Liga de Delos

Mestrado em História (UDESC, 2012)
Graduação em História (UDESC, 2009)

A Confederação ou Liga de Delos foi uma organização militar formada por Atenas que visava proteger as cidades gregas das tropas do Império Persa, combatendo a presença deles no Mediterrâneo. Inicialmente teve sede em Delos e Esparta fazia parte também da organização. Após o afastamento da ameaça persa, os espartanos deixaram a liga, ocasionando um atrito com Atenas, que dominava Delos.

Com a vitória sobre os persas em 479 a.C. e a concentração de poder na mão de Atenas, as contribuições e arrecadações de impostos fizeram com que Atenas enriquecesse e dominasse ainda mais a região. Em 450 a.C. o tesouro da Liga foi transferido de Delos para Atenas que investiu na sua infraestrutura e aumentou consideravelmente o seu poder.

A Liga de Delos foi, portanto, a base do poder e da hegemonia ateniense no século V a.C., considerado o período clássico ateniense. Como Atenas ganhava muito poder e arrecadava muitos impostos via Liga, tornava-se difícil sair dela sem contrariar Atenas. Por isso são datadas do período diversas contestações e rebeliões de cidades que buscavam se ver livres do poder ateniense. Além disso a forma de arrecadação pesava para as cidades que compunham a Liga: as de grande porte contribuíam com o envio de tropas e navios, enquanto as menores ficavam responsáveis por contribuições em forma de impostos. Após a vitória sobre os persas Atenas continuou a cobrar os impostos, obrigando todas as cidades a contribuírem e gerando seu enriquecimento.

Ao transferir o tesouro de Delos, Atenas buscou reconstruir a sua cidade e investiu no processo de urbanização e remodelamento. É do mesmo período a ebulição cultural vivida por Atenas, as grandes obras da tragédia do teatro e a construção de grandes obras públicas como o Partenon.

Partenon em Atenas, Grécia. Foto: Gabriel Georgescu / Shutterstock.com

A concentração do poder em Atenas gerou diversas consequências para o mundo antigo e para o contexto grego. É deste período a padronização monetária e de peso, o aumento da escravidão em Atenas, e a transformação de Atenas em um centro cultural que irradiava modelos de pensamento e de formas de vida para o mundo antigo. É também datada deste período a estabilização da democracia ateniense, conquistada, dentre outras razões, pelo uso do ostracismo (expulsão pelo período de dez anos) como estratégia de controle social. Ao mesmo tempo, neste mesmo período Atenas estabeleceu regras mais rígidas: somente os filhos de pai e mãe atenienses poderiam ser considerados cidadãos plenos.

Esparta era uma cidade-estado já bastante articulada à época e bem diferente de Atenas. Enquanto os atenienses viviam sob a democracia direta e as descobertas culturais, Esparta estava baseada no militarismo. Assim, saindo da Liga de Delos Esparta foi responsável por criar a Liga do Peloponeso, que fazia oposição à Atenas.

A disputa entre as ligas de Delos e do Peloponeso é uma das batalhas mais conhecidas na história da humanidade. A Guerra do Peloponeso marcou a segunda metade do século V a.C. e marcou também a forma de se fazer história: ela foi narrada pelo ateniense Tucídedes, que recolheu depoimentos e construiu uma narrativa sobre o evento no tratado chamado “História da Guerra do Peloponeso”.

O conflito, para além de marcar as disputas entre Atenas e Esparta, marcou a luta por poder no mundo antigo e deixou evidente a necessidade de controle dos portos, que significava também o controle do Mediterrâneo, rota significativa para o comércio na antiguidade. O domínio do mar representava poder político, econômico e social.

Referências:

GUARINELLO, Norberto. História Antiga. São Paulo: Contexto, 2013.