Biótopo

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

O Biótopo, também conhecido como Ecótopo, é um termo usado na ecologia para determinar “o local onde reside a vida” (ou os seres vivos). De maneira mais ampla, esta definição se relaciona ao habitat mínimo que suporta a existência e sobrevivência de populações de animais e plantas através de condições abióticas regulares, relativamente homogêneas. Vale ressaltar que, para os estudos ecológicos, o biótopo também deve representar uma parcela geográfica mensurável.

Este conceito costuma ser confundido com a definição de nicho ecológico, mas é importante compreender a diferença entre ambos. O ecótopo consiste na relação criada entre ser vivo e a totalidade de fatores ambientais que o afetam, enquanto o nicho ecológico diz respeito a maneira como os organismos respondem aos recursos existentes, a competição com outros seres e aos fatores ambientais presentes em sua zona de vida para sobreviver. Ou seja, o nicho corresponde ao papel de uma espécie em sua comunidade, enquanto o ecótopo representa suas adaptações para sobreviver aos fatores externos de seu habitat.

Os biótopos auxiliam cientistas e pesquisadores a amostrar parcelas de ecossistemas grandes e complexos, conhecendo a diversidade residente de maneira local. Desta forma, uma de suas características principais se refere a sua microescala. Além disso, esse conceito vem sendo amplamente utilizado nas iniciativas de reconstituição de habitats degradados. Nestas técnicas, é essencial elaborar planos de regeneração que prevejam a conectividade de biótopos, criando uma rede interligada que permitirá migração e fluidez de formas de vida entre essas pequenas parcelas, o que contribui para a saúde sistêmica.

Em Ecologia, existe uma organização hierárquica das unidades ecológicas que são utilizadas para descrever um habitat. Por exemplo, ao se aventurar pela Floresta Amazônica (bioma), um biólogo pode querer explorar apenas uma faixa de 100 metros ao lado de um riacho (ecossistema de mata ciliar), encontrando um biótopo característico (arbustos de plantas nativas), onde ele procura uma espécie de besouro que vive associada àqueles arbustos. Neste caso, a analise ecológica ambiental foi reduzida de uma escala grande e extremamente complexa, que são os Biomas, para poucos metros de um biótopo. Com essa mudança de foco, é possível descrever de maneira satisfatória especificamente o ecótopo daquela espécie de besouro.

Cada biótopo, presente em diferentes ecossistemas, tem características físico-químicas singulares que precisam ser levadas em consideração para descrever as populações que vivem em cada local. Em matas fechadas, por exemplo, o vento pode ser um fator menos relevante do que a luz ou a umidade. Já em habitats de montanha, tanto a vegetação quanto os animais precisam se adaptar à ventos fortes e intensa exposição à radiação solar, além do desafio causado pela altitude. Os biótopos também podem descrever ambientes aquáticos que, embora sejam mais dinâmicos, possuem características mais ou menos regulares.

Na Europa, especialmente na Alemanha, o termo ecótopo vem ganhando uma ressignificação associada à aproximação do ser humano à natureza. Deste modo, urbanistas, engenheiros e arquitetos desde os anos 70 passaram a ser pressionados por políticas públicas a incorporar nos cenários urbanos elementos do mundo natural. O objetivo por trás disto é criar microcosmos de diversidade dentro das metrópoles, instaurando biótopos em praças e construções públicas, bem como incentivando essa mesma mentalidade nas casas e edifícios particulares.

Alguns exemplos de biótopos artificiais seriam jardins verticais suspensos, corredores ecológicos em estradas ou ferrovias, a manutenção de árvores ou arbustos em fazendas e pequenas plantações, reestruturação de rios e suas áreas adjacentes e a criação de jardins e lagos artificiais em escolas e locais públicos. Assim, a população em geral passa, através do convívio, a respeitar e aprender conceitos de preservação e valorização do meio ambiente.

Referências:

Löfvenhaft, K., Björn, C. and Ihse, M., 2002. Biotope patterns in urban areas: a conceptual model integrating biodiversity issues in spatial planning. Landscape and Urban Planning58(2-4), pp.223-240.

van Swaay, C., Warren, M. and Loïs, G., 2006. Biotope use and trends of European butterflies. Journal of Insect Conservation10(2), pp.189-209.

Whittaker, R.H., Levin, S.A. and Root, R.B., 1973. Niche, habitat, and ecotope. The American Naturalist107(955), pp.321-338.

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