Pular para o conteúdo

Síndrome de Cogan

Ouça este artigo:

A síndrome de Cogan é uma afecção multissistêmica rara que se caracteriza por ceratite intersticial não-sifilítica associada à alteração áudio-vestibular de surgimento abrupto e, geralmente, bilateral.

Esta síndrome foi descrita pela primeira vez em 1934 por Morgan e Baumgartner e, em 1945, o oftalmologista David Glendenning Cogan relatou 5 casos dessa enfermidade, passando a doença receber esse nome em sua homenagem.

Comumente afeta indivíduos entre 20 a 40 anos de idade e sua etiologia e fisiopatologia ainda não foram elucidadas; no entanto, é conhecido que existe associação com infecções das vias áreas superiores anteriormente ao aparecimento do quadro característico da síndrome de Cogan e hipóteses de prováveis agentes virais. Outros pesquisadores acreditam que se trata de uma doença auto-imune.

Existem duas formas clínicas distintas dessa doença:

  • Forma típica: afeta 90% dos portadores da síndrome. Habitualmente são encontrados achados corneanos clássicos, em associação com disfunção áudio-vestibular.
  • Forma atípica: apresenta inflamação ocular ou orbitária associada à disfunção áudio-vestibular, e maior incidência de sintomatologia sistêmica, especialmente ligados à vasculite. Com relação ao acometimento corneano nessa forma clínica, existem divergências na literatura.

O médico pode chegar ao diagnóstico por meio de uma adequada anamnese, juntamente com a realização de um exame físico detalhado. É  importante realizar o diagnóstico diferencial com outras doenças, como sífilis, tuberculose, infecção viral, infecção por clamídia e afecções reumáticas. É de grande importância que o paciente seja encaminhando ao oftalmologista para uma avaliação minuciosa dos olhos. Deve também ser realizada uma avaliação do sistema nervoso e do ouvido (testes auditivos, do equilíbrio e da função do ouvindo interno).

O tratamento dos quadros mais graves é feito por meio da administração de corticosteróides, objetivando reduzir a resposta inflamatória. Quando é necessária uma grande quantidade de esteróides, ou então, quando o tratamento com esses fármacos não está respondendo positivamente, muitas vezes, é recomendo o uso de fármacos imunossupressores adicionais. Dentre estes últimos, encontram-se o metotrexano, a ciclofosfamida, a ciclosporina e a azatioprina. Caso a doença tenha afetado os vasos sanguíneos, pode ser necessária a colocação do implante coclear.

Fontes:
https://web.archive.org/web/20090107090816/http://www.abonet.com.br/abo/686/850-852.pdf
http://www.scielo.br/pdf/abo/v69n6/a27v69n6.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/Cogan_syndrome
http://harvard.umic.pt/portal/server.pt/community/Doencas/Doencas$Detail?idDoencas=AZD0109_009

AVISO LEGAL: As informações disponibilizadas nesta página devem apenas ser utilizadas para fins informacionais, não podendo, jamais, serem utilizadas em substituição a um diagnóstico médico por um profissional habilitado. Os autores deste site se eximem de qualquer responsabilidade legal advinda da má utilização das informações aqui publicadas.

Graduada em Medicina Veterinária (UFMS, 2009)

Arquivado em: Síndromes