História da Índia

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

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A Índia, atual República da Índia, é um país localizado no sul da Ásia, criado em 1950 no contexto das lutas por emancipação afro-asiáticas. É o segundo país mais populoso do mundo, atrás apenas da China.

Ainda que exista enquanto Estado nacional somente há algumas décadas, o território indiano possui uma história milenar e foi lar de diferentes civilizações e impérios, fato expresso na imensa diversidade de etnias e culturas que integram o país.

Mapa da Índia e suas principais cidades. Crédito: UN Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA) / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Da Antiguidade ao século XVI

Entre 2600 e 2000 a.C, o subcontinente indiano abrigou a civilização hindu. Dela se originou o hinduísmo, uma das principais religiões do país. Por volta de 400 a.C, seus seguidores instituíram o conhecido sistema de castas. Outras religiões surgiram na região nesse período, como o budismo e o jainismo, e defendiam a construção de ordens sociais não-hereditárias.

Do início da Era Comum até o século X, a Índia é caracterizada pela presença de diversos reinos regionais e por sua diversidade cultural. Até os anos 300, diferentes dinastias do povo tâmil ocupavam a região, comercializando com o Império Romano e com o sudeste e sudoeste da Ásia. Nesse momento, a Índia passou a integrar a Rota da Seda.

Entre os anos 800 e 900 a cultura hindu se expandiu pelo subcontinente e influenciou diferentes realezas indianas. Após o século X, ocorreram as primeiras invasões de povos nômades muçulmanos oriundos da Ásia central.

Os principais regimes a se formarem foram o Sultanato de Deli (1206–1526) e o Império Mogol (1526–1857; não confundir com Império Mongol). Será durante este último que a presença britânica avançará na Índia até que, por fim, integrou a Índia oficialmente ao seu império.

Expansão britânica (século XVIII-XIX)

A expansão britânica na Índia iniciou-se no século XVIII, quando a Companhia das Índias Orientais estabeleceu entrepostos comerciais em sua costa. A empresa trazia consigo grande infraestrutura naval e militar, atraindo a elite indiana da região de Bengala, interessada nas possibilidades de lucro.

Ao longo dos anos de 1700 e 1800, os britânicos obtiveram mais acesso às riquezas da região e converteram seus lucros em presença militar e poder político. Em meados do século XIX, a empresa já havia se convertido em um braço da administração britânica na Índia.

Nesse contexto, uma série de reformas foram realizadas visando a construção de um Estado moderno. Dentre elas, a demarcação do território e o controle social da população. Contudo, amplas parcelas da população estavam insatisfeitas.

O resultado foi visto na Revolta dos Cipaios (1857), conduzida por soldados da Companhia e membros das elites de diferentes localidades. No fim, o movimento foi sufocado pelos britânicos e no ano seguinte fundou-se o Raj Britânico que duraria quase 100 anos.

O Raj Britânico (1858-1947)

Até o início do século XX, a Coroa inglesa esteve focada em criar um Estado centralizado e instituições políticas para mantê-lo. Adotando, assim, uma espécie limitada de parlamentarismo. No plano socioeconômico, os avanços tecnológicos direcionados à exportação primária, que recortou todo o território com linhas férreas, coexistiram com períodos de fome.

O período pós-Primeira Guerra Mundial foi marcado por reformas políticas direcionadas ao autogoverno, mas também pela criação de leis repressivas. Também foi nele que se iniciou o movimento de desobediência civil e não-violência, representado pela figura de Mahatma Gandhi.

Mahatma Gandhi. Foto: Elliott & Fry, 1931.

Na década de 1930, cresceu a mobilização parlamentar dos indianos pela independência, porém, foi na década seguinte, com o advento da Segunda Guerra Mundial, que eles conseguiram dar o golpe final no imperialismo britânico.

Independência e história recente

Em 1947, o grupo liderado por Gandhi e Jawaharlal Nehru declarou a independência da Índia. A resposta britânica foi apoiar a criação de um outro estado, o Paquistão, para onde uma grande maioria dos muçulmanos se deslocou. Este grande deslocamento também resultou em diversos conflitos e fome, um momento muito difícil para as populações mais pobres.

A nível institucional, em 1950, a Índia consolidou sua soberania com uma constituição, que criava uma república secular e democrática. Permanecendo como tal até o momento, embora ainda hoje existam grandes conflitos territoriais e uma tomada de direção para o conservadorismo político e o estabelecimento do hinduísmo como religião oficial, o que aumentou as tensões em relação aos muçulmanos do país, e é claro, a região da Caxemira.

Nas últimas décadas, a liberalização econômica do país transformou a Índia numa das principais economias do mundo, referência em ciência, tecnologia e cultura. Entretanto, o país também é ainda permeado pela desigualdade social e pela violência religiosa.

Leia mais:

Bibliografia:

KULKE, Hermann; ROTHERMUND, Dietmar. A history of India. Routledge, 2016.

MUFAZZAR, Alan et al. “India”. Encyclopaedia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/place/India. Acesso em: 20/11/2021.