Condroitina

Graduação em Farmácia e Bioquímica (Uninove, 2010)

A condroitina é uma molécula naturalmente presente em animais vertebrados, sendo um dos componentes da matriz de tecidos conjuntivos.

O tecido conjuntivo é um tecido de conexão, que se caracteriza por apresentar diversos tipos de células, separados por grande quantidade de matriz extracelular. Esta matriz é composta de fibras e substância fundamental amorfa, responsáveis por fornecer as propriedades biodinâmicas características desses tecidos. Na cartilagem, a sua capacidade compressiva e tensora é fornecida pelas glicosaminoglicanas (GAGs), as fibras colágenas e elásticas.

As GAGs são polissacarídeos constituídos por aminoaçúcares. Compreendem um grupo heterogêneo de carboidratos, sendo classificadas como aniônicos lineares, formados por unidades repetidas de dissacarídeos de alto peso molecular. Um dos monossacarídeos, que formam o dissacarídeo, é um aminoaçúcar e, o outro monossacarídeo pode ser um ácido urônico ou uma galactose. Entre os principais tipos de GAGs estão os sulfatos de condroitina, representados pela condroitina, condroitina-4-sulfato e condroitina-6-sulfato.

Os sulfatos de condroitina são, portanto, heteropolissacarídeos lineares, formados por ácido D-glicurônico e N-acetil-D-galactosamina, onde liga-se um radical sulfato, determinando os isômeros. Assim, na condroitina-4-sulfato, o radical sulfato se encontra ligado ao carbono de número 4 (C4) e, na condroitina-6-sulfato, no C6.

A condroitina-4-sulfato é também denominada sulfato de condroitina A e, a condroitina-6-sulfato, de sulfato de condroitina C. Esses isômeros se encontram distribuídos em diferentes locais do organismo, podendo sofrer variação a depender do estágio de vida, bem como do estado de saúde do indivíduo. Assim, a condroitina é encontrada na córnea, enquanto a condroitina-4-sulfato é encontrada na cartilagem, osso, córnea e artéria aorta. Já a condroitina-6-fosfato se encontra distribuída nas cartilagens, núcleo pulposo do disco intervertebral, tendão e, também, no cordão umbilical.

Os sulfatos de condroitina são capazes de estimular a síntese de cartilagem, além de inibir a interleucina 1 (IL-1), uma citocina pró-inflamatória e as metaloproteinases da matriz, que agem no processo de degradação cartilaginosa.

Sulfato de condroitina.

Síntese

Inicialmente uma proteína central é sintetizada no retículo endoplasmático, sendo então transportada ao complexo de Golgi. Nesta organela, ocorre a formação da região de ligação, a polimerização com o alongamento das cadeias e, a sulfatação dos polissacarídeos. A região de ligação é formada a partir da adição de um resíduo de xilose a uma serina específica presente na cadeia polipeptídica. Posteriormente, ocorre a adição das moléculas de galactose e ácido glicurônico. Na etapa de polimerização, se observa a adição de N-acetil-D galactosamina e ácido glicurônico, por enzimas específicas. Já na sulfatação, ocorre a doação de grupamentos sulfatos por uma coenzima conhecida como 3'-fosfoadenosina-5'-fosfossulfato.

Quando proteínas se complexam às GAGs, há a formação das proteoglicanas.

Principais indicações terapêuticas

A condroitina pode ser de origem sintética ou extraída da cartilagem de tubarão ou de bovinos. Na terapêutica, é usualmente combinada a glucosamina.

O destaque de seu uso se faz no tratamento da osteoartrite, uma doença articular degenerativa, que acomete seres humanos e animais, causando dor e limitação dos movimentos. Está relacionada à idade, sendo mais comum em indivíduos acima dos 50 anos. Em cães, se verifica uma incidência maior em raças de grande porte, com idade superior aos 7 anos. Nesses casos, a condroitina possui efeito analgésico e anti-inflamatório, reduzindo a dor e melhorando a mobilidade das articulações.

As condroitinas 4 e 6-sulfato são denominadas agentes condroprotetores, devido a capacidade de estimular a regeneração da cartilagem, além de reduzir a velocidade de sua degeneração e até mesmo prevenindo o desenvolvimento da osteoartrite. Esses agentes se acumulam no fluido sinovial e cartilagem, fornecendo precursores essenciais a manutenção e reparo da cartilagem. Devido à própria estrutura, essas moléculas comportam grandes quantidades de água, permitindo o suporte necessário aos componentes celulares e fibrosos do tecido, além de estimular a síntese de proteoglicanas e colágeno, bem como de células e da matriz. Também, atuam inibindo enzimas que degradam a cartilagem, como as metaloproteinases.

Embora seja considerado seguro para a maioria das pessoas, deve ser usado com cautela por indivíduos com asma, distúrbios de coagulação sanguínea ou câncer de próstata.

Bibliografia:

LOPES JUNIOR, Osmar Valadao; INACIO, Andre Manoel. Uso de glucosamina e condroitina no tratamento da osteoartrose: uma revisão da literatura. Rev. bras. ortop., São Paulo, v. 48, n. 4, p. 300-306,  Aug.  2013, Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-36162013000400300&lng=en&nrm=iso>.

SANTOS, Caetano Vaz. Sulfato de condroitina: da matéria à terapêutica. Disponível em < https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/22911/000733782.pdf?sequence=1&isAllowed=y>

SHANE-MCWHORTER, Laura. Sulfato de condroitina. Manual MSD. Disponível em < https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/t%C3%B3picos-especiais/suplementos-alimentares/sulfato-de-condroitina>.

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