João Pessoa

Graduanda em Geografia (IFSP)
Graduada em Biologia (UNICSUL, 2018)

Publicado em 05/09/2022
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A Paraíba, chamada de Itamaracá durante os tempos coloniais, foi uma das doze Capitanias Hereditárias. Com a construção da cidade de Nossa Senhora das Neves nasceu a "Cidade da Parahyba", a terceira cidade a ser fundada no Brasil. O nome Paraíba tem diferentes significados, “rio mau”, “porto ruim”, ou “mar corrompido”; “rio impraticável”. Segundo Coriolano de Medeiros, o significado exato seria “braço de mar”. Era habitada por diferentes tribos indígenas, que atacavam os engenhos da região. Para impedir os ataques indígenas, de franceses e holandeses, foram construídos fortes na foz do rio e em terra. Perto do rio Sanhauá, pequeno afluente do Paraíba, firmou-se um pacto de amizade com os indígenas, local que hoje se situa a cidade de João Pessoa. A cidade foi invadida pelos holandeses que ocuparam o local. A capital chamou-se Paraíba do Norte até 1930, quando virou João Pessoa, em homenagem ao Presidente do Estado. O seu assassinato, em plena campanha política foi uma das causas da Revolução de 3 de outubro 1930.

A principal economia dessa capitania era a extração de pau-brasil. O domínio da Mata Atlântica, clima tropical e rica composição do solo originava o pau-brasil de melhor qualidade encontrado no litoral brasileiro, sendo assim, a cidade baseava sua economia na exportação do gênero. Durante a invasão holandesa no séc. XVI, funcionavam 18 engenhos de açúcar pelas ordens religiosas, posteriormente, essas ordens se tornaram donos de muitas propriedades, engenhos e escravos, ganhando muito poder e influência na cidade. João Pessoa se encontra em um relevo suave, clima tropical e vegetação exuberante, entre os mangues que de um afluente do rio Paraíba e o mar, possui ainda resquícios de florestas atlânticas e coqueirais.

O Porto do Capim foi criado nas águas do rio para escoar a produção local, dos engenhos, o açúcar para exportação, assim estabelecendo uma importante região comercial, com alfandega e armazéns. Assim a cidade passou exercer funções administrativas e comerciais para a colônia, tornando-se um importante centro financeiro e econômico do estado, habitada principalmente por militares, administradores e religiosos. A partir do séc. XIX as primeiras ferrovias chegaram a cidade e no início do séc. XX, a ferrovia se expandiu para o norte até o porto da cidade de Cabedelo, desativando assim o Porto do Capim e interferindo na integração entre o rio e a cidade, gerando abandono da região. Atualmente, com esforço do IPHAN, o porto Capim se tornou um espaço destinada ao lazer, à cultura e ao turismo.

A ampliação do comércio em geral ao longo da história e principalmente durante o séc. XX, fez com que João Pessoa, partir da década de 1960 quando teve início o período de crescimento da cidade, tivesse seu povoamento acelerado. Fato decorrente da migração do campo para a cidade que gerou a urbanização, se tornando uma cidade modernizada, o que gerou uma grande diferença socioeconômica na sociedade, criou áreas de residências populares e áreas de ocupação irregular. No Sul da cidade predominam os bairros de classe média à classe média baixa, enquanto ao norte a ocupação é das classes média alta e alta. A região de João Pessoa teve como destaque no cultivo da cana-de-açúcar com o desenvolvimento do Proálcool nos anos 1990. O turismo representa outra grande parcela da economia da cidade, principalmente nas praias e centros históricos.

Arquivado em: Brasil, Paraíba