Revolução Pernambucana: o papel da ideologia de Domingos José Martins e sua contribuição política

SEVERINA RITA SILVA ALVES CASTRO
JULIO CÉSAR DO REGO CAVALCANTI JUNIOR
HILDINETE BRONZIADO BATISTA FERREIRA
Orientador: ARLINDO MORAIS PINHO FILHO
Introdução: Segundo Rousseau em seu livro, Do Contrato Social, “a liberdade de cada homem é o primeiro instrumento de sua conservação”. Em seu outro livro, A origem da desigualdade entre os homens, Rousseau “concebe na espécie humana duas formas de desigualdade: Uma, que chama de natural e a outra, que pode ser chamada de desigualdade moral e política, esta consiste nos diferentes privilégios, como ser mais ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros. Sendo assim o desejo do homem de ser igual ou diferente é tido como origem primária das revoluções ou seja a liberdade é inerente ao homem e foi na busca desta, “liberdade tão sonhada”, que Domingos José Martins tinha o desejo que a população pernambucana fosse livre do jugo Português. E assim promoveu aquela “gloriosa revolução” como diz alguns historiadores. Travando então uma luta contra os desmandos portugueses de 1817. A abordagem do tema vem trazer para o leitor uma nova visão sobre um dos líderes desta Revolução.

Contemplando assim sua idéia de liberdade para os trópicos, especificamente para Pernambuco. O texto vem corroborar na afirmação de que Domingos foi um grande influenciador e disseminador da idéia de liberdade para a população de sua época. Martins, comerciante, maçom e com informações sobre idéias iluministas que trouxera da Europa, encontrava em Pernambuco um clima fértil para disseminação das idéias liberais. Pernambuco na época era governado por um governo frágil politicamente e desacreditado pelo povo. Toda essa postura existente ajudou para disseminação das ideais defendidas por Martins que promoveu o desenrolar da revolução. Como bom liberal e seguidor de Rousseau defendia a liberdade de comercio para os trópicos , coisa inexistente na capitânia e contando então com a ajuda de clérigos, que também comungava da mesma corrente. O contexto histórico em que se encontrava o Brasil não era dos melhores para a população do norte (Bahia, Pernambuco e Maranhão). Pernambuco no início do século XIX encontrava-se em grandes dificuldades econômicas, sociais e políticas. Domingos Martins descontente com o sistema adotado pelo Rei D. João VI (impostos altíssimos) começou uma investida contra o poder de Portugal e seus desmandos para com a população brasileira. Conhecedor dos ideais iluministas, devido parte de sua vida que passou na Europa (Inglaterra) como grande comerciante que era. Então ele propiciou aos seus compatriotas toda uma formação de não aceitabilidade do jugo Português, formando um contingente de pessoas dispostas a lutarem pela liberdade de expressão, política, comercial entre outras. Casado de pouco e mesmo em lua de mel deixou sua esposa “chorosa” para atuar em busca do seu ideal, mesmo que esse lhe trouxesse a morte. Segundo escritos Martins era um homem que “andava de braços com todos os cabras, mulatos e crioulos”, nessa citação (Quintas, Amaro) podemos perceber o quanto ele tinha influência em todos os níveis sociais e também poder político, pois arregimentou muitos militares para a causa. Mesmo quando Domingos estava na Europa já pensava em fomentar as idéias de liberdade para ajudar seu povo, concretizando-se ao chegar em Pernambuco. Onde ele tomou parte de uma revolução que nos trouxe uma república de fato, pequena porém intensa no seu contexto político.

Metodologia: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, qualitativa com documentos antigos na qual utilizaremos a paleografia como base para entendermos os escritos. E ainda os acervos bibliográficos que possam favorecer uma melhor compreensão e interpretação de dados.

Resultados e discussão: Na percepção de pesquisadores como Amaro Quintas, Manuel Correia de Andrade, Evaldo Cabral de Mello, Gilberto Freyre e tantos outros, o assunto Revolução de 1817 é sem dúvida concreto no que diz respeito a discussão do fato. Comprovando assim que a Revolução Pernambucana de 1817 foi um marco para a colônia mudando conceitos e idéias de um novo grupo pernambucano, os patriotas, assim era conhecido os líderes do movimento por seus companheiros. Um termo inspirado no nacionalismo, que não faltava nos líderes de 1817. Depois da revolução esses líderes assumem o comando de Pernambuco formando um governo, em modelos diferentes do que existia na colônia, um governo formado com representações de todos os seguimentos sociais e políticos. Temos neste seguimento um papel importantíssimo de Domingos José Martins, que defendia uma idéia de liberdade para os trópicos especificamente para Pernambuco. Os desmandos do governo português tinha um peso e uma crueldade tamanha em nível de impostos, recaindo sobre determinados grupos sociais(ricos e pobres). Martins trazia na sua bagagem idealista um desejo de libertar o povo pernambucano deste contexto. Suas idéias rousseuniana no momento foram de suma importânçia, despertando assim em outras pessoas a vontade de dar um basta na situação vigente. Governava Pernambuco nesta época (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) um governo frágil politicamente, dando assim, espaço para disseminação de tais idéias. Martins concentrava em sua residência grupos para debates no intuito de formular uma revolução a qual foi antecipada por motivos diversos (traição, conspiração). Mas mesmo assim a ideia lançada por ele para tal fato nos trouxe reconhecimento até hoje, provando que aquele ideal político foi de grande relevância para Pernambuco. Em seu livro Rubro Veio, Evaldo Cabral de Mello conceitua que depois dos movimentos existentes em Pernambuco (a Restauração em 1654 contra o domínio Holandês, Guerra dos Mascates entre 1710 e 1712, a Revolução Pernambucana 1817, Confederação do Equador em 1824 e Revolta Praieira em 1848) “os pernambucanos se orgulhariam de sua participação ativa na história do Brasil, sempre mantendo altos ideais de liberdade”.Enfim estes movimentos foram ativadores do imaginário ativista brasileiro.

Considerações finais: Percebemos após a pesquisa que, Domingos tinha uma influência em todos os seguimentos sociais. Apesar da Revolução ter um contexto, historicamente breve, ela foi de suma importância tanto para a sociedade da época quanto para a atual. A capitânia ganhou um otimismo político e idealista, que até hoje percebemos na sociedade pernambucana. Podemos ver isto numa frase bem contextualizada que diz, “orgulho de ser nordestino”, se esta for entendida a luz dos fatos originais, ou seja, para saber o significado da mesma, temos que buscar nos movimentos sociais pernambucano as informações verdadeiras.

Palavras-chave: Revolução. Liberdade. Ideais.

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