População de Santa Catarina

Mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia (UDESC, 2016)
Graduada em Geografia (UDESC, 2014)

O território onde hoje situa-se o estado de Santa Catarina era habitado antigamente por indígenas da grande nação tupi-guarani. No litoral viviam os Carijós e nos vales litorâneos, nas encostas do planalto e no planalto, habitavam os grupos Xókleng e Kaingang. Além da grande miscigenação que faz dessas populações uma das bases da população atual, existem também hoje remanescentes em reservas como as de Palhoça, Ibirama, Xanxerê e Chapecó. Em muitos casos essas populações precisam lutar contra setores de governos e elites locais pela demarcação de suas terras, como vem ocorrendo com guaranis do Morro dos Cavalos, em Palhoça.

O povoamento colonial do litoral sul-brasileiro partiu da Capitania de São Vicente. Ao final do século XVII, já existiam três núcleos de povoamento catarinense. Nossa Senhora do Rio São Francisco, atual São Francisco do Sul, fundada em 1658; Desterro, hoje Florianópolis, fundada em 1662; e Santo Antônio dos Anjos de Laguna, atual Laguna, fundada em 1682. Em meados do século XVIII, os paulistas que adentravam o sertão em busca de gado, estabeleciam “pousos” que, com o tempo, transformaram-se em povoações. Assim surgiu outro núcleo de povoamento catarinense, Lajes, fundada em 1770. Vale considerar que grande parte da população indígena foi dizimada nessas décadas.

Nessa mesma época, Portugal enviou várias levas de colonos do arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira, para se juntarem ao contingente vicentista já engajado no desenvolvimento da agricultura no litoral e visando efetivar a ocupação do território catarinense. Alguns desses colonos seguiram para o território gaúcho. Essas duas correntes de povoamento (vicentista-açoriana-madeirense e paulista) estiveram relativamente isoladas, devido ao relevo e a vegetação, durante o século XVIII e a metade do seguinte. No século XIX, ocorreu a imigração europeia, sobressaindo colonos alemães e italianos, mas também eslavos e de outras regiões (ucranianos, poloneses, austríacos, suíços, noruegueses, etc.). Como a colonização oficial teve pouco êxito, aplicou-se o princípio de colonização por companhias particulares, cuja administração se apoiava em princípios econômicos. Contingentes populacionais de lugares distintos da África, Oriente Médio e leste asiático também constituem parcela importante dessa população.

No ano de 2010, houve um crescimento de 16,6% da população catarinense, desde o Censo Demográfico de 2000. De acordo com o IBGE, em 2010, a população do Estado alcançou 6.248.436 habitantes – 3,3% da população brasileira. A taxa absoluta de crescimento da população de Santa Catarina no período foi 4,3% superior à taxa nacional.

Segundo estimativa do próprio IBGE, a população de Santa Catarina chegou a 7.001.161 milhões – 1,3% maior do que em 2016. Joinville continua sendo o maior município, com 577.077 habitantes. Já a capital estadual Florianópolis está com 485.838 moradores, e Blumenau vem em terceiro lugar com 348.513 pessoas.

Densidade demográfica das macrorregiões, em 2010 – Fonte: SEBRAE/SC.

Conforme o Censo Populacional (IBGE) de 2010, Santa Catarina possuía naquele ano uma densidade demográfica 65,29 hab/km². A distribuição populacional por gênero apontava que, no Estado, os homens representavam 49,6% da população e as mulheres, 50,4%. De acordo com os dados do mesmo estudo, entre 2000 e 2010, enquanto a população urbana de Santa Catarina evoluiu 24,4%, a população rural reduziu 12,1%.

Densidade demográfica de Santa Catarina, no período de 1980 a 2010 – Fonte: SEBRAE/SC.

Outro dado relevante é a estrutura etária da população catarinense: em 2010, os jovens representavam 30,5% da população, os adultos 59,0% e os idosos 10,5%.

Referente à população economicamente ativa (PEA), o IBGE calcula o conjunto de pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego. Apesar do trabalho infantil ser ilegal, o IBGE considera pessoas a partir dos 10 anos de idade para definir a PEA. No decorrer dos 10 anos entre os censos de 2000 e 2010, houve um aumento de 6,6% no percentual de Santa Catarina, passando de 50,1% no ano 2000, para 56,7% em 2010.

Fontes:

BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censos. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/>. Acesso em: 20 dez. 2017.

______ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas e projeções da população. Disponível em < http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/>. Acesso em: 08 dez. 2017.

______ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Contagem da população. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/>. Acesso em: 05 dez. 2017.

______ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PIB dos Municípios. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/>. Acesso em: 02 dez. 2017.

______ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acesso em: 20 dez. 2017.

http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/08/populacao-de-santa-catarina-passa-de-7-milhoes-em-nova-estimativa-do-ibge-9883315.html

https://jornalistaslivres.org/2017/11/ataque-aldeia-povo-guarani-do-morro-dos-cavalos-pede-socorro/

LAGO, Paulo Fernando. Geografia de Santa Catarina: instrução programada. Florianópolis: [s.n.], 1971 (Florianopolis : E.G.R.T.) 159p.

SEBRAE/SC. Santa Catarina em Números. Florianópolis: Sebrae/SC, 2013. 150p.

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