Ancilostomose

Graduado em Ciências Biológicas (UNIFESO, 2014)

Ancilostomose é uma enfermidade caudada por duas espécies de helmintos, o Necator americanus e Ancylostoma duodenale. Popularmente conhecida como amarelão, a doença só acomete os seres humanos. Os helmintos que causam a ancilostomose em outros animais como os gatos e os cachorros não chegam a completar o ciclo de vida nos humanos, raramente sendo maléficas para a nossa espécie. Esse verme é muito comum nas áreas mais pobres do mundo, devido à falta de saneamento básico.

Helminto causador da ancilostomose. Foto: CDC.

Transmissão

A larva dessas espécies é encontrada em solos úmidos e aquecidos, penetrando a pele de humanos (principalmente pelos mês, ao andar descalço em superfície contaminada) ou pela alimentação. A larva migra para a corrente sanguínea chegando até os pulmões, indo dos alvéolos até a parte superior da sistema respiratório. Ao chegar na epiglote (conexão do tubo respiratório com o tubo digestório) o verme se aproveita da deglutição dos alimentos e líquidos ingeridos e percorre até o intestino delgado, onde ocorre a maturação sexual. Assim, se fixam na parede do intestino, perfurando-o para realizar a sucção do sangue para a sua alimentação. Nessa fase o animal pode viver até dois anos eliminando ovos através das fezes para o meio ambiente extracorpóreo. Esses ovos ao ficarem expostos a condições ambientais favoráveis eclodem após um ou dois dias eliminando larvas rabditiformes que ainda não estão prontas para causar a infecção. Entre o 5º e 10º dia essa larva evolui para a forma penetrante da pele, a forma filariforme. Nesse estágio o verme consegue sobreviver, dependendo das condições ambientais, de 3 a 4 semanas.

Sintomas

Os sintomas nos primeiros momentos após a penetração da larva não são apresentados, apenas pequenas lesões devido à coceiras no local da penetração. No pulmão, a larva pode causar a síndrome de Löffler por danificar os tecidos dos pulmões por excesso de células do sistema imunológico, os eosinófilos especificamente. Isso pode causar tosse com sangue, além dos barulhos ao respirar (sibilos), febre e falta de ar. Ao chegar no intestino, por estar retirando sangue do hospedeiro para alimentar-se é comum causar anemia ferropriva resultando em palidez, dificuldade de raciocínio, fraqueza, falta de ar, aceleração dos batimentos cardíacos e até acumulo de líquido que gera inchaço no local onde se fixa. Em gestantes essa perda de nutrientes pode resultar na má formação do feto e em crianças, à longo prazo pode causar problemas cardíacos.

Diagnóstico

O diagnostico é feito através do exame de fezes, no qual podem ser encontrados ovos e larvas.

Tratamento

O tratamento constitui em administração de antiparasitários e atenção às complicações que o verme causou, como a anemia, que pode ser melhorada através da alimentação.

Prevenção

Para prevenir a doença é recomendado evitar o contato direto da pele com o chão, utilizando calçados e forrar o chão com algo antes de sentar ou se deitar. Também é recomendado lavar as mãos sempre após a utilização do banheiro, não evacuar próximo de rios e poços, não utilizar adubo com excrementos humanos, não irrigar vegetais com água contaminada, além de higienizar os alimentos adequadamente antes do consumo, em especial legumes e verduras. A principal estratégia do governo é de vermifugar a população que vive em áreas de maior risco, principalmente crianças em idade escolar, com intervalos não maiores do que 4 meses. Mesmo não tendo grande impacto na espécie humana também é recomendado vermifugar periodicamente os animais domésticos.

Referências:

https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/nemat%C3%B3deos-vermes-filiformes/infec%C3%A7%C3%A3o-por-ancilostom%C3%ADdeos

https://www2.ibb.unesp.br/departamentos/Educacao/Trabalhos/obichoquemedeu/helminto_ancilostomose.htm

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1163&sid=8

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