Reciclagem do Alumínio: economia ou consciência ambiental?

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

Não é incomum nos tempos atuais verem-se pessoas coletando dos lixões exclusivamente latas de alumínio para reciclagem. Esse fato tem uma clara explicação, a qual será explanada nesse texto. As latas de alumínio passaram a ser amplamente utilizadas em todo mundo como embalagens de bebidas a partir da década de 60. O sucesso deve-se, até hoje, à segurança e caráter inerte deste metal, que mantém praticamente inalterados o sabor e as condições de higiene do produto. Além disso, essas latas são leves, apresentam maior velocidade de refrigeração do conteúdo e ocupam consideravelmente menos espaço na geladeira.

Naturalmente, o alumínio encontra-se em um minério de nome bauxita, bastante comum no sudeste do Brasil, principalmente no estado de Minas Gerais. “Seu ciclo de vida começa então com extração da mesma. Aí começam também os impactos ambientais. Para se retirar a bauxita do solo, é preciso remover a vegetação que o cobre e escavá-lo, pois o minério fica um pouco abaixo de sua camada superficial (cerca de 4,5 metros). O alumínio é matéria prima para fabricação de produtos – como as latinhas, considerados essenciais pela sociedade. O segredo então é minerar com responsabilidade ambiental ou seja, não poluir cursos d`água, não permitir processos erosivos, recuperar a área após retirado o minério e outras providências amplamente conhecidas pelas empresas e órgãos públicos ambientais”1.

O processo de extração do alumínio a partir de seu minério não pode ser considerado simples. A própria bauxita encontra-se em profundidade média de 4,5m da superfície. A bauxita é então transportada às fábricas via caminhão, o que torna o processo ainda mais caro e ambientalmente desfavorável. Já na indústria, o mineral é triturado e misturado à soda cáustica, que dissolve a porção que contém alumina, separando-a dos demais componentes, que não se diluem nesta. “A solução resultante passa por processos de lavagem, sedimentação e filtragem para retirada de impurezas. Nessa etapa, são gerados efluentes com grande quantidade de soda cáustica, que, se fossem liberados em corpos d’água, causariam alterações do pH e redução do oxigênio dissolvido na água, causando imediata mortandade de peixes e outras espécies da fauna aquática, além de tornar a água imprópria para consumo humano e animal1.

No que se refere à reciclagem do alumínio, particularmente nas latas de bebidas, o Brasil vai muito bem, chagando a ter reciclado mais de 98% destas em 2009. Isto se deve a seu alto valor comercial, tanto para o catador como para a indústria. O meio ambiente também é favorecido neste processo, uma vez que uma quantidade menor de minério é retirado do solo e menos energia é gasta em sua extração da bauxita.  Este metal é então derretido e enformado, para novamente ser transformado em latas.

Referências:
1. http://www.amda.org.br/detalhe/2,93,2455,ciclo-de-vida-da-latinha-de-aluminio
MAHAN, Bruce M.; MYERS, Rollie J.; Química: um curso universitário, Ed. Edgard Blucher LTDA, São Paulo/SP – 2002.

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