Síndrome de Sly

A síndrome de Sly, também denominada mucopolissacaridose do tipo VII (MPS VII), faz parte do grupo das mucopolissacaridoses, que são um grupo de desordens genéticas raras ocasionadas pela deficiência de enzimas lisossômicas.

Os lisossomos são organelas celulares que produzem diferentes tipos de enzimas capazes de quebrar gorduras e carboidratos. Quando alguma enzima não funciona adequadamente, há o acúmulo de substratos nos lisossomos celulares. No caso da síndrome de Sly, a enzima ausente ou deficiente é a beta-glucuronidase (β-glucuronidase), resultando no acúmulo de sulfato de dermatano, sulfato de heparano e sulfato de condroitina em diferentes tecidos do organismo, incluindo o sistema nervoso central.

O gene envolvido na síndrome é o GUSB, situado no cromossomo 7q11.21. Este gene é responsável por fornecer instruções para a produção de β-glucuronidase, que atua na degradação de moléculas grandes de açúcar denominadas glicosaminoglicanos (GAG), anteriormente conhecidos como mucopolissacarídeos. Mutações nesse gene reduzem ou eliminam por completo a função dessa enzima, levando ao acúmulo de GAGs no interior dos lisossomos.

Este transtorno possui diferentes graus de manifestações clínicas:

  • Forma fetal-neonatal: caracteriza-se por inchaço generalizado, fácies grosseira ao nascimento, alterações ósseas que levam ao comprometimento de vértebras e ossos longos, hepato e esplenomegalia e opacidade das córneas. Pode levar à morte do feto.
  • Forma grave: as manifestações clínicas podem surgir logo nos primeiros meses de vida, incluindo hérnia umbilical e inguinal, macrocefalia e deformidade torácica. A partir dos 2 a 3 anos de idade, a criança começa a evidenciar reduzida taxa de crescimento, o que resulta em baixa estatura, estagnação do crescimento entre os 6 aos 8 anos de idade, hirsutismo, opacidade da córnea pode estar presente ou não, perda auditiva, macroglossia, dispneia, desordens cardíacas, diarreia crônica, hepato e espenomegalia, disostose múltipla com progressivas deformidades e dificuldades de movimento, hipertrofia dos alvéolos dentários e da gengiva, dentes pequenos e atraso mental.
  • Forma branda: o comprometimento sistêmico é muito mais brando e ocorre apresenta lenta progressão.

O diagnóstico é feito com base no histórico e quadro clínico apresentado pelo paciente. Também pode ser feita biópsia hepática e exames de sangue para auxiliar no fechamento do diagnóstico. Contudo, o diagnóstico definitivo pode ser alcançado somente quando encontrada marcada diminuição da atividade da β-glucuronidase em lisossomos de granulócitos ou fibroblastos.

Estão sendo desenvolvidas novas técnicas para o tratamento da síndrome de Sly. Pesquisas na área de transplante de medula óssea, substituição enzimática e transferência de genes terapêuticos têm sido realizadas. Atualmente, o tratamento é de suporte.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Sly
http://www.news-medical.net/news/2007/07/26/36/Portuguese.aspx

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