Tecnologias na pré-história

Mestrado em História (UDESC, 2012)
Graduação em História (UDESC, 2009)

Quando falamos em tecnologia a primeira coisa que nos vem em mente certamente são os avanços tecnológicos do nosso presente: robôs, computadores, máquinas. No entanto, a palavra se refere a toda e qualquer técnica que tenha se desenvolvido graças a atividade humana. Proposital, sistemática e utilizada para um determinado fim, as técnicas desenvolvidas na pré-história vão desde o domínio do fogo à invenção da roda e até mesmo à fundição de metais, que possibilitaram a sobrevivência dos homens na Terra.

Os homens e as mulheres pré-históricos podem não ter dominado a escrita. Porém, elaboraram e confeccionaram ferramentas das mais diversas a partir dos materiais disponíveis na natureza. Transformar um elemento da natureza em outra coisa e dar a ela outra utilidade foi atividade comum das sociedades anteriores à invenção da escrita.

Uma das primeiras técnicas desenvolvidas foi a atividade de lascar pedras umas nas outras a fim de formar uma ponta pontiaguda, que serviria para a caça e para o manuseio de alimentos. Foi lascando pedras que o homem descobriu o fogo, uma das tecnologias mais importantes da humanidade até hoje. A partir dele, descoberto no período que chamamos de paleolítico, muita coisa mudou: além da possibilidade de se fazer fogueiras para aquecer o grupo, o cozimento de alimentos proporcionou uma maior sobrevivência, com consequente aumento demográfico. A partir dele também foi possível, muito tempo após a sua descoberta, fundir metais para a produção de novos objetos uteis para o cotidiano e sobrevivência dos grupos humanos.

Pontas de lanças feitas de pedra há milhares de anos. Foto: Juan Aunion / Shutterstock.com

A transição do período paleolítico para o neolítico foi marcada pelo que se costuma chamar de Revolução Neolítica. Ela foi marcada não só pelo início do processo de sedentarização dos grupos humanos, que a partir do domínio da terra e da agricultura conseguiram se fixar em um único local produzindo não só a alimentação necessária para determinado momento como também o necessário para guardar e manter o grupo vivo, sem precisar de deslocamento para se alimentar. Para além disso o período foi marcado pelo desenvolvimento de uma nova tecnologia: a metalurgia. A partir do desenvolvimento de uma liga metálica em que se fundiam cobre e estanho, diversas ferramentas e utensílios foram produzidos.

Pode-se considerar também a agricultura como uma das técnicas desenvolvidas pelos homens e mulheres pré-históricos. Semear, plantar, irrigar, colher e produzir o alimento foram processos que dependeram não só da ação da natureza como também da inteligência humana. Somente com o domínio das técnicas de cultivo e colheita é que foi possível viver de forma sedentária, sem correr os riscos inerentes às atividades de caça e coleta.

Neste sentido a arte rupestre pode ser considerada uma forma de técnica: o desenvolvimento de uma linguagem de comunicação últil para determinado grupo e as técnicas de representação daquela realidade, bem como os materiais utilizados para tal fim podem enquadrar a arte rupestre como uma forma de tecnologia.

Imagina-se que outra tecnologia fundamental para o desenvolvimento das sociedades humanas tenha sido produzida durante o período pré-histórico: a roda. Entretanto, as pesquisas arqueológicas encontraram rastros de sua existência apenas há 3.000 anos a.C., na sociedade mesopotâmica.

Ilustração mostra a evolução da roda ao longo da história da humanidade. Fonte: James Steidl / Shutterstock.com

Embora relacionemos diretamente a tecnologia ao presente é preciso lembrar que as sociedades humanas só puderam se desenvolver, construir cidades, desenvolver códigos numéricos e de escrita a partir da transformação de elementos da natureza em ferramentas e materiais úteis para a sobrevivência humana.

Referência:

PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2011.

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