Tripanossomíase

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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As tripanossomíases são doenças causadas pelo protozoário parasita do gênero Trypanosoma (agente etiológico) e, em humanos, possuem duas variantes, uma africana e outra americana, popularmente denominada de Doença de Chagas (por ter sido amplamente estudada e descrita pelo pesquisador brasileiro Carlos Chagas). Elas diferem tanto em locais de ocorrência (África subsaariana versus continente Americano) quanto nos agentes transmissores (mosca tsé-tsé na tripanossomíase africana e o inseto barbeiro na doença de Chagas).

A infecção se inicia após a picada dos insetos que direta ou indiretamente expõe a corrente sanguínea do hospedeiro ao parasita. Ambas as tripanossomíases evoluem em estágios clínicos característicos, facilitando sua identificação. No primeiro estágio da variante africana, conhecida como doença do sono, o hospedeiro apresenta inchaço glandular, febre, dores musculares e sangramento na urina. No caso da tripanossomíase americana, o primeiro estágio pode ser assintomático ou causar leves dores de cabeça, inchaço no local da picada e febre. A evolução da doença gera casos crônicos com sintomas graves que, se não tratados, podem ser fatais.

Tripanossomíase africana

Na tripanossomíase africana, o segundo estágio de infecção é identificado pelos sintomas neurológicos, comprovando que o parasita está afetando o sistema nervoso. Nesta condição, o hospedeiro passa a sofrer alterações em seus ritmos circadianos normais, ficando desperto à noite e sentindo sono durante o dia (por isso o nome popular doença do sono). Outros sintomas associados a gravidade da evolução do quadro são: confusão mental, alterações de humor e personalidade, dificuldade para falar e andar e convulsões. A fase crônica da doença pode ocorrer ao longo de meses e até anos, levando a óbito os hospedeiros não tratados.

Tripanossomíase africana

Já na tripanossomíase americana, o estágio crônico se inicia dentro de seis semanas desde a picada. Cerca de metade dos hospedeiros pode não desenvolver sintoma algum, apenas apresentando o parasita no organismo. Contudo, a outra metade desenvolve problemas cardíacos ou gastrointestinais causados ao longo de anos convivendo com o parasita sem tratamento. O Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, pode causar em alguns hospedeiros o crescimento anormal do coração ou o inchaço do esôfago ou intestino, que podem causar diferentes danos ao longo do tempo. No caso de afetar o coração, a doença de chagas pode causar a morte por enfraquecer o tecido cardíaco, inibindo seu funcionamento saudável por provocar arritmias.

Trypanosoma cruzi. Foto: Dr. Mae Melvin / CDC

Diagnóstico

O diagnóstico das tripanossomíases envolve a identificação do parasita em amostras de sangue, especialmente durante a fase aguda da doença. Os parasitas são dotados de flagelos, o que lhes concede mobilidade, além de apresentarem uma morfologia muito distinta das células sanguíneas, o que facilita sua identificação em microscópio.

Prevenção

Para prevenir a população de contrair a doença de Chagas ou a doença do sono, medidas de monitoramento devem ser implementadas em locais que ocorram casos confirmados da doença. Além disso, o controle da população de ambos os insetos vetores é uma alternativa. Testagens em populações em zonas rurais expostas também devem ser consideradas, especialmente em países com a ocorrência endêmica de tripanossomíases.

Tratamento

O tratamento desta doença é mais efetivo quando o diagnóstico é realizado na primeira etapa de infecção. A administração de antiparasíticos intravenosos ou medicamentos inibidores de proteassomas parece ser efetivo para neutralizar os parasitas presentes no organismo tanto na doença de Chagas quanto na tripanossomíase africana. Já nos estágios crônicos, especialmente da doença do sono, as drogas utilizadas possuem alta eficiência, mas são caras e perigosas, por apresentar diversos efeitos colaterais que podem ocasionar danos cerebrais. Ainda assim, dependendo da condição do paciente, elas podem ser uma alternativa mais viável para salvar a vida do hospedeiro infectado.

Referências:

Vinhaes, M.C. and Dias, J.C.P., 2000. Doença de chagas no Brasil. Cadernos de Saúde Pública16, pp.S7-S12.

Foulkes, J.R., 1981. The six diseases WHO. Human trypanosomiasis in Africa. British medical journal (Clinical research ed.)283(6300), p.1172.

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