelas chuvas e incorpora-se ao ecossistema, afetando homens, animais e plantas1.

No organismo humano, o excesso de mercúrio, o qual pode ocorrer devido à sua inalação direta ou ingestão de alimentos contaminados, é potencializador de uma série de distúrbios já conhecidos. Mais expostos estão os próprios garimpeiros, que sofrem constantemente com vômito e diarréia, podendo apresentar, de forma mais grave, problemas cardíacos ou ainda neurológicos. Dependendo do teor que o organismo humano tenha contato, pode ocorrer óbito.

Atualmente, há um rigor maior na prevenção da contaminação ambiental por mercúrio. Alguns órgãos de defesa, como o Cetrem e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) fiscalizam, sobretudo, os processos de garimpo, ainda comuns em determinadas regiões do país. Industrialmente, cabe a entidades como a ANVISA averiguar o descarte correto de mercúrio.

Ainda com relação à indústria, compostos residuais contendo o mercúrio, ao serem despejados em rios, reagem quimicamente, podendo transformar-se, sob ação de certas bactérias presentes nesses locais, em dimetil-mercúrio, de fórmula (CH3)2Hg. Tal composto é facilmente encontrado em determinados organismos aquáticos em proximidades a leitos industriais, mas isso vem diminuindo com o passar dos anos.

O dimetil-mercúrio é um composto solúvel em gordura (lipossolúvel), e invade a cadeia alimentar dos organismos aquáticos, pois estes são ingeridos por outros organismos, incluindo o homem. E assim como a maioria dos compostos de mercúrio, o dimetil-mercúrio é muito estável, acumulando-se por muito tempo nesses organismos.

Referências:
1. TITO & CANTO, Química na Abordagem do Cotidiano, Ed. Moderna, 2011.
RUSSELL, John B.; Química Geral vol.1, São Paulo: Pearson Education do Brasil, Makron Books, 1994.
MAHAN, Bruce M.; MYERS, Rollie J.; Química: um curso universitário, Ed. Edgard Blucher LTDA, São Paulo/SP – 2002.

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