Linfogranuloma venéreo

Graduado em Ciências Biológicas (UNIFESO, 2014)

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Linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por três variações da bactéria Chlamydia trachomatis, denominadas de L1, L2 e L3. Essas três cepas são responsáveis pela infecção dos linfonodos inguinais que ficam na região da virilha. Essa doença é comum em alguns lugares da África, Ásia, América do Sul e Central, apresentando surtos de tempos em tempos na América do Norte. A doença é mais diagnosticada em homens e pelos praticantes de sexo anal, mas mulheres também podem apresentar sinais de infecção no trato urogenital.

Os sintomas dessa enfermidade são divididos em três estágios:

No primeiro momento, a presença de uma pequena ferida no lugar onde a bactéria penetrou, podendo ser na pele, no colo do útero, no canal vaginal, na boca ou no pênis. O ferimento aparece geralmente três dias após o ato sexual em que houve o contágio e pode evoluir para a necrose tecidual ou curar-se sozinho rapidamente, como ocorre na maioria das vezes.

Após duas semanas do contágio começa o segundo estágio, no qual os gânglios laterais apresentam sensibilidade e tamanho aumentados, sendo essa inflamação vindo acompanhada de febre. Nas mulheres, podem aparecer lesões com secreção purulenta no colo do útero, assim como na vagina, nos gânglios da região pélvica e retal, sendo comum também a presença de fístulas com sangue e pus. Esses sintomas podem demorar até quatro semanas para aparecer.

No terceiro e último estágio, as feridas se curam e as fístulas podem sumir, porém a inflamação pode se tornar crônica, causando edemas e lesões nos tecidos do sistema linfático da região pélvica, que acabam por servir de porta de entrada para infecções de outros agentes patogênicos.

É comum a presença de febre em todos os estágios, além de dores nas articulações e estreitamento dos vasos linfáticos. No primeiro estágio, caso a infecção tenha ocorrido pela porção do reto, pode haver ocorrência de fezes com secreção purulenta ou com sangue, além de estreitamento do canal retal e vontade de evacuar excessiva. Esse quadro intestinal pode lembrar uma doença intestinal inflamatória, atrapalhando no correto diagnóstico da doença. Vale ressaltar que em caso de piora, a doença pode evoluir para a elefantíase nas genitálias, tanto na masculina, quanto na feminina.

O diagnóstico geralmente é clínico, no qual o médico colhe o histórico sexual do enfermo e examina os linfonodos presentes na região de virilha. O exame laboratorial também pode ser requerido, sendo possível observar através do exame de sangue a existência de anticorpos produzidos para atacar a toxina produzida pela bactéria ou o próprio material genético da bactéria. Após o diagnóstico, todas as pessoas que tiveram relação sexual com o infectado nos últimos sessenta dias devem ser testados e caso confirme-se a presença de infecção estes devem começar o tratamento imediatamente.

A melhor forma de combate a doença é a prevenção, sendo assim, a utilização de camisinha, tanto feminina, quanto a masculina são necessárias, também sendo recomendada a higiene adequada do órgão genital após o ato sexual. O tratamento do linfogranuloma venéreo consiste no uso de antibióticos, sendo que nos casos mais graves pode haver necessidade de aspiração ou de procedimento cirúrgico para retirada do excesso de pus nos linfonodos.

Referências:

https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/doen%C3%A7as-sexualmente-transmiss%C3%ADveis-dsts/linfogranuloma-ven%C3%A9reo-lgv

http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/linfogranuloma-venereo-lgv

https://www.tuasaude.com/linfogranuloma-venereo/

http://www.dive.sc.gov.br/index.php/d-a/item/linfogranuloma-venereo

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-98802007000200017

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