A redação do Enem é, para muitos candidatos, a parte mais temida do Exame Nacional do Ensino Médio. Ela vale até 1000 pontos, pesa bastante na nota usada no Sisu, no Prouni e no Fies, e tem uma particularidade: o tema só é conhecido no momento da prova. Por isso, todos os anos, professores, cursinhos e veículos de imprensa fazem listas de possíveis temas de redação do Enem, com base no noticiário, nas leis recentes e no histórico do exame.
Em 2026, as provas do Enem estão marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro. A redação é aplicada no primeiro dia, junto com as provas de Linguagens e de Ciências Humanas (45 questões cada), com duração total de 5 horas e 30 minutos. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h, e a prova começa às 13h30 (horário de Brasília).
A seguir, veja como a redação funciona, os temas que já caíram, os padrões nas escolhas do Inep e assuntos apontados por especialistas. Um aviso: ninguém sabe qual será o tema. As listas servem para treinar e montar repertório, não para "adivinhar" a prova.

Ilustração representando a redação do Enem. Imagem: InfoEscola.
Conteúdo deste artigo
- Como funciona a redação do Enem
- As cinco competências
- Temas que já caíram na redação do Enem
- Como os temas são escolhidos e quais padrões aparecem
- Possíveis temas de redação do Enem 2026
- 1. Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital
- 2. Inteligência artificial: ética, trabalho e educação
- 3. Inclusão de pessoas neurodivergentes e com deficiência
- 4. Calamidades climáticas e degradação ambiental
- 5. Confiança na ciência e combate à desinformação
- 6. Alfabetização, evasão e violência escolar
- 7. Juventude, educação e trabalho
- 8. O esporte como ferramenta de inclusão
- 9. Microplásticos e preservação da biodiversidade
- Dicas de preparação para a redação
- Referências
Como funciona a redação do Enem
A prova pede um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, escrito na modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. O candidato deve defender um ponto de vista com argumentos consistentes e, ao final, apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos. A proposta traz uma frase-tema e textos motivadores (notícias, dados, gráficos, trechos literários), que contextualizam o assunto, mas não devem ser copiados.
Cada redação é avaliada por pelo menos dois corretores formados em Letras ou Linguística. Cada um atribui de 0 a 200 pontos a cada uma das cinco competências, e a nota final é a média das duas avaliações. Se as notas totais diferirem em mais de 100 pontos, ou se a diferença em alguma competência passar de 80 pontos, um terceiro corretor é chamado; se a discrepância persistir, a redação vai para uma banca de três professores.
As cinco competências
- Competência I: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
- Competência II: compreender a proposta e aplicar conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema, dentro do tipo dissertativo-argumentativo. É aqui que entra o repertório sociocultural.
- Competência III: selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos e opiniões em defesa de um ponto de vista, o que exige um projeto de texto claro.
- Competência IV: mecanismos linguísticos de argumentação, ou seja, a coesão entre frases e parágrafos.
- Competência V: proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. Uma proposta completa indica a ação, o agente que a executa, o meio ou modo de execução, o efeito ou finalidade esperada e um detalhamento de algum desses elementos.
A Cartilha do Participante de 2026, publicada pelo Inep, traz alertas importantes. Um deles é contra o chamado "repertório de bolso": citações decoradas (de Platão ou Aristóteles, por exemplo) encaixadas em qualquer tema sem relação real com a discussão. Outro é sobre o tangenciamento: um texto que aborda o assunto geral, mas não o recorte proposto, fica limitado a no máximo 40 pontos nas competências II, III e V. A proposta de intervenção, por sua vez, precisa propor algo, e não apenas constatar o problema; se desrespeitar os direitos humanos, recebe nota zero na competência V.
A redação recebe nota zero, entre outros casos, por fuga total ao tema, desobediência ao tipo dissertativo-argumentativo, texto com até sete linhas ou em branco, impropérios, desenhos, partes deliberadamente desconectadas, identificação fora do espaço próprio, texto predominantemente em língua estrangeira ou ilegível. O título é opcional e, se usado, conta como linha.
