Diplomacia Brasileira Durante a Segunda Guerra Mundial

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

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As duas Guerras Mundiais que ocorreram na primeira metade do século XX afetaram as relações em todo o mundo, e com o Brasil não foi diferente. No primeiro conflito, entretanto, a participação brasileira foi indireta, sem tropas, sem armas e sem tiros, apenas o alinhamento contrário aos países que eram considerados deturpadores da ordem mundial no momento, os quais eram liderados pela Alemanha. Já a Segunda Guerra Mundial contou com a participação mais direta do Brasil, que chegou a enviar tropas para os combates na Europa.

Dois anos antes do efetivo início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil iniciou uma nova fase dentro do governo do presidente Getúlio Vargas. Utilizando do argumento de uma possível ameaça comunista no território brasileiro, o presidente fechou o Congresso e assumiu poderes ilimitados no governo brasileiro, implantando uma ditadura que ficou conhecida como Estado Novo. Este novo governo, a princípio, demonstrava muita afinidade com as ditaduras autoritárias em crescimento na Europa, como eram os casos de Alemanha e Itália. Justamente os dois países que, juntamente com o Japão, integraram o grupo chamado de Potências do Eixo e seriam o alvo de combate no novo conflito mundial que se iniciaria em 1939. O Brasil, por sua vez, relacionava-se internacionalmente de forma multilateral, como é um tanto característico da diplomacia brasileira. Porém o grande crescimento dos Estados Unidos fez com que este país tivesse grande influência sobre os demais países do continente americano. Assim, quando a base estadunidense de Pearl Harbor foi atacada de surpresas pelos japoneses, em 1941, forçando os Estados Unidos a entrarem na Segunda Guerra Mundial, os americanos do norte forçaram os países do continente a assumir uma postura clara no conflito.

Nos anos iniciais da Segunda Guerra Mundial, o Brasil procurou se manter distante dos conflitos. Porém outro evento forçaria mais ainda o posicionamento brasileiro do que a pressão que recebia dos estadunidenses. Em 1942, navios brasileiros foram atacados por submarinos alemães no Oceano Atlântico e acabaram naufragando. Este evento mobilizou a opinião pública e favoreceu à pressão dos Estados Unidos para que o Brasil declarasse guerra aos países do Eixo. Foi justamente isso que aconteceu. O Brasil posicionou-se oficialmente contra Alemanha, Itália e Japão na Segunda Guerra Mundial e se preparou para enviar tropas para os combates em território europeu. Neste momento, a diplomacia brasileira nos anos do conflito ganhou definição bem clara. As relações internacionais com países integrantes do Eixo e todos os seus defensores foram rompidas. A postura brasileira foi incisiva. Em território brasileiro, os bens de associações e organizações referentes aos países integrantes do Eixo foram confiscados e suas atividades foram interrompidas.

Porém a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial e sua posição diplomática causou um grande problema ao governo de Getúlio Vargas. Como já dito, o Brasil possuía relações diplomáticas com os países autoritários e, naquele momento, a estrutura governamental internar era, inclusive, muito próxima da deles. O Brasil era um país governando por um regime ditatorial e entrou na guerra para enfrentar regimes ditatoriais. Essa incoerência desestabilizou o governo Vargas e, associada a outros fatores, culminou com o fim do Estado Novo. A luta pela democracia na Europa também derrubou o autoritarismo em território brasileiro. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a posição diplomática brasileira durante o conflito permaneceu nos anos imediatamente posteriores. Somente no início da década de 1950 que as relações foram retomadas com mais naturalidade com os países ex-integrantes do Eixo.

Fontes:

Relatórios do Ministério das Relações Exteriores disponíveis em http://www.crl.edu/brazil.