Nvidia

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A Nvidia é uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos que projeta processadores gráficos, chips de computação e softwares. Conhecida por décadas pelas placas de vídeo usadas em jogos de computador, tornou-se a principal fornecedora dos chips que treinam e executam sistemas de inteligência artificial, o que a transformou em uma das empresas mais valiosas do mundo. Tem sede em Santa Clara, na Califórnia, no Vale do Silício.

A Nvidia não fabrica os próprios chips. Ela os projeta e encomenda a produção a fábricas terceirizadas, principalmente a taiwanesa TSMC. Esse modelo de negócio é chamado de fabless, algo como "sem fábrica" em inglês.

Jensen Huang, cofundador e presidente-executivo da Nvidia, na Universidade Stanford em 2026

Anderseidesvik / Jensen Huang, cofundador e presidente-executivo da Nvidia, na Universidade Stanford, em abril de 2026. Fonte. Licença: CC BY-SA 4.0

Fundação e primeiros anos

A empresa foi fundada em 5 de abril de 1993 por três engenheiros: Jensen Huang, Chris Malachowsky e Curtis Priem. A ideia teria sido discutida em encontros em uma lanchonete da rede Denny's em San José. Os fundadores apostaram que os computadores pessoais precisariam de chips dedicados a gerar gráficos em três dimensões, uma tarefa pesada demais para o processador central.

O primeiro produto, o NV1, de 1995, não fez sucesso, e a empresa quase quebrou. A recuperação veio com o RIVA 128, em 1997. Em 1999, a Nvidia abriu o capital na bolsa Nasdaq e lançou a GeForce 256, que apresentou ao mercado como a primeira GPU (graphics processing unit, unidade de processamento gráfico), um chip capaz de fazer sozinho os cálculos de geometria e iluminação das imagens. A marca GeForce continua sendo a linha de placas de vídeo da empresa voltada a jogadores.

Da imagem à computação: a CUDA

Uma GPU funciona de modo diferente do processador central, a CPU. Em vez de poucos núcleos muito rápidos, ela tem milhares de núcleos mais simples que fazem cálculos ao mesmo tempo, o chamado processamento paralelo. Essa característica, criada para calcular a cor de milhões de pixels, serve também para outras tarefas que envolvem enormes quantidades de contas repetitivas.

Em 2006, a Nvidia lançou a CUDA, uma plataforma de programação que permitiu a cientistas e engenheiros usar suas GPUs para simulações físicas, previsão do tempo, análise de dados e pesquisa médica. Ao longo dos anos, milhões de programadores aprenderam a usar a CUDA, e esse ecossistema de software se tornou uma das maiores vantagens da empresa sobre concorrentes.

A virada da inteligência artificial

O momento decisivo veio em 2012, quando pesquisadores da Universidade de Toronto usaram duas placas GeForce para treinar a AlexNet, uma rede neural que venceu com folga uma competição internacional de reconhecimento de imagens. Redes neurais são programas formados por camadas de cálculos matemáticos que "aprendem" ajustando milhões ou bilhões de parâmetros a partir de exemplos. O resultado mostrou que GPUs eram a ferramenta ideal para esse tipo de aprendizado, conhecido como aprendizado profundo.

A Nvidia passou então a projetar chips específicos para centros de dados, os grandes galpões de servidores que sustentam a computação em nuvem. Em 2020, comprou a israelense Mellanox, especializada em redes de alta velocidade, para conectar milhares de GPUs como se fossem um único computador. No mesmo ano, anunciou a compra da britânica Arm, mas desistiu em 2022 diante da resistência de órgãos reguladores.

O lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, provocou uma corrida das grandes empresas de tecnologia para construir sistemas de IA generativa, e quase todas dependiam dos chips da Nvidia, como o H100 e, depois, a linha Blackwell. A receita e o valor de mercado da empresa dispararam. Em julho de 2025, ela se tornou a primeira companhia a valer US$ 4 trilhões na bolsa e, em outubro do mesmo ano, a primeira a passar de US$ 5 trilhões.

No segundo trimestre de seu ano fiscal de 2027, encerrado em julho de 2026, a Nvidia informou receita de US$ 96,2 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes. Desse total, US$ 89 bilhões vieram da divisão de centros de dados, o que mostra quanto a empresa passou a depender da inteligência artificial.

Concorrência e geopolítica

A Nvidia enfrenta concorrentes como a AMD e a Intel, além de grandes clientes que desenvolvem chips próprios, caso do Google, com suas TPUs, e da Amazon. Sua posição, no entanto, envolve mais do que tecnologia. Como os chips mais avançados são considerados estratégicos, o governo dos Estados Unidos passou a restringir sua exportação para a China a partir de 2022, temendo o uso militar da inteligência artificial. A dependência da produção em Taiwan, ilha reivindicada por Pequim, também é vista como um risco.

Em 29 de outubro de 2026, o g1 noticiou, com base no jornal The New York Times, que autoridades americanas suspeitam que Alice Huang, executiva da Megaspeed, empresa de centros de dados com sede em Singapura, tenha atuado como agente de inteligência chinesa enquanto mantinha contato próximo com Jensen Huang. A investigação também apura se equipamentos da Nvidia comprados por empresas ligadas a ela chegaram ilegalmente à China. Um porta-voz da Nvidia afirmou ao jornal que as interações do executivo com a cliente "não são incomuns nem inesperadas", e a embaixada chinesa em Washington classificou as acusações de infundadas.

Jensen Huang

Jen-Hsun "Jensen" Huang, cofundador e presidente-executivo da Nvidia desde a fundação, nasceu em 17 de fevereiro de 1963, em Tainan, Taiwan. Ainda criança, foi enviado pelos pais aos Estados Unidos, onde ele e um irmão estudaram por um período no Oneida Baptist Institute, um internato no interior do Kentucky. A família depois se reuniu no estado do Oregon.

Huang formou-se em engenharia elétrica pela Universidade Estadual do Oregon em 1984 e concluiu o mestrado na mesma área pela Universidade Stanford em 1992, estudando à noite enquanto trabalhava. Antes de fundar a Nvidia, foi projetista de microprocessadores na AMD e diretor na LSI Logic, fabricante de chips.

À frente da empresa por mais de três décadas, caso raro no setor de tecnologia, Huang ficou conhecido pelas apresentações em que aparece sempre com uma jaqueta de couro preta e pela aposta de longo prazo na computação paralela, feita anos antes de a inteligência artificial se tornar um mercado bilionário. Com a valorização das ações da Nvidia, entrou para a lista das pessoas mais ricas do mundo. Também se tornou interlocutor frequente de governos, defendendo, por exemplo, regras mais flexíveis para a venda de chips à China.

Referências