Temas que já caíram na redação do Enem
Conhecer os temas anteriores ajuda a entender o "estilo" do exame. Abaixo estão os temas da aplicação regular (a primeira aplicação de cada ano):
- 1998: Viver e aprender
- 1999: Cidadania e participação social
- 2000: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?
- 2001: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar interesses em conflito?
- 2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?
- 2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?
- 2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?
- 2005: O trabalho infantil na realidade brasileira
- 2006: O poder de transformação da leitura
- 2007: O desafio de se conviver com a diferença
- 2008: Como preservar a floresta Amazônica
- 2009: O indivíduo frente à ética nacional
- 2010: O trabalho na construção da dignidade humana
- 2011: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado
- 2012: O movimento imigratório para o Brasil no século XXI
- 2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
- 2014: Publicidade infantil em questão no Brasil
- 2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
- 2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
- 2017: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
- 2018: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
- 2019: Democratização do acesso ao cinema no Brasil
- 2020: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
- 2021: Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil
- 2022: Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil
- 2023: Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil
- 2024: Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
- 2025: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira
As reaplicações tiveram temas próprios, como insegurança alimentar (2022), população em situação de rua (2023) e arte de periferia (2024). Para treinar, veja a proposta do Enem 2012 comentada.
Como os temas são escolhidos e quais padrões aparecem
O Inep não divulga o tema antes da prova, e a escolha é feita com bastante antecedência: segundo reportagem do G1, historicamente ela acontece entre junho e julho do ano do exame. Fatos muito recentes, portanto, dificilmente viram tema, mas podem servir como repertório. Olhando a lista acima, alguns padrões se destacam:
- Foco no Brasil: desde 2012, quase todos os temas (a exceção é 2018) trazem "no Brasil" ou "na sociedade brasileira", e o problema deve ser discutido no contexto nacional.
- Temas sociais e de direitos: predominam assuntos ligados à cidadania, a grupos vulneráveis ou invisibilizados (surdos, povos tradicionais, mulheres cuidadoras, pessoas idosas, pessoas sem registro civil) e à valorização da diversidade cultural.
- Recorte específico: o tema raramente é amplo como "violência" ou "meio ambiente". Ele costuma delimitar um aspecto ("invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher"), e é justamente esse recorte que separa a abordagem completa do tangenciamento.
- Fórmulas recorrentes: "Desafios para...", "Caminhos para..." e, em 2025, "Perspectivas acerca de...". Professores ouvidos pela imprensa observaram que a troca de "desafios" por "perspectivas" no tema de 2025 abriu espaço para discutir também o futuro e as possibilidades, e não apenas os obstáculos.
Também é comum que o tema dialogue com leis, políticas públicas ou datas recentes. Em 2025, por exemplo, os textos motivadores trouxeram dados do Censo 2022 do IBGE (as pessoas com 65 anos ou mais já eram 10,9% da população), além de referências culturais como Rita Lee, Fernanda Montenegro e a crônica "A partida do trem", de Clarice Lispector.
Possíveis temas de redação do Enem 2026
Os assuntos a seguir foram citados por professores e cursinhos em reportagens do g1 e da Folha de S.Paulo ao longo de 2026. Eles são possibilidades para treinar, e não previsões. Para cada um, há um breve contexto, sugestões de repertório e caminhos para a proposta de intervenção.
1. Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital
É talvez o tema mais citado nas apostas de 2026. Em agosto de 2025, o vídeo "Adultização", do influenciador Felca, sobre a exposição e a sexualização de crianças nas redes sociais, teve enorme repercussão e acelerou a aprovação da Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que passou a vigorar em 2026. A lei estabelece obrigações para as plataformas, como ferramentas de controle parental e mecanismos de denúncia. O tema também dialoga com provas anteriores: direitos da criança e do adolescente (2000), publicidade infantil (2014) e manipulação de dados na internet (2018).
Repertório: o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), o artigo 227 da Constituição, que atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de proteger crianças e adolescentes com absoluta prioridade, e o próprio ECA Digital. Intervenção: fiscalização das plataformas pelo poder público, campanhas de educação midiática nas escolas e orientação às famílias sobre uso de controles parentais.
