Gêneros textuais

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

Notícia, bula de remédio, parábola, piada, manual de instrução, classificado, resumo, tira, charge, receita culinária, poema, romance, crônica, propaganda, entrevista, edital... Todos eles são gêneros textuais! De acordo com Bakhtin (2000), os gêneros textuais ou gêneros de texto, chamados por ele de “gêneros do discurso”, são os textos criados na e pela sociedade, ao longo de sua história, em atendimento às necessidades de comunicação que vão surgindo. Toda comunicação se dá por meio de um gênero textual.

Foto: © iStock.com / milosluz

Elementos que compõem o gênero textual

Bakhtin (2000) explica que cada gênero, oral ou escrito, é composto por três elementos que variam em virtude de sua finalidade comunicativa:

  • “conteúdo temático” → o que é dizível naquele gênero.
  • “estilo” → o conjunto de recursos linguísticos utilizado.
  • “construção composicional” → a estrutura apresentada.

“Gênero textual” ou “Tipo de texto”?

Marcuschi (2005) chama a atenção para a diferença entre “gêneros textual” e “tipos de texto”. Estes são sequências que compõem aqueles. Segundo esse estudioso, existem cinco tipos textuais:

argumentação          descrição                  exposição

injunção                narração

Para entender melhor essa diferença, imagine o gênero “notícia”. Nele, há, por exemplo, a narração de um fato que ocorreu, mas também há a descrição do local onde aconteceu o referido fato. Por isso, não podemos chamar a notícia simplesmente de descrição ou de narração. Vale reforçar que os tipos textuais compõem os gêneros de texto.

Agora que você entendeu o conceito de “gênero textual”, que tal ler o texto abaixo e depois assinalar o gênero a que ele pertence?

Mulheres De Coragem

Da série “Conte um Conto”, neste “Mulheres de coragem” a Ruth Rocha oferece ao leitor três contos emocionantes: “Mulheres de coragem” (que dá título ao livro e é baseado numa lenda antiga, que inspirou, entre outros, o grande Guimarães Rosa em seu romance Grande sertão: veredas), “Lenda da moça guerreira” (inspirado em outra lenda antiga a respeito do rei Beowolf) e “Romancinho romanceiro…” (que a Ruth Rocha inventou pensando em histórias da Idade Média).

Todas elas se passam num tempo muito, muito distante. Nesse tempo havia príncipes e princesas, cavaleiros com armaduras prateadas, castelos rodeados de muralhas, nobres e plebeus. Mas o mais impressionante é que nessa época as mulheres não podiam fazer quase nada: só costurar, bordar e estudar artes. Não podiam correr, nadar, muito menos lutar.

Pois as personagens dessas histórias desafiam os costumes: pegam em armas, vão à guerra, não acham a menor graça em casar com um marido escolhido pelo pai. São, como o título diz, mulheres de coragem, isto é, mulheres alegres, inteligentes e cheias de vida; que não abaixam a cabeça para ninguém.

Merecem destaque as lindas ilustrações de Teresa Berlinck.

Disponível em: <http://www.ruthrocha.com.br/livro/mulheres-de-coragem>.

E aí? O texto lido é:

(   ) um conto.
(   ) uma resenha.
(   ) um artigo de opinião.

Se você assinalou a segunda opção, você acertou! Parabéns! Sim, o texto acima é uma resenha! Qual o objetivo de quem escreve esse gênero textual? Divulgar uma manifestação cultural, buscando convencer o leitor a conhecê-la. Podemos fazer uma resenha de um livro, de um filme, de uma peça de teatro, de uma partida de futebol, de um programa de televisão, de uma exposição, de um show...

O texto acima é a resenha do livro “Mulheres de coragem”, escrito por Ruth Rocha. Desde o início, busca-se fisgar o leitor, expondo uma opinião: “[...] neste ‘Mulheres de coragem’ a Ruth Rocha oferece ao leitor três contos emocionantes [...]”

Em “[...] cavaleiros com armaduras prateadas, castelos rodeados de muralhas, nobres e plebeus [...]”, o autor do texto descreve personagens e lugares. Já na passagem “Pois as personagens dessas histórias desafiam os costumes: pegam em armas, vão à guerra [...]”, o autor resume a história do livro, narrando as ações das personagens protagonistas. Enfim, o autor empregou diferentes tipos de texto (descrição, exposição, narração) na construção da resenha, tendo como objetivo provocar o interesse do leitor na obra de Ruth Rocha.

“Resenha” X “Resumo”

Poderíamos chamar o texto sobre o livro “Mulheres de coragem” de “resumo”? Não! Mas, por quê? Porque o resumo se limita a contar as partes principais de uma obra, ao passo que a resenha vai além disso: resume a obra, mas também a avalia. Tanto o resumo quanto a resenha têm a intenção de divulgar uma manifestação cultural, porém a resenha acaba por exercer um poder de convencimento maior, já que apresenta a opinião.

Vejamos mais alguns exemplos de gêneros textuais:

  • Conto maravilhoso;
  • Conto de fadas;
  • Fábula;
  • Lenda;
  • Narrativa de ficção científica;
  • Romance;
  • Conto;
  • Piada;
  • Relato de viagem;
  • Diário;
  • Autobiografia;
  • Curriculum vitae;
  • Biografia;
  • Relato histórico;
  • Artigo de opinião;
  • Carta de leitor;
  • Carta de solicitação;
  • Editorial;
  • Ensaio;
  • Resenhas críticas;
  • Seminário;
  • Conferência;
  • Palestra;
  • Entrevista de especialista;
  • Relatório científico;
  • Regulamento;
  • Textos prescritivos;

Referências:

BAKHTIN, Mikhail. Problemática e definição. In: ___ Estética da criação verbal. Tradução de Maria Ermantina Galvão G. Pereira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.279-287. Título original: Estetika slovesnogo tvortchestva.

MACHADO, Anna Rachel (org.). Resenha. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: BEZERRA, Maria Auxiliadora (org.) et al. Gêneros textuais e ensino. 2.ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p. 19-36.