Leptospirose

Mestre em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas (FIOCRUZ, 2011)
Graduada em Biologia (UGF-RJ, 1993)

A leptospirose é uma doença infecciosa provocada pela bactéria Leptospira interrogans. É considerada uma zoonose e ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Há predominância por regiões pouco desenvolvidas, com saneamento básico precário com proliferação de roedores. Os reservatórios são roedores, cães, gatos, bois, cavalos, cabras, ovelhas. Os animais domésticos (cães e gatos) mesmo vacinados são portadores e podem eliminar a bactéria junto com a urina.

Transmissão

A doença pode ser transmitida através da urina de animais e da água e alimentos contaminados. Os roedores são os principais transmissores da doença para o homem, pois estão em grande quantidade nas cidades e próximos dos habitantes. Ao ser eliminada pela urina, L. interrogans sobrevive em solos úmidos ou águas que possuam pH neutro (pH=7,0) ou alcalino (pH=7,1 a 14). A bactéria penetra pela pele e mucosas (olhos, nariz e boca). Não há comprovação de transmissão de pessoa a pessoa. No Brasil, a transmissão ocorre principalmente após enchentes, onde há contato com água contaminada com urina de ratos.

Sintomas

A doença pode ser pode ser assintomática. Quando há manifestação dos sintomas, a doença pode regredir espontaneamente de 3 a 7 dias sem deixar sequelas. Os sintomas principais, que se apresentam em 90% dos pacientes são: febre alta com calafrios, dor de cabeça e dor muscular. Em torno de 15% dos casos há evolução para a fase tardia, com manifestações graves e letais, incluído hemorragias, complicações renais, torpor e coma.

Diagnóstico

O diagnóstico se dá através de exames sorológicos (microaglutinação pareada, com coletas de sangue no início da doença e duas semanas após o seu início) e o isolamento da bactéria em cultura. Esse diagnóstico não é muito importante para o tratamento da pessoa doente, mas é importante para se prevenir uma possível epidemia da doença, principalmente após enchentes.

Tratamento

O tratamento é feito a base de antibióticos para que a doença não evolua para uma fora grave. Outra medida importante é a hidratação do doente. Não devem ser administrados medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico (AAS), porque pode aumentar o risco de sangramento. Pacientes que desenvolvem meningite ou icterícia devem ser internados. Formas graves (complicações renais) também necessitam de tratamento intensivo no hospital.

Prevenção

Para prevenir a doença, devemos evitar entrar em águas potencialmente contaminadas (provenientes de enchentes). Melhorar as condições das regiões periféricas das grandes cidades, promovendo a coleta de lixo regular, e o funcionamento de redes de esgoto e de drenagem de águas pluviais. A população também pode ajudar evitando jogar lixo nas ruas, evitando assim que o mesmo caia na galeria de águas pluviais, entupindo-a.

Bibliografia:

Gonçalves, Nelson Veiga; Araujo, Ediane Nunes de; Sousa Júnior, Alcinês da Silva; Pereira, Waltair Maria Martins; Miranda, Claudia do Socorro Carvalho; Campos, Pedro Silvestre da Silvia; Matos, Mauro Wendel de Souza; Palácios, Vera Regina da Cunha Menezes. Distribuição espaço-temporal da leptospirose e fatores de risco em Belém, Pará, Brasil. Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2016.

Leptospirose. Disponível em http://www.cives.ufrj.br/informacao/leptospirose/lep-iv.html

Soares, JL. Programas de Saúde. Editora Scipione

Tortora, Gerard J. Microbiologia. 10. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2012.

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