Desequilíbrios ambientais

Graduada em Ciências Biológicas (UNESP, 2001)
Mestre em Agronomia (UNESP, 2005)
Especialização em Gestão Ambiental (Anhanguera, 2010)

Nos ecossistemas existem centenas de espécies que interagem entre si, com outras espécies e com o meio onde vivem. Essas interações se dão pela busca de alimentos, abrigo, reprodução, entre outros. Nesses ambientes naturais o crescimento populacional e a disponibilidade de recursos tende a se equilibrar mantendo o tamanho populacional constante. No entanto, algumas interferências que causem a mortalidade elevada dentro de uma espécie, de origem natural ou produzida pelo homem, gera um desequilíbrio nessas intricadas relações estabelecidas entre as espécies podendo aumentar ou diminuir muito o número de indivíduos de uma espécie e afetar outras espécies consequentemente nas cadeias alimentares.

Uma das causas de desequilíbrio ambiental é a poluição. Trata-se do acréscimo ao ambiente de produtos que ameacem a saúde ou a sobrevivência de seres humanos ou de outros organismos.

Poluição causada pela atividade humana é uma das principais causas de desequilíbrios ambientais. Foto: Gwoeii / Shutterstock.com

Um exemplo de desequilíbrio na cadeia alimentar é a introdução da agricultura em determinada região. Para plantar as espécies de interesse, retira-se a vegetação natural do local. Com isso, insetos e outros animais presentes acabam morrendo ou fugindo para outros locais. Instala-se uma monocultura e com isso reduz-se drasticamente a biodiversidade local, somente os insetos ou aves que se alimentam da planta cultivada permanecem. Como se reduziu a biodiversidade reduz-se o número de predadores e os insetos, sem tanta competição por alimento e sem predadores acabam reproduzindo-se e aumentando rapidamente em quantidade, afetando a produção agrícola pois consomem partes das plantas, alterando seu desenvolvimento.

Para controlar esses insetos que passam a ter o status de “praga”, o homem desenvolveu inseticidas que atuam no sistema nervoso do inseto e diminuem drasticamente a quantidade de pragas. No entanto, os resíduos de agroquímicos permanecem no solo, na planta e podem através da chuva chegar a lagos ou rios. Assim, mais um desequilíbrio se estabelece com a contaminação por inseticidas que pode matar espécies de outros ecossistemas e contaminar o homem, comprometendo sua saúde.

A poluição da água é outro exemplo de desequilíbrio ambiental que corre quando há introdução de substâncias físicas, químicas ou biológicas que atuam degradando a qualidade da água e afetam os seres vivos, alterando as cadeias alimentares (VALLE, 2002). As principais fontes poluidoras de água são: os esgotos industriais, esgotos domésticos, pesticidas agrícolas, resíduos de mineração, entre outros.

Como nos ecossistemas aquáticos como lagos, rios, mares e oceanos existe grande diversidade de animais vertebrados e invertebrados, plantas aquáticas, algas e outros seres vivos que estão adaptados as condições climáticas dessas águas qualquer alteração no pH, salinidade, turbidez da água pode causar mortalidade de espécies mais sensíveis e um efeito cascata nas cadeias alimentares. Se a contaminação continua por tempo prolongado ou é muito forte, o desequilíbrio pode ser irreversível e leva a degradação permanente do ecossistema.

Por isso, existem órgãos federais, estaduais e até municipais que atuam controlando e fiscalizando a atuação de empresas e indústrias em ambientes urbanos e também rurais, como exemplo a CETESB. Os cidadãos comuns devem evitar contaminações do solo, do ar e da água e denunciar casos em que a ação humana leve a desequilíbrios ambientais nos ecossistemas, denunciando as irregularidades aos órgãos responsáveis.

Referência:

VALLE, C. E. do. Qualidade Ambiental: ISO 14001. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2002.

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