Tipos de músculos

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Os músculos são tecidos animais especializados na contração e propulsão, formados através da miogenese, que os diferencia dos demais tecidos corporais. A principal característica dos músculos é a presença da actina e da miosina, proteínas contrateis utilizadas para movimentar as fibras musculares durante a contração e o relaxamento.

Os vertebrados apresentam três tipos diferentes de grupos musculares: os músculos estriados (ou esqueléticos), os músculos lisos e os músculos cardíacos. Durante o desenvolvimento embrionário, todos os tipos de músculos se originam a partir de um mesmo tipo celular progenitor, os mioblastos. A musculatura é fisicamente mais densa que as gorduras, fazendo com que seu ganho não necessariamente represente aumento de peso. Outra curiosidade é que em homens e mulheres adultos cerca de 40% e 35% do peso corporal, respectivamente, são referentes somente aos músculos esqueléticos.

Músculos esqueléticos (ou estriados)

O músculo esquelético forma fibras estriadas longas (algumas atingindo até 10 cm de comprimento) que se agrupam de forma paralela em miofibrilas, que compõem as unidades musculares contráteis denominadas de sarcômeros. Este tipo de músculo se conecta aos ossos por tendões ou outras terminações especializadas e sua contração ocorre de maneira voluntária (ou seja, conscientemente estimulada por nossa vontade). Sua contração está associada tanto a movimentos quanto a manutenção das posturas corporais (que são mantidas de forma involuntária), além de desempenhar um papel importante na termorregulação.

Músculo estriado esquelético. Foto: By Nephron CC-BY-SA-3.0, via Wikimedia Commons

As fibras do músculo esquelético podem ser subdivididas em tipo 1 e 2. O tipo 1 engloba a musculatura esquelética de alta resistência e baixa força e velocidade de contração. Formam músculos muito vascularizados, de coloração intensamente vermelha, e com muitas mitocôndrias, permitindo que mantenham atividade aeróbia (dependente de oxigênio) por mais tempo. O músculo esquelético do tipo 2 apresenta baixa resistência, porém elevada potência e velocidade de contração. Devido a estas características, seu período de manutenção de contração anterior a fadiga é curto, mas permite realizar tarefas que demandem explosões de força momentânea.

Músculos lisos

O músculo liso não apresenta estrias e ocorre na parede da maior parte dos órgãos (como estômago, intestino, útero e bexiga) e de diversas estruturas do corpo (tais como esôfago, brônquios, uretra, vasos sanguíneos e bulbo dos pelos corporais). A regulação de sua contração é involuntária, ocorrendo sem que aja estimulo nervoso. Sua contração é mais devagar que a dos músculos esqueléticos, contudo apresenta maior intensidade e pode ser mantida por mais tempo gastando menos energia. Possuem funções variadas associadas a cada órgão em que ocorrem, podendo causar o fechamento de orifícios ou induzir a movimentação de substâncias ao longo do lúmen das estruturas com contrações ritmadas, como ocorre no peristaltismo intestinal.

Músculo liso. Foto: Polarlys, CC-BY-SA-3.0, via Wikimedia Commons

Músculos cardíacos

Os músculos cardíacos também são estriados, porém apresentam contração involuntária e são encontrados exclusivamente nas paredes do coração. O miocárdio é o principal tecido cardíaco composto por células deste tipo muscular (que costumam ser mononucleadas) e forma a camada intermediaria que constitui o coração, entre o epicárdio e o endocárdio. Através de constantes estímulos elétricos produzidos por um agrupado de células especializadas, as marca-passo, o músculo cardíaco se mantem contraindo e relaxando com a função de propagar o sangue pelo corpo. Sua função é vital para a sobrevivência do organismo, uma vez que é através da movimentação da circulação sanguínea que ocorre as trocas gasosas e a nutrição de todas as células e tecidos corporais. Patologias que afetem a integridade das fibras musculares cardíacas ou seu funcionamento regulado (como na arritmia e no enfarto) trazem sérios prejuízos ao organismo, podendo ser fatais.

Músculo cardíaco. Foto: Jose Luis Calvo / Shutterstock.com

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Referências:

Brooke, M.H. and Kaiser, K.K., 1970. Muscle fiber types: how many and what kind?. Archives of neurology23(4), pp.369-379.

Schiaffino, Stefano, and Carlo Reggiani. "Fiber types in mammalian skeletal muscles." Physiological reviews 91, no. 4 (2011): 1447-1531.

Campbell, K.S., 2010. Short-range mechanical properties of skeletal and cardiac muscles. Muscle Biophysics, pp.223-246.