Naturalismo no Brasil

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura (Mackenzie, 2016)
Licenciada em Letras Português-Inglês (FMU, 2012)

O Naturalismo no Brasil iniciou-se no fim do século XIX com a publicação do romance “O Mulato” (1881), de Aluísio de Azevedo.

Nessa época, o país passava por grandes transformações. A cidade do Rio de Janeiro ainda era considerada a capital do Brasil. A Segunda Revolução Industrial estava em vigor, isto é, o capitalismo estava crescendo cada vez mais e a questão financeira vinha tendo sua ascensão. Em decorrência desses fatos, aumentava-se a mão de obra: o que significava mais maquinário e mais pessoas trabalhando. D. Pedro II estava no seu segundo reinado, no final do Império.

Além disso, em 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea que proporciona a liberdade aos escravos. A Abolição da Escravatura foi um acontecimento muito importante para esse período.

A partir desses fatos, notava-se uma sociedade que dava sinais de liberdade, em que o povo agora tem voz e faz se entender. É considerado um novo momento, onde as pessoas procuravam ser libertas do passado.

Os escritores naturalistas, influenciados por todos esses acontecimentos, procuram retratar com maior realidade o que está acontecendo na sociedade. Eles tinham uma visão materialista, uma vez que a sociedade estava em ascensão. Também tinham uma visão objetiva, onde os temas eram tratados sem rodeios. Além disso, acreditavam que a Ciência era a solução para os problemas do homem.

Os naturalistas são considerados antirromânticos, tratam os temas de forma mais clara, como realmente acontece. A ideia deles era de derrubar o que o Romantismo pregava, tratar os fatos de forma real e falar do que era incorreto, falar sobre a injustiça que as pessoas estavam sofrendo.

Em suas obras, os escritores retratavam os problemas da realidade social, política e econômica. Também era comum que eles tratassem de temas relacionados com a abolição da escravatura.

Os escritores mais importantes dessa época são:

  • Aluísio de Azevedo (1857 – 1913): O autor é considerado o precursor do Naturalismo no Brasil. Sua obra “O Mulato” foi considerada o marco inicial da época, que traz como tema central o preconceito racial. Também escreveu “O Cortiço” (1890), que trata sobre a realidade brasileira do século XIX: as relações e o comportamento dos personagens.
  • Adolfo Ferreira Caminha (1867-1897): O autor é considerado um dos maiores representantes da literatura naturalista brasileira. Sua obra que merece destaque é “A Normalista” (1893), de cunho regionalista. Também escreveu “Bom Criolo” (1895) que foi considerado um romance ousado, uma vez que trata sobre a homossexualidade. As suas obras tratam sobre temas de violência, perversão, crimes e tragédias, além da homossexualidade citada acima.
  • Herculano Marcos Inglês de Sousa (1853-1918): Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Publicou “O Coronel Sangrado” (1877), mas em 1891 foi reconhecido pela obra “O Missionário”, que trata sobre a influência do meio sobre o indivíduo.

Bibliografia:

Módulo do ensino integrado: língua portuguesa. São Paulo: DCL, 2002. p. 131-134.

https://www.stoodi.com.br/blog/2018/04/26/realismo-e-naturalismo/