2. Inteligência artificial: ética, trabalho e educação
A inteligência artificial foi um dos assuntos que mais se repetiram nas apostas de cursinhos reunidas pela Folha de S.Paulo, com diferentes recortes: o uso ético da tecnologia, os efeitos sobre o mercado de trabalho e o seu papel na educação. Entre os problemas mais discutidos estão os deepfakes (vídeos e áudios falsos muito realistas), o viés algorítmico, que pode reproduzir preconceitos presentes nos dados usados para treinar os sistemas, e a dependência dos estudantes em relação à máquina.
Repertório: o documentário "O Dilema das Redes" (2020), o tema de 2018 sobre controle de dados e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Intervenção: regulamentação com transparência sobre o uso de algoritmos, formação de professores para o uso crítico da IA em sala de aula e programas de requalificação profissional.
3. Inclusão de pessoas neurodivergentes e com deficiência
O debate sobre autismo (TEA), TDAH e dislexia ganhou espaço nas escolas, no trabalho e nas redes. O combate ao capacitismo, isto é, o preconceito contra pessoas com deficiência, é um eixo central. Em julho de 2026, a Lei nº 15.459 ampliou os locais em que a sinalização de acessibilidade é obrigatória e determinou que o Símbolo Internacional de Acessibilidade identifique apenas espaços e serviços efetivamente acessíveis; a troca do desenho do símbolo foi vetada. O Enem já tratou desse eixo em 2017, com a formação educacional de surdos.
Repertório: a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o conceito de barreiras atitudinais. Intervenção: formação de professores para a educação inclusiva, contratação de profissionais de apoio, adaptação de avaliações e campanhas contra o capacitismo.
4. Calamidades climáticas e degradação ambiental
Eventos climáticos extremos, o desmatamento e as queimadas na Amazônia mostram como a degradação ambiental atinge, sobretudo, as populações mais vulneráveis. O assunto já tinha sido apontado como aposta em 2025, ano em que o Brasil sediou a COP30, e voltou às listas de 2026. Um recorte possível é a justiça climática; outros são a prevenção de desastres, os sistemas de alerta, a fiscalização de áreas de risco e a adaptação das cidades. O tema lembra o de 2001 (desenvolvimento e preservação ambiental) e o de 2008 (preservação da Amazônia).
Repertório: o Acordo de Paris, relatórios do IPCC e o conceito de aquecimento global. Intervenção: sistemas de alerta antecipado operados pela Defesa Civil, planejamento urbano que evite ocupação de áreas de risco e políticas de acolhimento para famílias deslocadas.
5. Confiança na ciência e combate à desinformação
A circulação de notícias falsas sobre saúde, especialmente sobre vacinas, abala a confiança da população nas instituições científicas e sanitárias. Cursinhos citam ainda a cultura de prevenção em saúde e o uso de canetas emagrecedoras. O assunto se conecta ao tema de 2004, sobre liberdade de informação e abusos nos meios de comunicação.
Repertório: o conceito de pós-verdade, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e episódios históricos como a Revolta da Vacina (1904). Intervenção: campanhas de divulgação científica com linguagem acessível, parcerias entre agências de checagem e plataformas e inclusão de educação científica nos currículos.
6. Alfabetização, evasão e violência escolar
Problemas da própria escola também aparecem nas apostas: a alfabetização plena das crianças na idade certa, o abandono escolar, sobretudo no ensino médio, e os episódios de violência nas escolas. São temas ligados ao direito à educação e com muitos dados oficiais disponíveis.
Repertório: o artigo 205 da Constituição (a educação como direito de todos e dever do Estado e da família), o Plano Nacional de Educação e resultados de avaliações como o Pisa. Intervenção: busca ativa de alunos que abandonaram a escola, ampliação do ensino em tempo integral e equipes de psicólogos e assistentes sociais nas redes de ensino.
