Geografia cultural

Graduado em Geografia (Centro Universitário Fundação Santo André, 2014)

A Geografia Cultural é o ramo da Geografia que estuda os assuntos relacionados às diferentes formas de manifestações culturais, como as religiões, linguagens, rituais, músicas, artes, atividades econômicas específicas, dentre outras formas de organizações sociais dentro de um espaço.

Um de seus objetivos principais é compreender as relações entre seres humanos e a sociedade na qual estão inseridos, analisando de que forma seus comportamentos e conhecimentos acabam sendo incorporados no cotidiano e na vida dessas pessoas.

Muitos são os ramos de estudos que podem sair a partir da geografia cultural, questões relacionadas a globalização, a geopolítica, o imperialismo cultural, as paisagens culturais, ecologia cultural, a própria história cultural de um povo, etc.

É preciso compreender que o estudo da geografia cultural é dinâmico, ou seja, pode haver mudanças que ocorrem a mesma maneira que os grupos sociais se transformam e se modificam. A geografia cultural existente no século XXI é diferente da que havia no século anterior e da que haverá no século seguinte. Isso se dá pela grande variedade cultural que as sociedades possuem e sua acelerada mudança.

O processo de globalização é um dos principais fatores desse dinamismo. É compreendido como globalização uma união social, política, cultural e econômica entre países do globo. Esse processo rompe fronteiras criando uma proximidade entre povos de diferentes culturas. Além da circulação de pessoa também há circulação de mercadorias e informações. Em alguns casos esse segmento globalizado pode ocorrer de forma negativa, pois pode haver o desenvolvimento de uma cultura de massa, que é aquela imposta de forma intensa sobre povos, além de um modelo de consumo padronizado que afeta diretamente na diversidade cultural.

O processo de sobrepor uma cultura sobre outra é chamado de Hegemonia Cultural, ela ocorre principalmente quando uma nação sobrepõe seus interesses de modo padronizado para um domínio social, ideológico e econômico a uma nação menos favorecida. O principal intuito desse processo é obter vantagens econômicas. A relação entre as indústrias e a cultura de massa também são consideradas formas de hegemonia cultural, bem como o uso da mídia para formação de opinião.

Um dos maiores exemplos de hegemonia cultural são os Estados Unidos, país considerado uma superpotência mundial no campo econômico, tecnológico e militar, que difunde sua cultura e seu modo de vida para quase todo o planeta, isso ocorre por suas influências em diversos setores. O país possui uma grande força militar que o auxilia a ter proveito sobre alguns países menos desenvolvidos com acordos políticos oferecendo proteção ou até mesmo ameaças.

Outro campo de estudo dentro da geografia cultural é a paisagem cultural, ela é resultante da relação do ser humano com o espaço no qual ele está inserido, levando em conta as modificações que os grupos sociais causam nesse ambiente de acordo com sua cultura.

É preciso compreender a diferença entre paisagem cultural e paisagem humanizada (ou antrópica). A primeira se refere às mudanças realizadas em um espaço por determinado grupo social possuindo uma identidade cultural desse povo, ou seja, essas transformações paisagísticas ocorrem de maneira específica e particular ligada a identidade cultural dessa população. As chamadas paisagens humanizadas ou antrópicas se referem às transformações que os seres humanos realizam no espaço para realizar suas atividades econômicas e residenciais, quando há grande alteração em sua estrutura física.

São consideradas paisagens culturais aquelas que trazem alguma característica histórica e cultural do povo que ali reside, como museus, centros históricos, monumentos, entre outros.

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