Terceira Revolução Industrial

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A Terceira Revolução Industrial é também conhecida como Revolução Técnico-Científica. Assim como na Primeira e na Segunda Revolução Industrial, demonstrou uma alteração drástica no processo produtivo. Esta terceira fase ocorre a partir da segunda metade do século XX. Os territórios atingidos por este fenômeno são diversos, com ênfase no Japão, na Europa e nos Estados Unidos.

Duas características fundamentais da Terceira Revolução Industrial são a internet e a robótica. Com a automação industrial, tarefas que antes eram especialidade de um trabalhador (como no modelo fordista e taylorista), agora podem ser realizadas por máquinas como braços robóticos.

Automação industrial em uma linha de montagem de veículos. Foto: Jenson / Shutterstock.com

Internet

O avanço das tecnologias de comunicação trouxe ao mundo uma maior conectividade. A este processo também se costuma chamar de globalização. Alguns pesquisadores explicam que, com o enfático crescimento da internet a partir dos anos 1990, ocorreu um fenômeno conhecido como “diminuição do mundo”.

Assim, as telecomunicações e os transportes passam a diminuir as distâncias relativas. Exemplos como o comércio online, a rapidez na entrega de materiais via transporte interconectados, assim como as transações financeiras praticamente em tempo real, endossam essa teoria. A velocidade é a principal característica da Terceira Revolução Industrial.

Fora a internet e a robótica, outro marco da Terceira Revolução Industrial são as energias renováveis como a eólica e a biomassa. Apesar do petróleo ainda ser a principal matriz utilizada no mundo para a geração de energia, surgem gradualmente novas opções. Segundo com as decisões do Acordo de Paris, estas energias novas seriam menos prejudiciais ao meio ambiente.

Meios de produção

Na Terceira Revolução Industrial os processos de produção passam a ser praticados de acordo com as premissas do toyotismo. Ao contrário do fordismo, criado nos Estados Unidos na Segunda Revolução Industrial, o toyotismo surgiu no Japão. Ele consiste em um modo de produção realizado de acordo com a demanda, com o fim de não acumular matérias-primas e produtos. É o que se conhece por produção “just in time”.

Multinacionais

O trâmite constante envolvendo o encurtamento dos espaços e também a interconectividade traz à tona o modelo transnacional para as corporações. Ou seja, se antes estas mesmas companhias ocupavam um espaço geográfico delimitado, agora elas estão espalhadas pelo mundo todo.

Apesar disso, o deslocamento de uma transnacional de um país desenvolvido para uma nação subdesenvolvida não significa uma evolução conjunta, visto que muitas vezes a presença em tais regiões se dá por facilidades como isenções fiscais, força de trabalho abundante e barata, aproveitamento sem restrições de recursos naturais e até mesmo influência política perante estas regiões. A este fenômeno se dá o nome de descentralização industrial. Algumas destas companhias possuem até mesmo o lucro anual maior do que o PIB dos países em que se instalam.

Setor terciário

Quando se fala em Terceira Revolução Industrial, é importante ter em mente o surgimento do setor terciário. Dentro deste segmento estão as atividades de prestação de serviços e comércio. Isso se deve à chamada Revolução Verde - proveniente também das transformações da Terceira Revolução Industrial. Ela consiste na evolução tecnológica no campo através de equipamentos e práticas inovadoras que aumentaram a produtividade do solo e, consequentemente, renderam o aumento da produção de alimentos.

Assim, grande parcela da população proveniente das atividades agrárias acabou ficando desempregada. Com isso, ocorreu o seu movimento na direção das cidades em busca de recolocação profissional, processo que acaba por endossar o setor terciário. Na falta de empregos no parque industrial, estes cidadãos passam a realizar atividades de comércio e prestação de serviços.

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Fontes:

HOBSBAWM, Eric. J. Da Revolução Industrial inglesa ao imperialismo. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1983.

SINGER, P. Globalização e desemprego. São Paulo, Editora Contexto,1999.