7. Juventude, educação e trabalho
A inserção da juventude na educação e no mundo do trabalho voltou às apostas em 2026. A professora Daniela Toffoli, ouvida pela Folha de S.Paulo, chama a atenção para os dados sobre jovens que estão fora da escola e do mercado de trabalho e sugere recortes como a qualificação profissional e o primeiro emprego. O tema dialoga com o de 2010 (o trabalho na construção da dignidade humana) e com as discussões sobre os impactos da inteligência artificial sobre o emprego.
Repertório: o Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013), o artigo 227 da Constituição e o conceito de dignidade humana. Intervenção: programas de aprendizagem e estágio, ensino técnico integrado ao ensino médio e busca ativa de jovens que deixaram a escola.
8. O esporte como ferramenta de inclusão
O ano de 2026 tem Copa do Mundo masculina, e o Brasil vai sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027. Por isso, alguns professores apontam o papel social do esporte como tema possível, com recortes como o acesso ao esporte nas periferias, a valorização do esporte feminino ou o racismo nos estádios.
Repertório: a trajetória de atletas como Pelé e Marta e o artigo 217 da Constituição, que trata do esporte como direito. Intervenção: investimento em projetos esportivos em escolas públicas, incentivo ao esporte feminino e punições efetivas para casos de discriminação.
9. Microplásticos e preservação da biodiversidade
Partículas de plástico menores que 5 milímetros já foram encontradas em oceanos, rios, alimentos e até no corpo humano. O g1 listou o tema por unir meio ambiente, saúde e consumo; no Enem, ele provavelmente viria com um recorte nacional, como o descarte de resíduos no Brasil.
Repertório: a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e a ideia de economia circular. Intervenção: ampliação da coleta seletiva, apoio às cooperativas de catadores e incentivo à substituição de plásticos descartáveis.
Outros assuntos citados nas listas de 2026 incluem a violência contra pessoas LGBTQIAPN+, estudantes com altas habilidades, o acolhimento de migrantes e de brasileiros retornados, a soberania sobre os minerais críticos e os maus-tratos a animais.
Dicas de preparação para a redação
- Escreva com frequência: treine redações em folha de 30 linhas e com tempo cronometrado; no dia da prova, a redação divide o tempo com 90 questões objetivas.
- Leia a proposta inteira com atenção: sublinhe as palavras-chave da frase-tema. Escrever sobre "envelhecimento" em geral, quando o tema pede "perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", é um caminho para o tangenciamento.
- Monte um repertório que você domine: é melhor conhecer bem alguns filósofos, leis, dados e obras culturais, e saber relacioná-los ao tema, do que decorar dezenas de citações genéricas.
- Planeje antes de escrever: defina a tese, os dois argumentos e a proposta de intervenção antes de passar o texto a limpo. Um bom projeto de texto melhora as competências II, III e V.
- Treine a proposta completa: confira se ela tem ação, agente, meio ou modo, finalidade e detalhamento, e se está articulada aos problemas discutidos no desenvolvimento.
- Revise a gramática e a coesão: varie os conectivos e evite repetições. As redações nota mil da Cartilha do Participante são boas referências.
Para outras orientações sobre o exame, veja também Os dez mandamentos para os estudantes no Enem e Como organizar seu tempo de estudo para o Enem e os vestibulares.
Referências
- INEP. Enem 2026: cartilha da redação está disponível.
- INEP. Perguntas frequentes: Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
- MEC. Enem 2026: falta um mês para o primeiro dia de provas. 8 out. 2026.
- G1. Edital do Enem 2026 é publicado; veja datas do exame. 22 maio 2026.
- G1. Enem 2026: 7 possíveis temas de redação. 10 ago. 2026.
- FOLHA DE S.PAULO. Cursinhos apostam em IA e proteção de crianças para redação do Enem; confira temas. 3 out. 2026.
- CÂMARA DOS DEPUTADOS. Lula sanciona lei sobre a sinalização de acessibilidade, mas veta a troca do símbolo.
- AGÊNCIA BRASIL. Redação do Enem 2025 aborda perspectivas para envelhecimento. Nov. 2025.
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/educacao/possiveis-temas-de-redacao-do-enem-2026/