Puritanismo

Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

O puritanismo foi um movimento religioso muito influente na Inglaterra, tendo posteriormente se tornado a principal tradição religiosa dos Estados Unidos da América, enfatizou a pureza e integridade do indivíduo, igreja e sociedade. Lutava pela purificação da igreja, descartando elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais conflitantes com a simplicidade e “pureza” bíblica.

Na Inglaterra, a mentalidade de “purificação” já existia desde o século 14 e originou esse movimento de purificação ou “puritano” no século 16, quando por lá chegou a Reforma Protestante. O puritanismo propunha uma reforma completa na igreja e se iniciou durante o reinado de Elisabete I (1558), sendo uma versão militante da fé reformada ou protestante que durou até o século 17.

A teologia puritana era de origem calvinista, com base na reforma suíça de Zwínglio, Bulinger, Bucer e Calvino. O governo de suas igrejas era presbiteriano (coletivo, com presbíteros eleitos pelas próprias igrejas) ou congregacional (de toda a congregação de fiéis). Os teólogos e reformadores ingleses foram influenciados pelos reformadores da Suíça e buscaram purificar a Igreja inglesa colocando a Bíblia acima da tradição e da autoridade dos clérigos. Principais teólogos: William Tyndale, John Hooper, John Knox. O puritanismo insistia na criação de uma sociedade cristã disciplinada e que a nação inteira poderia fazer uma aliança com Deus para a realização desse ideal.

Os puritanos nos reinados ingleses: Henrique VIII (1509-1547) criou a Igreja nacional da Inglaterra (Anglicana) e preservou muito da tradição católica. Eduardo VI (1547-1553) recebeu a influência dos reformadores que desejavam uma reforma profunda, a “purificação” da Igreja e se opunham aos anglicanos. No reinado de Maria I (Maria Tudor, de 1553 a 1558), esses líderes “purificadores” foram perseguidos, com muito derramamento de sangue que deu à rainha o título de Maria, a sanguinária (Bloody Mary), executora dos líderes protestantes: Hugh Latimer, Nicholas Ridley e Thomas Cranmer. Alguns fugiram para Genebra (John Knox e William Whittingham), Zurique e Frankfurt. No governo de Elisabete I (1558-1603), esses reformadores receberam o nome de “puritanos”, a partir da “Controvérsia das vestimentas” (1563-1567) em que propunham trocar as vestes clericais pelas togas genebrinas, abolir o sinal da cruz e muitas cerimônias e dias santos. Elisabete I resolveu intensificar a disciplina na Igreja e no Estado contra esses puritanos “não-conformistas”, aprovando (1593) rigoroso “Ato contra os puritanos”. O rei James I (ou Tiago I), de 1603-1625, tivera formação calvinista na Escócia e trouxe esperanças aos puritanos. Como a “Petição Milenária” dos puritanos foi rejeitada (em 1604), eles resolveram abandonar a Igreja Anglicana e um desses grupos foi para a Holanda e depois para a América do Norte, onde fundaram (1620) a Colônia de Plymouth (Massachussets). O rei Carlos I (1625-1649) manteve a repressão aos puritanos e outro grupo fugiu para Plymouth. Carlos I entrou em guerra contra os puritanos ingleses e presbiterianos escoceses. Como estes calvinistas puritanos eram a maioria no Parlamento, convocaram a Assembleia de Westminster (1643-1649) para elaborarem documentos que definiram a Fé Reformada. Carlos I foi derrotado na Guerra Civil que eles travaram pelo líder congregacional (calvinista) Oliver Cromwell. Executado este rei, Cromwell tornou-se o “Lorde Protetor” e assumiu o chamado “Protetorado” ou Comunidade Puritana (1649-1658) e a Igreja oficial da Inglaterra foi Presbiteriana e depois Congregacional. Com divergências sobre formas de governo dos puritanos, houve a restauração da Monarquia inglesa e o rei Carlos II (1660-1685) expulsou 2000 puritanos (1662), determinando o final do puritanismo anglicano.

Os puritanos dissidentes (“dissenters”) sobreviveram às perseguições e criaram igrejas batistas, congregacionais e presbiterianas. O rei James II (1685-1689) tentou restaurar o catolicismo na Inglaterra, mas foi derrotado pelo príncipe holandês, Guilherme de Orange (seu genro, casado com sua filha Maria), sem derramamento de sangue na chamada de Revolução Gloriosa. Os novos Reis Guilherme de Orange e Maria (1689-1702) concederam tolerância aos puritanos “dissenters”. Na Inglaterra o grande período puritano se passou, mas nos EUA foi forte desde o início da “Nova Inglaterra” (1620) até o Grande Despertamento (em 1740).

Referências bibliográficas:

CHAUNU, Pierre. O tempo das reformas (1250-1550): a Reforma protestante. Lugar na História, v. 49-50, Edições 70, 1993.

MARTINA, Giacomo. História da Igreja: de Lutero aos nossos dias. V. 1: A era da Reforma. São Paulo: Loyola, 1997.

SILVESTRE, Armando A. Calvino: o potencial revolucionário de um pensamento. São Paulo: Vida, 2009.

______. Calvino e a resistência ao Estado. São Paulo: Mackenzie, 2003.

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